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07/12/2012   07/12/2012 18h51 | A+ A- | 779 visualizações

Núcleo de Estudos Afro em debate

Sedufsm, com outras entidades, participa da atividade


Professor Enio Grigio trouxe experiência do NEAB no IFF-Júlio de Castilhos

Iniciou na tarde desta sexta, 7, o I Encontro de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (NEABs), em Santa Maria. O evento, que irá se prolongar durante o sábado, no antigo auditório da SUCV, trouxe o professor do Instituto Federal Farroupilha (IFF) – campus de Júlio de Castilhos -, Enio Grigio, para realizar a fala do primeiro debate, abordando a questão dos NEABs e o trabalho por esses promovidos a fim de garantir a diversidade. Enio explicou, inicialmente, como se estrutura o IFF, ressalvando que a instituição abarca todos os níveis de ensino, do fundamental à pós-graduação, porém a prioridade é reservada para os cursos técnicos.

A criação do NEABI (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas) no IFF de Júlio de Castilhos data de 2010, a partir da resolução número 023/2010, aprovada pelo Conselho Superior no dia 2 de julho daquele ano. A partir de então, são feitas eleições em todos os campi do IFF, a fim de escolher, democraticamente, quem serão os coordenadores dos NEABIs ao longo de dois anos. O trabalho do Núcleo teve prosseguimento em 2011 e 2012, sendo que, ao longo desses três anos, diversas ações foram empreendidas no sentido de promover a diversidade.

O coordenador exemplificou algumas, tais como o curso de Educação, Cultura Africana e Afro-Brasileira numa Perspectiva Curricular, que ocorreu entre 13 de outubro de 2010 e 13 de maio de 2011 e aglutinou cerca de 130 pessoas, especialmente estudantes do curso de licenciatura em matemática. O curso, que também abordou aspectos da questão indígena, foi composto por palestras, oficinas e viagens de estudo, tendo uma delas sido feita no Museu Treze de Maio, em Santa Maria.

Já no decorrer desse último ano, os membros do NEABI perceberam que seu trabalho estava bastante voltado para a formação dos professores, deixando um pouco insuficientes as ações realizadas com estudantes. Nesse sentido, foi planejada uma logomarca para o Núcleo e criado um perfil no Facebook. Enio frisa que o trabalho é inicial, o que gera bastantes dúvidas sobre ações empreendidas. “É bom estar aqui, com pessoas que já têm uma longa experiência e podem nos orientar”, disse o coordenador, explicando que há um grupo entre 20 e 25 professores que auxiliam e atuam no NEABI.

Dificuldades e ações do NEAB em Santa Maria

Para contar um pouco sobre a criação do NEAB na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi convidada a coordenadora do curso de Letras e membro do Núcleo, Carmem Deleacil Gavioli. Há 12 anos, a professora começou a se envolver com a temática afro-brasileira na universidade, porém, conta ela, tinha boas ideias, mas não desempenhava algum trabalho concreto nessa área. No ano de 2000, então, Carmem, em conjunto com alguns outros docentes do curso de Letras, promoveu o evento que foi o gérmen da criação, alguns anos mais tarde, do NEAB.

O evento em questão foi a 1ª Semana da Consciência Negra das Letras. Dois anos mais tarde, em 2002, ocorreu a segunda edição da Semana, desta vez com representantes do movimento negro da cidade, porém tendo um número reduzido de participantes. Conforme conta Carmen, ainda havia certa resistência em debater a temática dentro dos muros da universidade, de modo que o assunto era tratado como pertencente a apenas alguns grupos de pessoas.

Dialogando com o movimento negro de Santa Maria, então, a professora realizou contato com diversas outras universidades do país, a fim de se informar sobre que tipo de trabalhos realizavam para tornar o debate étnico racial vigente na comunidade acadêmica. Então, ao conversar com um representante da Universidade Estadual de Santa Catarina (UESC), a professora foi orientada a criar um NEAB na UFSM, pois estava se iniciando um movimento de articulação nacional entre os Núcleos, para, até mesmo, aglutinar mais forças para reivindicar as demandas dos negros na educação superior. Em 2003, o departamento de Letras Estrangeiras Modernas, do qual Carmem participava na época, fundou o NEAB.

