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Artigos

Adoecimento das práticas sociais

Por:  Francisco Estigarribia de Freitas*

Os discursos e práticas são extremamente relevantes para podermos nos localizar no interior dos movimentos e suas práticas sociais. Num espaço tão reduzido abordar temática complexa como essa, se utiliza exemplos específicos e gerais.

Então vejamos. Como uma Universidade que através dos dirigentes máximos, há pouco tempo dizia em alto e bom som e publicamente que no interior da universidade autonomia é uma utopia podem repentinamente, aderir propostas do movimento sindical que na sua luta defende a autonomia nas Universidades, principalmente, se alguns dirigentes que negavam a autonomia recentemente, ainda hoje continuam dirigentes da Instituição? Passe de mágica? Oportunismo? Cooptação? Traição das lutas sindicais? Modernização das ferramentas de luta? Expansão ilimitada da dominação?

Será necessário abrirmos mão do longo aprendizado — na Instituição da autonomia como uma utopia — ver nos discursos as relações com as práticas funcionando a partir do próprio discurso. Determos-nos nesse discurso é: ver as relações históricas, as práticas extremamente concretas, vivas nos discursos. Exemplo: analisar discursos oficiais sobre as propostas do movimento sindical significa, antes de qualquer coisa, não perder facilmente a autonomia diante do que está nos discurso; é explorar ao máximo as ferramentas desse discurso, pois são produções históricas, políticas e que as palavras são também construções e a linguagem é constitutiva de práticas.

O discurso se produz em razão das relações de poder. Então se descobre o condicionamento entre as práticas discursivas e as práticas não discursivas, o que evidencia no discurso os fortes laços entre regras, próprias da prática discursiva, ou seja, os discursos emergem das práticas de quem fala.

Logo, parece não ser muito difícil pensarmos: a aproximação de dois discursos opostos em termos da autonomia, ainda que em “ato simbólico”, a anteceder o dia do trabalho projeta a construção de uma relação que ao mesmo tempo, em movimentos sociais diferentes, se funda na obediência e na utilidade, ou seja, na política de coerção para uma dominação expandida. A quem interessa esse ideal de universidade e sindicato contemporâneo?

(Publicado em A Razão de 04.05.2011)

* UFSM



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