Trabalhadores protestam contra intransigência do governo
Marcha em Brasília reuniu servidores, estudantes e metalúrgicos
Publicada em 18/07/2012 16h25m
Atualizada em 18/07/2012 16h28m

Manifestantes ocuparam pistas da Esplanada dos Ministérios
Caravanas vieram de todo o país. De Santa Maria, dois ônibus foram a capital federal com servidores TAEs, docentes e estudantes grevistas. Aos poucos, desde cedo, chegavam manifestantes de diversos estados e se encontravam com os servidores federais que já estavam acampados em Brasília no “Acampamento da Greve”. A manifestação saiu às 9h da Catedral e aumentava a cada ponto que parava para reunir cerca de 10 mil participantes nas ruas da capital federal.
Esta não foi uma manifestação somente dos servidores públicos federais em greve. Metalúrgicos de São José dos Campos, professores de Minas Gerais, estudantes em greve e também representação do Ministério Público do Rio Grande do Sul estavam presentes. Assim como estavam presentes as centrais sindicais CSP-Conlutas, CUT e CTB. Foi um movimento de solidariedade à greve dos servidores. O primeiro grande protesto foi em frente ao Palácio do Planalto.
Depois de bloquear as seis faixas na Esplanada dos Ministérios, no trecho entre a Catedral até o Congresso Nacional, a marcha interditou o outro lado do Eixo Monumental. A manifestação parou frente ao Ministério do Planejamento e bloqueou a entrada e a saída do Ministério, exigindo uma resposta da ministra do Planejamento, Miriam Belchior.
De acordo com o membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Zé Maria de Almeida, o governo demonstrou mais uma vez sua intransigência e falta de compromisso com os serviços públicos e com os servidores públicos. “O governo não negocia e alega que não há recursos para o setor público, mas direciona a maior parte da verba do PIB (Produto Interno Bruto) para os banqueiros, com o pagamento dos juros das dívidas, e para as indústrias, por meio da isenção de impostos, entre outros benefícios”, salienta Zé Maria.
2 de agosto: Dia Nacional de Luta
As três centrais sindicais presentes na manifestação convocaram um Dia Nacional de Lutas para 2 de agosto em apoio à greve dos servidores públicos federais. “Essa manifestação de hoje, além de mostrar que os servidores públicos federais estão dispostos a levar essa luta em frente para quebrar a intransigência do governo, também nos permitiu dar um passo a frente com a convocação do Dia nacional de Lutas em 2 de agosto”, destacou Zé Maria.
O Dia Nacional de Luta, convocado pela CSP-Conlutas, CUT e CTB, pretende ser uma grande manifestação de solidariedade à greve dos servidores e exigir que o governo Dilma negocie em direção ao atendimento das reivindicações da categoria, que vem sofrendo há mais dez anos com os ataques recorrentes dos governos Lula e FHC numa demonstração de descaso com os serviços públicos no país.
CUT se reúne com ministra
Na semana em que os servidos públicos federais intensificaram as mobilizações para pressionar o governo pela apresentação de propostas concretas às demandas do setor, o presidente da CUT, Vagner Freitas, se reuniu com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para relatar a situação do setor e pedir que o governo destrave a negociação.
“A negociação está travada e o governo precisa fazer propostas. Se os trabalhadores vão aceitar ou não, a categoria resolverá em assembleias, como é o caso dos professores que vão decidir se aceitam ou não o índice de reajuste proposto pelo governo”. Segundo Vagner, o que a CUT quer é ajudar na negociação, destravar o processo que não está caminhando.
CTB critica postura do governo
Na opinião de João Paulo Ribeiro (JP), secretário de Serviços Públicos e do Trabalhador Público da Confederação de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o que justifica o movimento grevista do funcionalismo público em todo o país é a ausência de um marco regulatório do direito a negociação coletiva e do direito de greve.
De acordo com o sindicalista, o setor federal ainda não obteve êxito nas negociações devido à falta de sensibilidade do Ministério do Planejamento em apresentar propostas concretas às demandas dos servidores, não propondo nenhum tipo de política salarial que trate efetivamente de correção das distorções ou perdas salariais das categorias, no último período.
"A lentidão, ou falta de interesse, em negociar com os trabalhadores públicos federais fica evidente, pois o governo realiza inúmeras reuniões, mas sem qualquer efetividade em relação às pautas de reivindicações. Estes trabalhadores, mais de 1 milhão de trabalhadores entre ativos, aposentados e pensionistas, lutam para que sejam incluídos no orçamento de 2013, pois, o prazo legal para que o governo envie ao Congresso Nacional o produto final das negociações é até o 31 de agosto. Caso o governo não envie o orçamento, os trabalhadores ficaram 2013 sem aumento, principalmente os servidores da saúde, educação, saneamento, meio ambiente, entre outros. O que é inadmissível”, afirma João Paulo.
Na opinião de JP, essa demora do governo em apresentar uma saída para o impasse só agrava a situação. "Já que o governo se comporta de forma indiferente em relação à pauta de reivindicações as greves se tornam prolongadas, muitas vezes, com poucas conquistas, com desgastes políticos e até mesmo com a judicialização do movimento”, declara o dirigente da CTB.
Fonte: CSP Conlutas; CUT e CTB
Fotos: Folhapress; Agência Estado e Ag. Brasil
Edição: Fritz R. Nunes (SEDUFSM)
Notícias Relacionadas
18/06 - Entidades manifestam apoio aos protestos nacionais
14/06 - Marcha das Vadias debate Estatuto do Nascituro no sábado
22/05 - CSP-Conlutas e entidades definem mais ações de mobilização
13/05 - Entidades cobram atenção à pauta reivindicatória
26/04 - Entidades avaliam que Marcha em Brasília foi vitoriosa
Fotos
Compartilhe com sua rede social!
Deixe seu comentário
Atenção
Os comentários anônimos não serão publicados, assim como não serão publicados aqueles que contiverem ofensas.