A professora cita alguns eventos que marcaram o início da movimentação do Núcleo na UFSM, como o 1º Seminário Internacional de Negritude na Escola, e, ainda, a criação da Comissão de Implementação e Acompanhamento das Ações Afirmativas. Sobre o trabalho específico do NEAB, Carmem explica que os docentes têm feito atividades em seus locais de trabalho, no sentido de promover a diversidade. Um exemplo foi a Disciplina Complementar de Graduação (DCG), criada por ela no curso de Letras. Entretanto, a professora ainda vê debilidades curriculares. “Que não tenhamos disciplinas sobre, mas tenhamos conteúdos dentro de todas as disciplinas. Explico para os professores que minha vontade é de que, um dia, eles cheguem e me digam ‘Pode acabar com essa cadeira, pois não a necessitamos mais’”, diz, salientando que a ideia é fazer com que os conteúdos preconizados na Lei 10.639/03, que prevê o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, sejam respeitados.

Atrelamento do NEAB à Reitoria

A professora contou que já houve uma discussão sobre vincular o Núcleo à Reitoria da instituição, mas a proposta gerou certa preocupação, principalmente em relação à possível perda de autonomia do movimento. “Ainda tenho receio de vincular o NEAB a certas instâncias, colocando alguém que não é envolvido com o movimento negro, mas possui influência política, como um representante da Reitoria, por exemplo”, problematiza Carmem, lembrando que a fundação do núcleo na UFSM enfrentou a resistência e oposição de alguns dirigentes.

Perspectivas para 2013

No dia 3 de janeiro, completam-se 10 anos da aprovação da lei 10.639, bastante comemorada pelos militantes do movimento negro. Carmem diz que, mais para o final de janeiro, deve ocorrer na cidade um evento que vislumbrará a apresentação de trabalho que estão sendo desenvolvidos dentro da universidade sobre essa questão. Para a professora, a pluralidade de grupos não é um problema, mas, desde que esses dialoguem e acumulem em conjunto, torna-se enriquecedora. “A ligação entre os mais diversos grupos é salutar. Eu gostaria de ver muitas pessoas criando grupos e se propondo a estudar a temática”, conclui a professora.

Programação de sábado

A programação prossegue neste sábado, 8, às 8h30min, no auditório da antiga SUCV, com o tema “o papel do NEAB na promoção da diversidade”, que terá como expositor Arilson Gomes dos Santos, professor em Alvorada e doutorando em História. Os debatedores serão Giane Escobar, doutoranda em Comunicação pela UFSM e diretora técnica do Museu 13 de Maio e Ana Lúcia Aguiar Melo, do Afirme (UFSM). A coordenação do painel será de Getulio Lemos (Sedufsm).

A sequência será às 10h15min com “o desafio da Educação para as relações étnico-raciais, que terá a mediação da professora Carmem Deleacil Gavioli e como expositores os professores Julio Quevedo (Sedufsm e coordenador do curso de História da UFSM) e Paulo Silveira (presidente da comissão de ações afirmativas na UFSM).

O encontro prossegue às 13h30min, com a abordagem sobre a Lei 10.639/03 nos diferentes níveis de ensino. A mediação será do professor Paulo Silveira, tendo como palestrante a professora Georgina Helena de Lima Nunes (Ufpel) e como debatedores a professora Carmem Gavioli (NEAB/UFSM) e a professora Ceres Teixeira de Paula (GT Diversidade da 8ª Coordenadoria Regional de Educação). Deverá participar ainda um representante da rede municipal de ensino. O encerramento está previsto para as 17h.

Texto e fotos: Bruna Homrich (estagiária)
Edição: Fritz R. Nunes (jornalista)
Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 



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