Proifes tenta evitar greve dos docentes
Bases da entidade se mobilizam e a saída foi o plebiscito
Publicada em 08/06/2012 16h54m
Atualizada em 08/06/2012 16h56m

Diretores do Proifes bastante sorridentes em encontro com o ministro Mercadante
O Proifes (Federação de Professores), que luta com força contra a greve nas federais, alegando que os avanços serão obtidos é na esfera “negocial”, está tendo que ceder em função da pressão das bases em universidades em que a entidade comanda as seções sindicais. A partir da força da paralisação que atinge mais de 50 Instituições Federais (Ifes), o conselho do Proifes aprovou indicativo de greve para 15 de junho (decidido final de semana passado) e, agora, realiza plebiscito para definir a deflagração do movimento paredista no dia 12.
Um exemplo disso é a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que é base do Proifes. Lá, na última quarta, 6, a assembleia de professores decidiu pela realização de um plebiscito no próximo dia 12, quando pode ser aprovada a greve que, se for deflagrada, começa no dia 15.
Já na Universidade Federal da Bahia (UFBa), também identificada como base do Proifes, a entidade realizou um plebiscito sobre a greve nos dias 5 e 6 de junho. Conforme nota publicada no site da APUB sindicato, o resultado foi, por uma margem apertada, contra a greve: 415 votos contrários; 394 favoráveis; 4 brancos e 4 nulos.
Já em seu site, o Proifes, que foi fundado em uma assembleia na sede da CUT, em setembro de 2008, em que docentes vinculados ao ANDES-SN foram impedidos de ingressar no recinto, o tema da greve quase não aparece. Apesar de o indicativo ter sido aprovado para o dia 15, as notas em destaque na página falam sobre a possibilidade de retomada das negociações da carreira com o ministro da Educação, Aloisio Mercadante.
Sindicalismo de aparências
Para o presidente da SEDUFSM, professor Rondon de Castro, é nítido o fato de que o Proifes tenta dificultar ao máximo a tentativa de os docentes entrarem em greve nos locais em que a entidade domina as seções sindicais. “A prática plebiscitária para decidir sobre greve é mais democrática apenas na aparência. Quem decide sobre greve votando em urna estará bem informado sobre o motivo de se entrar em greve? A assembleia é o local consagrado para o debate, em que as opiniões têm espaço para ser expostas. É através do debate democrático que as pessoas podem ser esclarecidas para depois então tomar suas decisões”, ressalta Rondon.
Na avaliação do sindicalista, o fato de o MEC ter chamado a direção do Proifes para conversar apenas 24h depois de ter sido anunciado o indicativo de greve por parte da entidade é sintomático. “A direção do Proifes é tão independente do governo que já saiu da reunião anunciando supostas novidades, como a equiparação dos docentes com a área de Ciência e Tecnologia. Tudo indica que a aprovação da greve no conselho da entidade foi apenas um estratagema para fazer o governo chamar a entidade em separado e anunciar factóides”, finaliza Rondon.
Fonte: DN on line; sites da APUB e Proifes
Edição: Fritz R. Nunes (SEDUFSM)
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