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Defender a greve é defender um ensino de qualidade

Por:  Maristela da Silva Souza*

Somos da Linha de Estudos Epistemológicos e Didáticos em Educação Física da UFSM (LEEDEF) e viemos contribuir para o entendimento do processo de greve que ocorre em nível nacional dos docentes do ensino superior federal. Nossa linha compreende que a produção científica não possui neutralidade, sendo direcionada para um posicionamento político. Neste sentido, defendemos a construção do conhecimento, pautada nas reais necessidades da classe trabalhadora.

Temos que entender a greve, para além da sua singularidade. Greves, sempre estão calcadas por um objetivo a ser alcançado. Elas ocorrem após várias tentativas de diálogos e quando os mesmos se esgotam e as negociações não avançam, as greves se concretizam, tomando um caráter mais ofensivo na tentativa de pressionar e alcançar as reivindicações, bem como não perder o que já foi conquistado. No seu processo, portanto, passa a ser uma contraposição à ordem social.

Entendemos que a atual greve está para além das pautas específicas dos docentes, como o salário e o plano de carreira, e sim, encontra-se situada em uma totalidade de ataques feitos à educação pública. Neste caso, a atual Reforma Universitária que sucateia as universidades públicas e fortalece as privatizações no interior das mesmas. A deflagração da greve faz-se necessária nesse momento para que a comunidade, de uma maneira geral, compreenda, por exemplo, que a expansão do ensino, através do REUNI, que duplicou o número de vagas nas universidades federais, desqualificou a produção do conhecimento.

Essa falta de qualidade se dá, entre outros aspectos, na não contratação dos docentes e técnico-administrativos de forma a atender a demanda, bem como, não fornece infraestrutura adequada para os novos e também aos cursos já existentes. Inaugurar um prédio e dizer que isso é uma universidade é infligir o direito que temos de ter educação de qualidade.

Defendemos a greve dos docentes enquanto instrumento legítimo de organização e luta para a defesa da educação pública brasileira. Educação esta que deve ser reivindicada por toda a sociedade.

(Assinam também esse artigo Fabricio Krusche Ramos, Marcius Fuchs, Vicente Calheiros. Colaboraram todos os estudantes que integram o LEEDEF; publicado em A Razão de 13.06.2012)

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