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09/01/2018   09/01/2018 16h54 | A+ A- | 396 visualizações

Ciência e tecnologia: governo cortou 44% do orçamento em 2017

Previsão é de que no ano corrente a tesoura corte 25% do bolo orçamentário


Bolsas cedidas pelo CNPq foram prejudicadas pelos cortes governamentais

Somente em 2017, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), responsável por dezenas de unidades de pesquisa, laboratórios em universidades e bolsas de estudos cedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sofreu um corte de 44% do orçamento que estava previsto para o ano. A previsão era de 5,8 bilhões de reais, mas apenas 3,3 bilhões foram liberados pelo Governo de Michel Temer (PMDB). A perspectiva é de que em 2018 haja um corte de mais 25%, conforme reportagem publicada no dia 3 de janeiro no jornal El País, versão em português.

Ainda conforme a publicação, no ano de 2010, quando a pasta de Comunicações ainda não estava incorporada ao ministério, o orçamento teve um pico de aproximadamente 8,6 bilhões de reais — corrigido pela inflação, o equivalente a 10 bilhões de reais hoje. Diz o jornal espanhol que “a fuga de cérebros é um dos impactos mais imediatos e visíveis dos cortes no orçamento em ciência e tecnologia promovido pelo Governo Federal nos últimos anos, algo que vem congelando pesquisas e bolsas e ameaçando laboratórios de fechar.”

"Estão entrando em contato com nossos cientistas e oferecendo oportunidades lá fora. Eu mesmo recebo uma oferta a cada dois meses. Aumentou muito a frequência. Sempre perdemos pesquisadores para o exterior, mas agora, com a falta de perspectiva, estamos perdendo muito mais", explica João Fernandes Gomes de Oliveira, vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Para o pesquisador, o impacto maior é "parar de fazer atividades e colocar uma massa de pessoas em posição de stand by". Isso ocorre porque os pesquisadores fixos dos centros de pesquisa federais são concursados e, portanto, não podem ser demitidos. "Você cria uma cultura em que você paga salário, mas não dá recursos para desenvolver uma pesquisa. É uma coisa horrorosa. É como abrir um restaurante, contratar o melhor cozinheiro, e não dar os ingredientes para ele fazer a comida", acrescenta Oliveira.

Ronald Cintra Shellard, diretor Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), acredita que os cortes em ciência são "estúpidos" por um motivo muito simples: "Se paramos de produzir, como muitos de nós somos servidores, continuamos recebendo salários. O custo disso é muito alto. Então, eu continuo a receber, mas sem pesquisar. Mais adiante os impactos econômicos do que a gente faz não aparece. O investimento não é só em dinheiro, mas em inteligência", diz.

Fuga de cérebro e as cicatrizes

Mas o corpo científico não está formado apenas por servidores, mas também pelos pesquisadores terceirizados e os que apenas possuem uma bolsa de mestrado, doutorado ou pós-doutorado. Sem a estabilidade e o salário do funcionalismo e sem a perspectiva de melhora, muitos acabam atraídos de forma mais imediata pelas ofertas de emprego no exterior e pelas facilidades de países como Estados Unidos e Alemanha, menos burocráticos e com um farto financiamento público para a pesquisa básica.

Conforme o vice-presidente da ABC, "a fuga de cérebros é algo secundário diante da cicatriz que vai ficar no sistema de ciência brasileiro com este gap de financiamento. E agora ainda temos um teto de gastos", lamenta Oliveira. "Os resultados de pesquisas duram cinco ou dez anos. Em um ano não percebemos, mas em 10 anos vamos perder muita coisa", completa Oliveira.

Confira aqui a reportagem completa do El País.

Fonte: El País

Foto: Divulgação

Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

 



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