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Nunca mais outra vez

Por:  Daniel Arruda Coronel*

No dia 31 de março completaram-se cinquenta e um anos do Golpe Militar que derrubou o presidente constitucional João Goulart e  legou ao país 21 anos de ditadura e deixou como marcas centenas de pessoas torturadas e mortas e um modelo econômico perverso e não sustentável do ponto de vista econômico e ambiental.

No dia 31 de março de 1964 triunfou o Golpe Militar orquestrado pelos setores mais conservadores e reacionários da política brasileira  que interrompeu, de maneira abrupta, o governo desenvolvimentista de João Goulart, o qual tinha como poucos um projeto de nação para o país, com ênfase na melhor distribuição de renda e nas reformas estruturais (agrária, tributária, educacional e social) para o país alcançar o desenvolvimento.

Os vinte e um anos de ditadura legaram aos país uma chaga horrorosa, que jamais pode ser esquecida, sob pena de, em tempos de descontentamento com corrupção e de política econômica equivocada, a sociedade pedir intervenção militar, visto que, se hoje há casos horrentos de corrupção, eles podem ser denunciados e os culpados condenados dentro dos limites da lei, mas, na didatura, a imprensa divulga e noticia apenas o que o sistema permite. Em relação à política econômica, embora ela apresente uma série de equívocos,  a sociedade tem a oportunidade de, a cada quatros anos, via eleições diretas e democráticas,  demitir os gestores incompetentes e inconsequentes. Já em didatura, o máximo que pode fazer é torcer para que dê certo, ou não ver de maneira parcimoniosa que a politica econômica que os militares implantaram no país está fortemente relacionada com a década perdida, de 1980, quando  o país conviveu com baixo crescimeno econômico e altas taxas de inflação, situação que ficou conhecida como estagflação, sendo que a inflação só foi debelada com a implantação do Plano Real, em 1994.

Enfim, por maior que seja o descontentamento da sociedade com as políticas econômicas e com os governantes, isso é perfeitamente possível de ser resolvido, através de mais democracia, de instituições fortes, sérias e éticas, de um judiciário eficiente, de liberdade econômica  e de governantes comprometidos com a melhor distribuição de renda  e da riqueza, o que não é possível em um regime de exceção política.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 14 de abril de 2015)

* UFSM



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