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17/07/2019   17/07/2019 20h10 | A+ A- | 109 visualizações

Reitores defendem o papel econômico e transformador das Universidades da região

Em evento ocorrido durante a FEICOOP, reitores de instituições de ensino superior gaúchas pediram o fim dos cortes orçamentários


No final de abril, o governo federal anunciou o contingenciamento de 30% das verbas discricionárias das universidades públicas e institutos federais brasileiros. As verbas discricionárias são aquelas que permitem o funcionamento operacional das instituições, destinadas ao pagamento de contas de luz, água, internet, contrato de empresas terceirizadas que realizam a limpeza, vigilância, gastos com combustível e transporte, por exemplo. Os cortes fomentaram também um debate em torno das Universidades Federais e seu papel na economia local das cidades e regiões em que estão instaladas.

Com o intuito de combater a desinformação em torno das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), foi realizada na última sexta-feira (12), durante a abertura da 26ª Feira Internacional do Cooperativismo e da Economia-Solidária (FEICOOP) uma audiência pública denominada “Os impactos dos cortes orçamentários nas Universidades e Institutos Federais para os Municípios Gaúchos”. A audiência foi organizada pela Assembleia Legislativa Estadual e contou com a presença de representantes da UFSM, do Instituto Federal Farroupilha (IFFar), do Instituto Federal da Fronteira Sul (IFFS) e do Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul).

Os reitores revezaram-se apresentando as medidas que estão tomando para enfrentarem em suas instituições os efeitos dos cortes:

A professora Carla Comerlato Jardim, reitora do Instituto Farroupilha, lembra que o IFFar tem cerca de 1300 servidores, entre docentes e TAEs, além de 15 mil alunos, em 11 campi na região central do estado. “80% dos nossos alunos são oriundos de famílias cujas rendas são de até um salário mínimo e meio” explica a reitora, que lembra ainda os quase mil estudantes que vivem no conjunto de moradias estudantis da instituição. “Muito desta estrutura é mantida com as verbas discricionárias” afirma Carla, que diz que do total de 52 milhões em recursos previstos pela Lei de Diretrizes Orçamentárias deste anos, até o começo deste mês apenas 23 milhões haviam sidos repassados para o IFFar.

Para manter o funcionamento da instituição, a direção do IF não realiza mais reuniões presenciais e diárias estão suspensas até para atividades finalísticas, como a participação de congressos e convenções. As medidas de contenção passam até pela suspensão do uso de ar-condicionado. Ainda assim, não é o suficiente. A reitora alerta para o risco de que os 130 cursos de graduação e pós-graduação, assim como os 500 projetos de extensão que o Instituto Federal Farroupilha administra sejam suspensos a partir de setembro. “Não é de se estranhar que a educação pública federal esteja sendo desconsiderada quando quase todos os ocupantes de cargos de primeiro e segundo escalão no Ministério da Educação (MEC) são economistas” ressalta a professora reitora Carla Jardim, que termina sua fala afirmando que “a missão da educação pública e gratuita é dar de comer aos sonhos e mudar a vida de quem não pode pagar para estudar”.

“Não conheço um só país em que a ideia de cortar investimentos em ciência e tecnologia em meio a uma crise tenha trazido bons resultados”. Assim iniciou a sua fala o professor reitor do Instituto Federal da Froteira Sul (IFFS), Antônio Inácio Andrioli. Para o reitor, há uma ignorância generalizada sobre a importância financeira da universidade pública, principalmente nas menores cidades. O reitor Andrioli afirma que a instituição já fez cortes onde poderia ter feito e que agora cortar bolsas e material de pesquisa, subsídios para o Restaurante Universitário, e outros serviços de assistência estudantil e fomento serviços prestados pela Instituição. Estes são investimentos que a permanência de alunos e professores, e impedem muitos de evadir de cidades do interior para as capitais ou para fora do país. “O IFFS tem campi nos três estados da região sul do país e, só em Chapecó, onde fica a reitoria, faz girar cerca de 180 milhões de reais na economia local”, lembra o professor Andrioli.

Flávio Luís Barbosa Nunes é o reitor do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSUL) e conta que também em sua instituição os cortes afetaram recursos elementares como  água, energia elétrica, telefone e internet, verbas de pesquisa, extensão e o pagamento de contratos terceirizados de vigilância, limpeza, serviços gerais e diversos outros aspectos que já estão comprometendo o funcionamento de vários campi. “O governo, através destes cortes e decretos, tenta tirar a autonomia das universidades” afirma o reitor Flávio, que lamenta o fato de a educação ser tratada como moeda de troca. “O governo diz que  uma vez aprovada a reforma da previdência, os bloqueios orçamentários serão revistos”. O reitor ainda lamenta o discurso incoerente do governo, que diz não haver verba para a educação mas que libera emendas extra-orçamentárias para passar a reforma da previdência no congresso: “Somos usados”.

Flávio ressalta a qualidade do ensino dos IFs. “Quase metade dos formados em cursos técnicos que promovemos já saem empregados e o índice de aprovação dos nossos alunos de ensino médio é muito maior que o de outras instituições públicas” afirma o reitor. Atualmente, o Brasil ocupa a 60ª posição no ranking mundial de educação pública da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo o reitor, caso os alunos dos IFs fossem uma nação independente, ocuparíam a 15ª posição neste mesmo ranking. Flávio encerrou sua participação dizendo que “a educação deveria ser o caminho para buscarmos as soluções dos problemas que o país enfrenta, não ser tratada pelos nossos próprios governantes como um problema”.

A UFSM foi representada pelo seu vice-reitor, o professor Luciano Schuch, que defendeu a universidade como um dos principais fomentadores da economia local. “Só este ano, em decorrência dos cortes orçamentários do governo federal, foram 46 milhões de reais que deixaram de circular na cidade e, se levarmos em consideração os últimos três anos, já são 150 milhões em prejuízos para a economia local” explica o vice-reitor. E no caso de uma universidade do tamanho da UFSM, cortes que atacam contratos terceirizados causam repercussões na vida de muitas pessoas. “No mês de junho, por falta de recursos, os nossos servidores terceirizados ficaram duas semanas sem vale-refeição. Sabem o que representa na vida de uma família carente ficar sem vale-refeição? ”, questiona Luciano. Para o professor Scuch, o governo deveria considerar o impacto na qualidade de vida das pessoas que vivem próximas às universidades quando propões estes cortes. “A qualidade da educação é importante, mas devemos pensar também nas famílias dos nossos servidores que podem ficar sem emprego num futuro próximo, aumentando o nosso já alarmante número de desempregados” conclui.

 

Texto e fotos: Ivan Lautert

Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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