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11/07/2019   12/07/2019 00h03 | A+ A- | 465 visualizações

64º Conad abre com defesas da unidade em torno da Educação

Debate da conjuntura aponta para muitos embates no próximo período


Antonio Gonçalves, presidente do ANDES-SN: ainda é possível barrar a reforma da previdência

Construir a unidade entre pensamentos diversos continua sendo um grande desafio, destacou o presidente do ANDES-SN, professor Antonio Gonçalves, na manhã desta quinta, 11, durante abertura do 64º Conselho Nacional (Conad). Para ele, a educação pode ser uma pauta que “nos unifique”. O 64º Conad está ocorrendo em Brasília, na Casa do Professor, localizada junto à sede do sindicato docente da Universidade de Brasília (ADUnB). Gonçalves comentou que além dos cortes de recursos para o ensino e a pesquisa, há ainda outras projetos nefastos, como o Escola Sem Partido e a BNCC.

O evento, que se estende até domingo, tem um número total de 238 participantes. A abertura do encontro teve a presença de lideranças de diversas entidades, como do Sinasefe, Fasubra, CNTE, Conselho Federal do Serviço Social, CSP-Conlutas, reitoria da UnB, entre outras. Antes das falas, houve um momento artístico com a apresentação do grupo ‘Brilho do luar”, que fez um resgate da cultura nordestina por moradores da região do Paranoá.

De forma similar, o representantes da CSP-Conlutas, Paulo Barela, também fez a defesa da unidade na ação. Segundo ele, se dependesse apenas da central sindical da qual participa, já estariam ocorrendo novas greves gerais. Contudo, Barela ressaltou que houve uma decisao equivocada de algumas centrais, em tentar fazer um lobby junto aos parlamentares em relação ao projeto de reforma da previdência, o que não funcionou, conforme ficou demonstrado pela votação nesta quarta (10), em primeiro turno, quando o projeto de desmonte das aposentadorias foi aprovado por ampla margem. Necessitava 308 e alcançou 379 votos favoráveis.

Na visão de Fernando Maranhão, da direção nacional da Federação dos Servidores das Universidades  (Fasubra), é preciso continuar resistindo, pois a aprovação da reforma previdenciária seria apenas a derrota em uma batalha, mas não toda a guerra. “É preciso unidade na luta na defesa intransigente da democracia. No que se refer à educação, Maranhão frisou que a universidade pública, gratuita e de qualidade, está seriamente ameaçada e que é preciso cerrar fileiras na defesa dessas instituições. “Autonomia universitária é fundamental e precisa ser defendida, bem como a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”, defendeu.

Autonomia e liberdade de cátedra

Paulo César Marques, representando a reitoria da UnB, falou sobre a “singularidade do evento” em uma conjunta de ataques às universidades públicas. Para ele, a questão dos cortes orçamentários é apenas a “ponta do iceberg”. No entendimento de Marques, há muito mais coisas em jogo, como a defesa da autonomia e a liberdade de cátedra. O representente da gestão universitária argumentou que, mais do que nunca, é fundamental a união de todos os segmentos. Comentou que o atual governo (Bolsonaro) já anuncia para as próximas semanas, um novo modelo de universidade. Para Marques, o que se vislumbra a partir disso é o “fim da universidade pública”.

Movimento docente e conjuntura

Após a abertura do 64º Conad e a plenária de instalação, o turni da tarde desta quinta teve como pauta os debates sobre o tema I, que se refere ao “Movimento docente e conjuntura”. Na discussão desse tema, não há votações de Textos de Resolução (TRs), mas um debate anplo, com a participação de muitos delegados (as) e observadoras (a).

Mais uma vez, até mesmo pela contribuição dos TRs, tanto do caderno de Textos, como do Anexo ao caderno, a pauta da unidade foi destacada. O ANDES-SN, bem como a CSP-Conlutas, defendem a continuidade da mobilização, com a organização de nova greve geral. Conforme o presidente do sindicato, Antonio Gonçalves, apesar de o movimento sindical ainda não ter conseguido dar uma resposta adequada, o projeto de reforma da previdência ainda precisa cumprir mais etapas antes de sua aprovação final. Nesse sentido, frisou o dirigente do sindicato, é possível, nas ruas, com unidade de ação, barrar o avanço dos projetos que retiram direitos.

Osvaldo Coggiola, professor de História da USP, ex-diretor da Adusp e do ANDES-SN, fez sua intervenção alertando que, no próximo período, haverá um embate de classes muito violentos, tendo em vista que as medidas de ajuste fiscal, no Brasil, em diversos outros países, não solucionam a crise econômica e, ao mesmo tempo, sacrificam cada vez mais os direitos de trabalhadoras e trabalhadores.

José Eudes Baima, docente da Universidade Estadual do Ceará (Uece), que também é identificado com o coletivo ‘Renova Andes”, defendeu que a unidade precisa ser buscada, respeitando a divergência de ideias, e se organizando contra o inimigo comum. Ele argumentou que a centralidade da luta que o ANDES-SN precisa buscar se refere ao que foi aprovado no 38º Congresso de Belém. Destacou a necessidade de um calendário de lutas, em que ocorra o diálogo com diversas entidades e movimentos, para construir mobilizações como as que estão previstas para o dia 12 de agosto, chamada pela CNTE em defesa de educação, bem como a Marcha das Margaridas, prevista para 13 de agosto. Baima defendeu a construção de uma nova greve geral.

Números do 64º Conad

O número de participantes do 64º Conad:

62 delegados

134 observadores

4 convidados

38 diretores do ANDES-SN

Total: 238 participantes.

Lançamento de revista

Ainda durante a plenária de abertura do 64º Conad, ocorreu o já tradicional lançamento da revista 'Universidade & Sociedade' do ANDES-SN. A edição nº 64 (julho de 2019) tem como título "Transformações no mundo do trabalho e opressões de gênero".

Ato público e trabalhos em grupo

A sexta, 12 de julho, inicia com ato público em Braspilia, e que terá a participação de professores que estão presentes ao 64º Conad. A concentração para o ato está previsto para as 9h30, em frente ao Museu Nacional. A manifestaçao, em defesa da educação e contra a reforma da previdência, inicialmente foi chamada por entidades estudantis. Depois, ganhou a adesão de diversas entidades como o ANDES-SN e centrais sindicais. A programação do 64º Conad segue nos turnos da tarde e noite com os grupos mistos de discussão. As plenárias deliberativas serão retomadas no sábado, 13, pela tarde.


Texto e foto: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm



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