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23/04/2020   16/07/20 10h27 | A+ A- | 1283 visualizações

Covid-19 na Casa do Estudante causaria impacto muito sério, diz pró-reitor

Cerca de 400 estudantes seguem residindo nas moradias estudantis da UFSM


Quem permaneceu nas Casas do Estudante vem recebendo auxílio de R$ 250 para alimentação

Desde que a UFSM suspendeu suas atividades acadêmicas e administrativas presenciais, em 16 de março, milhares de estudantes voltaram para suas cidades de origem. Contudo, cerca de 350 estudantes se mantêm residindo nas Casas do Estudante II e III, aproximadamente 50 seguem morando na Casa do Estudante I, e de 8 a 10 permaneceram na Casa indígena. Os dados são do pró-reitor de Assuntos Estudantis, Clayton Hillig. Os motivos para estes estudantes escolherem ficar em Santa Maria são os mais diversos.

Emanuelle Somavila, por exemplo, é de Curitiba. Sua cidade natal vem registrando índices mais altos de contaminação pelo coronavírus e a estudante do curso de Direito da UFSM tem uma irmã de 8 anos que recentemente passou por crise de pneumonia. Sua mãe, diarista, vem perdendo diversos empregos devido à pandemia e necessita de pagar aluguel e as demais contas do mês. Por tudo isso ela decidiu ficar aqui. A estudante, que reside e integra a coordenação da CEU I, diz que uma das principais preocupações que carrega neste momento é com relação ao seu sustento.

“O pessoal está indo embora conforme pode, mas várias pessoas decidiram ficar por conta de terem parentes que são grupo de risco e aí não querem ir para casa e correr o risco de infectá-los. Fizeram distribuição de alimentos quando cortaram o RU e ainda não tinha vindo o auxílio. Só que o auxílio é de 250 reais e é para comprar comida e produtos de higiene o mês todo. E é bem complicado porque hoje vamos no mercado, compramos qualquer coisa e já dá 80 reais. O pessoal não está conseguindo se manter só com essa quantidade de dinheiro, e segundo o que é posto no site do RU – eles calculam o valor de cada refeição quando a gente vai se alimentar, esse não seria nem a metade do valor necessário para que fossem realizadas as refeições que a gente recebia no RU”, diz Emanuelle.

Hillig esclareceu que o auxílio de R$ 250 oferecido pela reitoria aos moradores da Casa do Estudante que permaneceram em Santa Maria vem de recursos do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) e tem como referência o valor da bolsa PRAE, tendo sido regularizado via Instrução Normativa. “Mas a instrução normativa é um instrumento frágil para a criação de um novo auxílio, então, para dar mais garantia legal à instrução, tivemos de usar um valor já previsto em resolução”, explica o pró-reitor. Enquanto uma instrução normativa pode ser editada por pró-reitorias, uma resolução é um ato dos conselhos superiores da universidade. Uma vez que o valor das bolsas PRAE foi estabelecido em resolução – um instrumento com mais força legal -, a instrução normativa que regulamentou o auxílio emergencial aos estudantes neste momento de pandemia levou por base o valor já estipulado previamente. Hillig diz, então, que o valor de R$ 250 foi definido “conforme as necessidades institucionais e burocráticas, porque certamente seremos cobrados pelos órgãos de controle”.

Não dá conta”

Independentemente dos motivos que levaram à conformação de tal valor, ocorre que, conforme relatos dos próprios estudantes, ele não vem sendo suficiente para dar conta da alimentação mensal. Thuane Cambuy, por exemplo, é moradora da CEU II e diz que recebeu o auxílio de R$ 250, porém “ele não dá conta nem de longe”. Ela explica que, aliado ao valor do auxílio, recebe também uma bolsa do Centro de Ciências da Saúde, o que a ajuda bem mais. “Pelo menos não estou dependendo exclusivamente dos 250. Também moro com meus colegas de apê então estamos dividindo bastante o peso das coisas”, relata a estudante de jornalismo da UFSM, que é natural de Francisco Beltrão, no Paraná, e não foi para casa por falta de dinheiro. “Quando o auxílio transporte da UFSM saiu, já não era permitido sair do estado então acabei ficando aqui”.

