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Aniversário na luta

Por:  Carlos Alberto da Fonseca Pires*

Nesse momento é importante destacar a grave circunstância política em que se encontra o movimento de luta dos docentes das instituições federais de ensino superior, num momento em que o país atravessa uma crise política, que diversos observadores não vacilam em qualificar como a pior dos anos recentes.

O movimento grevista das universidades federais não tem um caráter só corporativo, muito pelo contrário, é um movimento que tem como objetivo central a defesa da universidade pública, instrumento da construção de uma nação soberana e independente, nos momentos em que sua própria sobrevivência está posta em jogo. A valorização do trabalho docente faz parte dessa defesa na medida em que a categoria enfrenta uma política de arrocho salarial e de não contratação de novos profissionais adotada por governos precedentes. Tal política foi mantida pela atual gestão econômica, preocupada prioritariamente em manter superávits primários que permitam pagar juros externos de caráter extorsivo.

Nesse momento, a categoria apresenta como principais reivindicações a isonomia e a paridade. É inadmissível que um ministro de Estado use de inverdades ao dirigir-se ao povo e aos parlamentares no intuito de obter apoio para combater o movimento legítimo de greve. A rigor, a tentativa de confundir a opinião pública e os docentes é um procedimento recorrente nas atitudes do MEC uma vez que os números da sua proposta variam a cada notícia veiculada.

Nossos instrumentos de pressão não se esgotaram e estamos respondendo às manobras do MEC com mais trabalho. Cabe ao movimento docente, neste momento, manter, consolidar e fortalecer a greve de acordo com as decisões das assembléias de base para que possamos restabelecer um processo de negociação efetivo, capaz de construir um desfecho que atenda às nossas reivindicações. A greve continua porque a intransigência, a intolerância e a imaturidade nunca foram nossas, ao contrário, elaboramos alternativas desconsideradas no processo de negociação. A greve continua porque temos convicção que a isonomia e a paridade são princípios invioláveis de nossa carreira.

A SEDUFSM está completando, neste mês de novembro, 16 anos de boas lutas. Ao cumprimentar nossos colegas conclamamos a todos a continuar na luta, com a unidade da nossa categoria, em defesa de nosso sindicato e em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. Parabéns a todos.

(Publicado na Razão de novembro de 2005)

* SEDUFSM



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