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Artigos

Os mistérios do preço da tarifa de ônibus

Por:  Ricardo Rondinel*

A concepção teórica do modelo de passagem única está na Microeconomia. Uma passagem única não é mais do que um custo médio. Este resulta da divisão do custo total, que inclui o lucro do empresário pelo número de passageiros transportados. Para que a Passagem Única funcione é necessário que exista uma Câmara de Compensação Tarifária. Por quê? Elementar meu caro Watson, diria Sherlock Holmes. A passagem em Santa Maria é de R$1,60 - esse seria o custo médio. Entretanto, enquanto algumas empresas de ônibus teriam custos maiores que esse custo médio, outras poderiam ter custos menores. Com isto, as empresas que têm custos menores, lucrariam mais, e que as têm custos maiores teriam prejuízos. Para evitar isso, a Câmara de Compensação deveria ser criada, o que pressupõe solidariedade e confiança entre os empresários.

Perguntaria a Holmes: por que não teriam quebrado, ainda, as empresas de custos maiores se não há Câmara de Compensação Tarifária na cidade? Ele não soube responder, mas apontou algumas pistas. O leitor pode seguí-las. A novela começou com o pedido das empresas de um reajuste de 25% na passagem, passando a R$ 2,00. Percentual elevado para a inflação de 2% ocorrida, segundo a Fundação Getúlio Vargas, entre dez/04 e mar/06. A Prefeitura encaminhou um estudo com uma passagem de R$1,80. Designado como relator do caso, investiguei e, com ajuda de Mr. Holmes, cheguei à conclusão de que o valor da passagem de R$1,60 poderia ser mantido. Defendi isso no Conselho de Transportes.

A primeira pista, caro leitor, veio com a proposta de novo valor apresentada pelas próprias empresas - R$1,82 - por ocasião do pedido de vistas das empresas concessionárias. Ela se confirmou quando o Senhor Prefeito manteve o valor de R$ 1,60 - mas reafirmou que “rigorosamente custa R$1,80”. Bom, se há “confiança absoluta” que custa R$1,80 - por que então fixar em R$1,60?

Concluindo: entre dezembro/02 e março/06, se aprovada a passagem de R$1,80 a passagem teria subido 60%. Nesse mesmo período os custos operacionais do sistema subiram em 25%. Onde estaria a diferença? Elementar, de novo, diria Mr. Holmes a seu caro Watson. Houve queda da produtividade do sistema em 23%. A responsabilidade não é das empresas e sim do operador do sistema, que é a Prefeitura.

(Publicado no Diário de SM de 08.05.2006)

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