Situação semelhante é a de Roselaine Piber, mestranda em Extensão Rural e também moradora da CEU II. Ela relata que recebeu ajuda de amigos que foram para suas cidades natais. “Recebi o auxílio, agradeço, é de grande ajuda, mas não vivo só dele não. Teria que ser uns 300 reais pelo menos, contando que desde o dia 24 de março não tivemos mais RU. Eu ia todos os dias no RU. Então a gente recebeu este auxílio desde o dia 24 de marco, mas até agora só recebemos uma parcela. O auxílio não é suficiente mas é de grande ajuda. Também recebi ajuda de amigos e colegas que viajaram e me deixaram comida, isso me ajudou bastante e eu também pude ajudar outras pessoas”, conta a estudante.

Roselaine é de Mata (RS), mas decidiu permanecer na CEU por dois motivos: para não correr o risco de contaminar os irmãos mais velhos e por questões econômicas. “Sou gaúcha mas morei 20 anos na Venezuela. Vim para o Brasil em 2017. Em 2018 eu me inscrevi para estudar e comecei os estudos em março de 2019. Quando eu comecei a estudar já procurei auxílio e moradia porque no momento a minha casa é aqui na UFSM. Eu não tinha para onde ir. Claro que eu poderia ir para a casa de algum irmão ou irmã minha, mas eu também pensei que eles já são mais velhos do que eu [tenho 54 anos]. Eu fiquei esses 15 dias de março com muitos alunos aqui e tive medo de levar contágio para os meus irmãos [em Mata]. Também achei que aqui [SM] seria mais seguro e e eu teria mais apoio também. Não tô trabalhando e não tava recebendo bolsa de mestrado ainda, então eu iria chegar lá [em Mata] e depender economicamente dos meus irmãos também”, diz a mestranda.

Sobre o auxílio emergencial, a diretoria da CEU II informou que alguns moradores estão tendo dificuldades de chegar ao fim do mês, porém “[…] isso vai depender de cada caso e da condição sócio econômica da família/morador. Essa condição é diversa, dentro do limite do BSE [Benefício Sócio Econômico]”.

Outro problema que vem sendo relatado com relação ao auxílio é o fato de alguns estudantes ainda não terem o recebido. Thuane relata que tem um colega de apartamento que se inscreveu e não recebeu o auxílio. “Sobre o dia que disponibilizaram solicitação do auxílio… deram questão de uma hora para as pessoas preencherem, então quem não ficou sabendo ou não pôde ir não vai conseguir cadastrar agora. Estão dificultando bastante”.

Hillig disse que o atraso no pagamento a alguns estudantes deu-se devido a problemas em algumas contas, como contas poupança, conta salário e conta conjunta. “Os bancos não conseguiram efetuar os pagamentos. E aí tivemos que substituir por ordem bancária, ao invés de depósito em conta”.

Condições estruturais

Emanuelle diz que o prédio da CEU I, no centro da cidade, tem sido higienizado pelas trabalhadoras da limpeza [Sulclean]. “Elas [trabalhadoras] são em duas para limpar oito andares. Elas não estavam recebendo produtos de limpeza da Sulclean, então não tinha como elas estarem higienizando corretamente os banheiros”, relata a estudante.

Hillig explica que a responsabilidade de fornecer equipamentos de segurança e produtos de limpeza aos trabalhadores é da empresa, contudo a universidade auxilia conforme pode. “Estamos distribuindo aos estudantes material de limpeza, desinfetantes, panos, vassouras, álcool 70 líquido e água sanitária para dar suporte maior na limpeza principalmente dos banheiros coletivos”, diz o pró-reitor, que vem solicitando aos estudantes que ajudem na limpeza das áreas comuns das CEUs. “Também estamos distribuindo álcool em gel com o apoio da Usina de Etanol do Colégio Politécnico da UFSM. Já fizemos uma distribuição na semana passada e estamos providenciando outra”, complementa. Ele diz também que há um médico e um enfermeiro da equipe de saúde da CEU para monitorar os casos de Covid-19. Os profissionais fazem atendimento por telefone e se deslocam até as moradias havendo necessidade. “Qualquer surto da Covid-19 na Casa do Estudante vai causar um impacto muito sério e aí teremos uma sobrecarga muito grande do HUSM, que já não tem quase condições de atender”, preocupa-se o pró-reitor. Ele ainda diz que a PRAE vem prestando auxílio psicossocial via Skype e a Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED) vem fornecendo atendimento psicológico e psiquiátrico via e-mail.

