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02/10/2019   02/10/2019 21h05 | A+ A- | 1089 visualizações

Conselho da UFSM aprova nota com posição contrária ao Future-se

Deliberação do Consu ocorreu na manhã desta quarta, dia 2, em reunião aberta à comunidade


Conselheiros votam, quase ao final da reunião do Consu ,na manhã desta quarta

O Conselho Universitário (Consu) da UFSM aprovou na manhã desta quarta, 2 de outubro, uma nota em que se posiciona de forma contrária à minuta encaminhada pelo Ministério da Educação, ainda em julho, propondo a implantação do programa Future-se. A decisão foi tomada após inúmeras intervenções de representantes de sindicatos, entidades estudantis, e integrantes da comunidade universitária em geral.

Para diversos integrantes do grupo “Comissão de Mobilização da UFSM” a decisão foi uma vitória de todos que fizeram pressão para que a instância máxima decisória da universidade se posicionasse.  Na reunião do dia 30 de agosto, o presidente do Consu, reitor Paulo Burmann sugeriu que fosse referendada uma nota aprovada no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), considerada muito suave por sindicatos e entidades estudantis.

Na reunião mais recente do Consu, na sexta, dia 27 de setembro, o reitor concordou com as várias manifestações que reivindicavam uma sessão extraordinária do Conselho, para que houvesse, então, uma posição oficial da UFSM. Essa reunião foi marcada para esta quarta e aberta à comunidade, que lotou o Centro de Convenções. Para a maioria absoluta dos que fizeram intervenções, a rejeição ao programa era considerada vital. A única voz dissonante em toda a plenária foi a do estudante de Economia, Ian Storni Machado, que falou representando o Clube Farroupilha. Ele defendeu o ‘Future-se’, criticou os estudantes que, segundo ele, não teriam se mobilizado contra cortes de verbas durante o governo petista, e acabou por receber muitas vaias.

Objetivo: abrir a universidade para o capital

Falando pelo Diretório Central de Estudantes (DCE), Rodrigo Poletto rebateu o que considera uma ideia equivocada de que o programa Future-se seria a salvação da universidade diante dos cortes no orçamento “mascarados” de contingenciamento. Para ele, o objetivo da proposta encaminhada pelo MEC é “abrir a universidade para o capital e para as empresas”. Citando o sociólogo já falecido, Darcy Ribeiro, ele enfatizou que a crise da educação brasileira na realidade é um projeto das elites.

O diretor da Sedufsm, professor Gihad Mohamad, além de destacar que o programa deveria ser rejeitado sem qualquer adendo que abrisse portas para a negociação, cobrou do Conselho Universitário um posicionamento frente aos ataques do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que na semana passada, chamou os professores de “a zebra mais gorda” devido aos seus salários.

Graziela Jacoby, da Assufsm, argumentou que os reitores não haviam sido consultados para a elaboração do Future-se e, que, se o governo realmente quer mudar a universidade, ele deveria vir conversar com a comunidade universitária. Segundo ela, os técnico-administrativos já rejeitaram o programa do governo.

Clóvis Senger, do sindicato dos técnicos de nível superior (Atens), ressaltou a importância de desenvolver um diálogo com os políticos, tendo em vista que provavelmente serão eles que se debruçarão sobre o projeto no momento em que o governo fizer o encaminhamento. Para o sindicalista, a posição da comunidade precisa ser levada aos parlamentares e demais representações políticas.

Claudia Amaral, do Sinasefe, manifestou-se contra o Future-se e, ao mesmo tempo, considerou fundamental a defesa da autonomia universitária. Para ela, é estranho que um presidente da República de origem militar não tenha um viés de defesa dos valores nacionais.

Bruno Schreiner, da Associação de Pós-Graduandos (APG), criticou a reitoria da UFSM, que, segundo ele, já tem implantado, aos poucos, aspectos que constam do Future-se, citando como exemplos a Empresa de Serviços Hospitalares (Ebserh), a Agittec, as fundações de apoio. Na avaliação do estudante, é preciso construir um outro projeto para a instituição, em que a mesma seja totalmente pública.

Disputa por uma frase

Apesar de a sessão extraordinária do Consu, aberta à comunidade, ter transcorrido de forma tranquila, com poucas divergências, ficou para a última frase da nota que estava para ser aprovada o momento de maior tensão. Enquanto alguns conselheiros, e boa parte da plateia, defendiam que o texto constasse como “rejeição” ao Future-se, o reitor Paulo Burmann argumentava que deveria ser mantida a expressão “manifesta-se contrário” ao Future-se. Mesmo sob protestos, Burmann argumentou que já havia sido aceita essa redação e que não havia como voltar atrás. E, assim, a redação acabou sendo a que desde o início havia sido trazida pela direção do Consu. Após esse encaminhamento, houve protestos e vaias da plenária.

Nota aprovada

Quase ao final da tarde desta quarta, o portal da UFSM divulgou uma matéria jornalística a respeito da reunião do Consu. O título da reportagem não menciona a rejeição ao programa do governo federal, que é citada apenas na frase de abertura. Acompanhe a matéria e também a nota aprovada pelo Conselho Universitário.

(MAIS FOTOS ABAIXO, EM ANEXO)

Texto e fotos: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm

 



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