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Recorde de diplomação

Por:  Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

Através do programa “Expandir”, o Ministério da Educação informa que decidiu ampliar de 41 para 48 o número de projetos de interiorização e expansão de universidades públicas no país até 2007. A justificativa apresentada para tal decisão é levar o ensino superior a áreas de difícil acesso no interior do país, possibilitando, assim, que jovens dessas regiões tenham acesso ao ensino superior “público e gratuito”, sem se importar, ao que parece, com a qualidade.

O Ministério da Educação informa também, que tal medida se tornou possível após a sua negociação com o Ministério do Planejamento para a liberação de recursos para investimentos e contratação de professores (2.375) e de pessoal técnico-administrativo (1.475) num total de 3.840 novos cargos e, ainda, a criação de 120 cargos de direção e 420 funções gratificadas, possibilitando, com isso, gerar no sistema de ensino superior, mais 30 mil vagas até 2007 de um total de 125 mil novas matrículas nas instituições federais prevista com a expansão até 2010. Com isto, a expansão do ensino superior nos estados do Amazonas, da Paraíba e de Minas Gerais ficará completa.

Se por um lado, a leitura pura e simples da notícia é alvissareira, a sua interpretação é, no mínimo, preocupante. Por exemplo: Como será o dia seguinte à diplomação destes novos profissionais, quando tentarem ingressar no mercado de trabalho e se depararem com um desemprego desanimador, ou tiverem de se contentar com salários aviltantes à sua formação?

Medidas como estas (e tantas outras) servem apenas para criar e alimentar sonhos que não se sustentarão na nossa realidade. Tudo isso deixa transparecer que o que se quer é, apenas entrar na disputa do título – “Recorde de Diplomação” – independente da qualidade da formação desejada e do tão buscado e almejado sonho de melhorar de vida.

Na realidade, o que teremos serão milhares de diplomas que servirão apenas para decorar as paredes caiadas das casas dos brasileiros, que, apesar de serem chamados de “doutores”, continuarão na miséria, no subemprego, na subvida, e pior ainda, sem direito a sonhar porque ele acabou.

(Publicado no jornal A Razão do dia 07.08.2006)

* UFSM



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