Thuane diz que recebeu o álcool em gel na semana passada. “Estamos utilizando aqui em casa sempre que precisamos sair. Eu já vi duas vezes passar um caminhão com as pessoas da esterilização protegidas. Sei que nos prédios de apartamentos de 2 pessoas estão dando material para limpeza. Eu moro no bloco de apartamentos de 6 pessoas então aqui dentro fica tudo por nossa conta mesmo. Nos corredores eu não sei como está a higienização”, relata.

Roselaine conta que divide um apartamento na CEU II com mais duas colegas. Uma delas está viajando, mas pretende voltar na próxima semana. O apartamento delas tem três quartos, um banheiro, uma cozinha e uma área de serviço. “Como estamos só em duas por enquanto e não saímos quase, está tudo bem. A gente não pegou material de higiene porque a gente usa o que compramos e não usamos o banheiro comum”.

Um episódio que causou preocupações em Rose e em outros moradores da CEU foram obras de reforma em alguns apartamentos que não cessaram durante a pandemia. “Foi momento de muita tensão. A PRAE considerou a obra essencial, só que os homens [trabalhadores] não tiveram cuidado, vinham e voltavam de outras cidades e outros bairros, comiam todos juntos, nunca tiveram cuidado. E perto moram servidores com bebê recém-nascido. Há também um senhor de mais de 90 anos e outros funcionários [técnico-administrativos] com problemas de saúde, e eles nunca pararam a obra nem tomaram a devida distância. Agora, gracas a Deus, já estão terminando a obra, mas foi bem complicado para a gente, nunca cessou essa obra”, relata a moradora.

Internet e luz

A UFSM paralisou as atividades presenciais, porém autorizou que docentes utilizassem a plataforma Moodle para ministrar conteúdos e aplicar avaliações aos estudantes. Cada professor tem a autonomia de decidir como procederá frente a essa possibilidade, embora não se saiba ainda como será a reposição posterior dos conteúdos não lecionados neste período. Diversos estudantes que moram nas Casas relatam dificuldades com relação à conectividade.

É o caso de Emanuelle, cujos professores implementaram atividades a distância, porém ela diz estar complicado de dar conta das demandas acadêmicas, tanto devido à internet quanto à saúde mental.

“Eu tentei participar das lives que são feitas [aulas por Hangout], mas a internet caía a cada cinco minutos. Uma das alunas da minha sala me ligou por chamada de vídeo e filmava a tela do computador para que eu pudesse participar. Só que é meio inviável fazer isso todas as vezes, pois depende de outra pessoa e causa constrangimento às duas partes. A maioria das atividades eu acabo enviando atrasada. Faço acompanhamento psicológico com a CAED já faz um ano, tenho ansiedade e depressão e faço tratamento. Tá sendo complicado porque estamos sem o apoio da PRAE. Para conseguir a medicação eu tive que ir atrás do psiquiatra porque não souberam me informar o que eu tinha que fazer. Tô tentando conversar com os professores. A maioria está sendo bem receptiva, mas isso é uma particularidade do meu curso, que é o Direito”, conta Emanuelle, que mora na CEU I – centro.

