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29/12/2015   29/12/2015 21h30 | A+ A- | 1808 visualizações

Docente da UFSM analisa crescimento de greves no país

Sérgio Prieb comenta dados do Dieese que apontam para aumento histórico de movimentos paredistas


Mobilizações paredistas no setor público aumentaram 372% de 2012 para 2013

A queda acentuada nas taxas de desemprego seria um dos motivos centrais que levaram os trabalhadores brasileiros a atingir crescimento histórico de greves no país. Isso porque, num período de relativa estabilidade no emprego, os sindicatos tendem a ampliar seu poder e trazer para a mesa, novamente, demandas salariais reprimidas e reposição de perdas históricas ocorridas na década de 1990. “É preciso dizer que o Brasil conheceu uma queda acentuada do desemprego desde 2003. Segundo o IBGE, em 2003 a taxa de desemprego estava em 12,3%, a partir daí foi diminuindo ano a ano (excetuando 2006 e 2009, anos em que as taxas apresentaram uma pequena elevação), chegando em 2013 a 5,4%”, diz Sérgio Prieb, docente de Ciências Econômicas da UFSM, que comentou alguns dados provenientes do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O órgão realizou um balanço das greves de 2013 e constatou que, no ano de 2013, o Brasil registrou 2050 paralisações que se situaram tanto na esfera pública, quanto na privada. O número representa um aumento de 134% com relação ao ano anterior, 2012, quando se registraram 877 greves. Esses números tornam-se ainda mais expressivos se focarmos no setor público, onde as mobilizações aumentaram em 372%: em 2012, foram 29 greves, ao passo que em 2013 foram contabilizadas 137.

Contudo, embora Prieb credite o aumento das greves à estabilidade no emprego, ele avalia que o estudo apresentado pelo Dieese não contempla as oscilações mais recentes da economia, já que encerra em 2013. A partir daí, o cenário tende a mudar. “O PIB em 2013 ainda atingiu um crescimento de 2,7%, em 2014 baixou para 0,1% e as previsões para o PIB de 2015 é de que seja negativo. É provável que em função do aumento do desemprego (a previsão é que ultrapasse os 10% em 2016), os trabalhadores do setor privado, mesmo tendo inúmeras razões para a deflagração de movimentos grevistas, contenham-se um pouco mais do que nos anos anteriores. É importante lembrar que na época do governo FHC, a taxa de desemprego ultrapassou 12% e, como resultado, houve uma diminuição inclusive no número de trabalhadores sindicalizados. Assim, é natural que o receio do desemprego puxe para baixo o número de greves no setor privado”, opina o docente.

Já no setor público, o quadro tende a ser diferente, na análise de Prieb. As sucessivas medidas de austeridade efetuadas pelos governos federal, estaduais e municipais repercutiriam num descontentamento geral, motivado pela defasagem salarial e por pautas como preenchimento de vagas por concursos e melhores condições de trabalho. “Somado à situação de atraso nos salários em estados e municípios, tudo indica que ao menos no setor público, esta tendência de aumento das greves seja certa, compensando a diminuição nas greves no setor privado”, opina o professor de Ciências Econômicas.

Número de horas paradas é o maior desde 1990

O estudo do Dieese também aponta que, no ano de 2013, as greves contabilizaram 111.342 horas paradas, sendo que, nas empresas estatais, o aumento dessas horas foi de 184% em relação a 2012. “Em 2012 já tinham começado a aumentar o número das greves. Foi o ano em que os servidores federais, por exemplo, tiveram uma greve muito forte, inclusive com a participação os docentes das Instituições Federais de Ensino. Mas em 2013 já começamos a sentir os efeitos da crise. Esse foi o ano em ocorreu as manifestações espontâneas da Jornada de Junho, que são expressão do início do esgotamento do modelo econômico, que só aumentou com a crise”, avaliou Paulo Rizzo, presidente do ANDES-SN.

Duração

De acordo com o estudo, em 2012, ocorreram 646 greves deflagradas por tempo indeterminado, enquanto em 2013 os trabalhadores se colocaram mais combativos e fizeram o número subir para 1322. As greves de advertência aumentaram de 24% para 35% nestes dois anos e as de um dia foram mais frequentes no setor de serviços.Além do aumento das greves por categoria, paralisações no âmbito empresa/unidade cresceram de 503, em 2012, para 1289 em 2013.

Motivações das greves e resultados

A pesquisa avaliou as reivindicações dos movimentos, categorizando como greves propositivas – por novas conquistas ou ampliação das conquistas – e defensivas – em defesa de condições mínimas de trabalho, saúde, segurança ou como denúncia de descumprimento de acordos. Uma característica importante na avaliação deste período é que as mobilizações de caráter propositivo teve queda de 64% para 57%, enquanto as defensivas tiveram um aumento de 67% para 75%. No setor de serviços privados, em 2013, o pagamento de salário atrasados abrangeu 37% das reivindicações dos trabalhadores.

Em 2013, 80% das paralisações avaliadas (47% do total delas) tiveram algum êxito no atendimento de suas reivindicações. Na indústria privada, a maioria dos movimentos (56%) foi deflagrada por metalúrgicos, seguido por trabalhadores da construção (23%), químicos (7%) e do setor de alimentação (6%).

Esse resultado revela a grave e crescente precarização nas condições de trabalho e nos direitos mais básicos durante o período analisado. O Dieese descreve a avaliação como um “desbordamento” com a ação mais comum de categorias que habitualmente se mobilizam influenciando também segmentos menos organizados. Confira aqui o levantamento.

Para o presidente do ANDES-SN, o aumento de greves defensivas reflete a ampliação dos ataques dos governos e patrões. “Já estavam evidentes e começavam a serem sentidos os efeitos da crise financeira e da política de retirada de direitos dos trabalhadores”, comentou.

Paulo Rizzo ressaltou ainda a necessidade de intensificar a mobilização e resistência para 2016. “Ao que tudo indica, o próximo ano será um período de muitas ameaças aos direitos dos trabalhadores, em função da agenda política e econômica do país, que, mesmo numa situação de crise política, aponta para um período de lutas e resistências”, completou.

 

Fonte: ANDES-SN/CSP-Conlutas, com edição de Bruna Homrich

Foto: ANDES-SN

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 



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