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A economia crescerá até quando?

Por:  Adayr da Silva Ilha*

A crise que se iniciou no final de 2007 e abalou fortemente o país em 2009 fez com que a economia tivesse uma taxa de crescimento próxima de zero. As políticas que o governo brasileiro adota para reverter os efeitos da crise são todas inspiradas na teoria keynesiana de incentivo à demanda agregada, frontalmente contrária às políticas de orientação neoliberal que vinham sendo praticadas pelo conjunto das economias da região latino-americana.

Foram adotadas medidas de renúncia fiscal, como redução do IPI, de redução das taxas de juros e de aumento do crédito para consumo. O investimento público também foi ampliado. Com isso a economia brasileira foi a que menos sentiu os efeitos da crise. Os aumentos do consumo e do investimento público compensaram as quedas que houve nas exportações e no investimento privado. As exportações caíram porque o epicentro da crise se deu nos países que são os maiores parceiros comerciais do Brasil. Por outro lado, o investimento privado não cresce em uma conjuntura de incerteza.

Estes fatos comprovam que o neoliberalismo é inconsistente com a lógica do capitalismo, que faz com que as economias passem de ciclos ascendentes a descendentes periodicamente. A reversão dos ciclos descendentes precisa da intervenção do Estado, e foi isso que o governo brasileiro fez.

Neste ano, o PIB já cresceu 2,7% no primeiro trimestre em relação aos últimos três meses do ano anterior. Isso faz prever que a economia possa crescer de 5 a 6% este ano. Qual o problema disso? Como o crescimento atual está baseado no consumo das famílias e nos gastos do governo e não no investimento privado, isso poderá abrir caminho para índices mais altos de inflação, o que poderá forçar o governo a elevar as taxas de juros, o que determinará taxas menores de crescimento nos anos seguintes. Outra conseqüência desta lógica é que taxas maiores de juros implicam no crescimento da dívida interna, além de elevar custos das empresas e inibir investimento privado.

Assim, nas atuais condições da economia brasileira, crescer acima de 6%, em 2010, só será possível se os níveis de poupança e investimento crescerem significativamente, caso contrário o fantasma da inflação voltará.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 17.06.2010)

* UFSM



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