Quem também teve problemas com a conectividade à internet foi Thuane, que mora na CEU II – campus. Ela conta que os moradores ficaram desde a última sexta, 17, sem conexão à internet, tendo o sinal retornado apenas na quarta, 22, pela manhã. “Eu abri uma reclamação ao CPD quando fazia 24 horas e vieram hoje [quarta, 22] arrumar o problema”. O pró-reitor explica que a queda da internet no campus se deu devido a reparos necessários no swift de internet, que teve de ser trocado. “Estão sendo feitas manutenções na universidade que estão afetando não só as CEUs mas a reitoria”, diz ele.
Devido a este problema, Thuane dialogou com seu chefe de bolsa e com sua orientadora de TCC [Trabalho de Conclusão de Curso] para explicar o porquê de não estar realizando os trabalhos. “Isso é bem desgastante, parece que estamos dando uma desculpa para não fazer. O moodle também constantemente não funciona aqui dentro [da CEU]. Acho que nos trataram com descaso e como o equipamento de internet fica ao lado de fora dos apartamentos, possui um cadeado e a gente não consegue simplesmente reiniciar e resolver o problema. E daí nos deixam dias sem internet”, afirma a estudante.

Rose diz que em seu bloco os moradores também ficaram três dias sem internet. “Demoraram muito pra resolver o problema. Mas no mais a internet, a luz e a água estão funcionando bem”.

Auxílio transporte

O pró-reitor afirma que a PRAE vem disponibilizando, desde o início da pandemia, um auxílio transporte para os moradores das CEUs que desejarem retornar a seus municípios de origem. Para aqueles que residem no Rio Grande do Sul, o auxílio é no valor de R$ 250. Àqueles que residem nas regiões sul, sudeste e centro-oeste é oferecido um auxílio de R$ 500. Já quem tem de voltar para as regiões norte e nordeste tem direito a um auxílio no valor de R$ 750. Hillig afirma que se esses valores não forem suficientes ou se não houver possibilidade de transporte terrestre, a pró-reitoria providencia passagens aéreas.

“Recomendamos de forma muito forte aos estudantes para que retornassem aos seus domicílios de origem porque provavelmente os sistemas de saúde são mais estruturados, além da presença da família, que é fundamental no isolamento. Mas muitos estudantes estão em maiores condições de vulnerabilidade nos seus domicílios de origem do que aqui nas Casas. Outros têm como origem cidades que vêm sendo epicentro da pandemia. Os que são naturais de São Paulo, por exemplo, preferiram não retornar para casa”, relata Hillig.

O pró-reitor diz que hoje não há nenhum caso suspeito sendo acompanhado nas CEUs, apenas um rapaz em isolamento por ter ido recentemente a São Paulo. "Ele não tem sintomas, mas permanece em isolamento durante 14 dias”, conta.

Algo que preocupa a diretoria da CEU II, contudo, é a quantidade de moradores em cada apartamento. “Apesar de haver o auxílio transporte emergencial para que os moradores, principalmente da união e das moradias provisórias pudessem ir pra casa, num primeiro momento a PRAE sugeriu, de forma impositiva, como se já tivesse sido decidido, que apartamentos de 6 pessoas de determinados blocos deveriam receber mais um morador, que ficaria no espaço do cubículo, onde anos atrás (2014, acho) já houve a discussão sobre a possibilidade e a mesma se mostrou inviável. Com o avanço da pandemia e fechamento do RU, essa solução ficou de lado e ainda não sabemos como será a volta às aulas nesse sentido. Ressaltamos a necessidade de manter o equilíbrio entre vagas nos apartamentos e a saúde dos estudantes. Relembramos que o problema de vagas é maior e surge da não construção de novas casas do estudante, em função da restrição cada vez maior pelo governo federal”, disse a diretoria da CEU II à Sedufsm.

Emanuelle também critica os cortes que o governo vem promovendo nas universidades nos últimos anos. Para ela, é necessário lutar para que o PNAES vire lei. “O PNAES hoje é um programa de governo, então a partir do momento que se instaure outro governo ele pode cortar o tanto de verba que quiser do PNAES. Com os cortes do PNAES não tem como a universidade estar nos ajudando nesse momento”, preocupa-se a estudante de Direito, que também lembra a necessidade de revogação da Emenda Constitucional 95, antiga PEC da Morte. “Ela já cortou mais de R$ 20 bilhões do SUS. É preciso continuar na luta contra esse governo de retrocessos que vem atacando a educação pública”, defende a estudante.

 

Texto: Bruna Homrich

Fotos: Arquivo/Sedufsm

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 

 



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