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Artigos

Os cubanos esquecidos pela mídia

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

Quase que diariamente assistimos pelos jornais, revistas, emissoras de rádio e tevê, notícias sobre atletas e músicos cubanos que desertam, entrevistas com exilados e mesmo parentes de Fidel que moram em Miami falando mal do governo socialista de Cuba, etc.. No entanto, a outros fatos a grande imprensa cala, os mesmos veículos de imprensa e partidos políticos que transformaram os atletas e músicos cubanos desertores em heróis, parecem não tomar conhecimento que, em Miami, cinco cubanos estão há nove anos encarcerados em prisões de segurança máxima, em condições péssimas, sendo que mesmo a visita de seus familiares lhes é negado. São eles Gerardo Hernández Nordelo (condenado a duas prisões perpétuas mais 15 anos), Ramón Labañino Salazar (condenado a prisão perpétua e mais 18 anos), René González Sehwerert (condenado a 15 anos de prisão), Fernando González Llort (condenado a 19 anos de prisão) e Antonio Guerrero Rodríguez (condenado a prisão perpétua e mais 10 anos).

Como alguém pode cumprir duas prisões perpétuas ou mesmo cumprir apenas uma e continuar preso? Deixo para os entendidos em leis norte-americanas. Os cinco cubanos foram condenados pela justiça dos EUA sem terem cometido sequer um crime ou causado qualquer dano a qualquer cidadão dos EUA. Foi um julgamento político ocorrido em 2001 (eles estão presos desde setembro de 1998), em que o motivo de suas prisões foi o fato de terem descoberto sem emprego de violência, uma série de planos terroristas que seriam utilizados contra Cuba. Entre os anos de 1995 e 1996, o grupo de direita intitulado “Irmãos ao Resgate”, formado por anti-cubanos residentes nos EUA, começou a realizar uma série de vôos ilegais sobre Cuba, sendo que mais de 30 vôos violaram o espaço aéreo cubano, levando o governo de Cuba, inclusive a tomar uma atitude diplomática convidando um alto oficial das Forças Armadas dos EUA para ouvir o relato do que estava acontecendo sob o espaço aéreo cubano, e que tinham informações de que continuariam, inclusive com ações terroristas contra Cuba.

Devido às agressões ao espaço aéreo realmente tiveram continuidade, a aviação cubana derrubou dois aviões. Logo os norte-americanos acusaram os cinco cubanos de terem passado informações a Cuba de que novos vôos iriam ocorrer, culpando-os pela derrubada dos aviões terroristas dos “Irmãos do Resgate”. Atualmente, o próprio Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias da Comissão de Direitos Humanos da ONU declarou arbitrária a detenção dos cubanos pelos EUA, no entanto, eles continuam presos. Espera-se que a justiça seja feita e eles sejam mandados para junto de suas famílias em Cuba.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 14 de janeiro de 2008)

* UFSM



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