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28/04/2020   29/04/20 12h13 | A+ A- | 3504 visualizações

Cancelamento do calendário acadêmico seria acertado, avalia diretora da Sedufsm

Sindicato também defende pesquisa e extensão com foco no combate ao Coronavírus


Maristela Souza: o momento que nós estamos vivendo é um momento de solidariedade de classe.

O isolamento social provocado pela pandemia no novo coronavírus é, sem dúvida, um dos grandes temas de debate da atualidade. Isso porque, apesar de medida recomendada pelas autoridades e defendida por inúmeros setores da sociedade, o isolamento não é, definitivamente, um processo simples. No caso da UFSM, por exemplo, o isolamento representou a suspensão das atividades letivas presenciais ao mesmo tempo que o semestre teve prosseguimento com atividades à distância. Tal solução encontrada pela instituição, gerou e gera muitas discussões.

Na avaliação da diretoria da Sedufsm, em primeiro lugar, é importante defender que sim, o isolamento social é a medida acertada no combate à disseminação da Covid-19. Conforme destaca a secretária-geral da Sedufsm, professora Maristela da Silva Souza. “A gente entende que hoje o remédio para o combate a essa pandemia é o isolamento social. É uma relação de causa e efeito. Nós temos um efeito, que é uma doença chamada Covid-19. A causa disso é um vírus. Nessa relação, para evitar se aproximar dessa causa, só o isolamento social”, afirma. Contudo, somado à defesa do isolamento, a diretora da Sedufsm afirma que a entidade possui uma posição diferente a respeito da manutenção das aulas na UFSM. Para Maristela e a diretoria do sindicato, o calendário deveria ser suspenso no que toca o ensino.  “A universidade se organiza no tripé ensino, pesquisa e extensão. A maioria das universsidades não cancelaram o seu calendário e estão entendendo que esses trabalhos, principalmente de ensino, poderiam se dar em uma condição em rede que é a educação remota, que é o que a gente está em processo. A Sedufsm entende que nesse momento o ensino não tem condições de ser mantido enquanto dentro de uma universidade pública, de qualidade, socialmente referenciada, como a gente sempre defende. Não tem como ser mantido com qualidade dentro dessas condições” afirma Maristela.

Falta de planejamento

Para a professora e a diretoria da entidade, muitos são os fatores que justificam a defesa da suspensão do calendário acadêmico. Entre elas está, por exemplo, o fato de o ano não ter sido planejado a partir da utilização dessas ferramentas. “Em primeiro lugar, o nosso ensino ele é presencial e de uma hora para outra tanto o aluno quanto o professor eles tiveram que se adaptar a uma condição de ensino à distância. Porque todo um currículo ele é organizado a partir de uma lógica em uma relação de teoria e prática, em uma relação de ensino e aprendizagem, de mediações instrumentais na relação professor e aluno, e de uma hora para a outra tivemos que abrir mão disso. Então isso com certeza compromete a lógica do conhecimento que até então nós estávamos desenvolvendo enquanto educação presencial. Por mais criativo que um professor seja, por mais dedicado que um aluno seja, ele vai ter dificuldades”, avalia a professora.

Condições desiguais

Somada a essa questão do planejamento, Maristela também avalia com preocupação o impacto das condições desiguais de acesso às ferramentas do ensino à distância, especialmente por parte de estudantes. “Vai ter alunos que vão ter mais facilidade, em termos técnicos, do que outros. Então isso vai dar lá no final um resultado de diferenciação de apropriação de conhecimento, assim como as próprias mediações dos professores vão ser diferentes. Nós somos uma categoria que nós temos desde professores mais jovens, que se criaram academicamente nos meios virtuais da relação ensino e aprendizagem, e temos aí professores que são mais antigos, que não tem essa habilidade de mediação”, argumenta Maristela.

Nesse cenário, no qual muitos estudantes não tem acesso às ferramentas e suportes tecnológicos usados nas aulas, a professora pondera, a partir do exemplo real de uma estudante, que a manutenção das aulas pode representar inclusive um risco para a saúde. “Eu vou usar o exemplo de uma aluna que essa semana entrou em contato comigo e disse que ela não iria enviar as atividades por hora porque ela é um dos casos com suspeita (de contágio) aqui em Santa Maria. E a única saída de casa que ela estava dando era para fazer os trabalhos que estavam chegando para ela, porque ela só tinha um celular e pelo celular ela não tinha condições de fazer. Então o que eu quero dizer com isso? Que nesse momento a universidade pode estar contribuindo para um não isolamento social. Assim como a gente sabe que tem alunos que estão nas suas cidades, que não tem estrutura, que não pega internet em determinados lugares e tem que ir na casa do vizinho, tem que ir na casa do primo, tem que ir na casa de não sei quem para fazer os trabalhos”, pondera a diretora da Sedufsm que ainda conclui: “Então nós teríamos muito mais a ganhar se nós tivéssemos cancelado o semestre, para começarmos todos de um ponto de partida igual, do que a gente começar nesse ponto de partida no qual nós não vamos ter uma igualdade no processo de ensino aprendizagem”.

Ensino, pesquisa e extensão

Segundo Maristela, a posição da Sedufsm hoje é pelo cancelamento do calendário acadêmico. E segundo a diretora do sindicato, tal medida teria não apenas o impacto de evitar um semestre desigual e prejudicial a docentes e estudantes, como também permitiria à UFSM focar no que realmente importa para o momento. A ferramenta para isso? A pesquisa e a extensão. “A Sedufsm entende que nesse momento nós deveríamos cancelar o calendário acadêmico e retomar o calendário após o fim da pandemia. Com isso, nós não estamos dizendo que a universidade tem que parar as suas atividades. Como eu disse, a universidade ela é estruturada no ensino, na pesquisa e na extensão. E nesse momento tanto a pesquisa, relacionada com a extensão, deveriam estar focados na causa do momento, que é o vírus”, aponta Maristela, que traz a situação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) como um bom exemplo do uso da pesquisa, no contexto da pandemia, a partir da universidade pública. No caso da UFPel, uma pesquisa promovida pela universidade está ajudando o governo do estado a mapear a disseminação do vírus em diversas cidades da região. “Eu vou usar um exemplo que está dando certo, da Universidade Federal de Pelotas, que cancelou o seu calendário acadêmico e está voltada para a pesquisa, junto com a extensão, para dar conta da necessidade do momento, enquanto uma universidade de relevância social”, aponta a diretora sindical, que ainda complementa. “Então o que nós poderíamos estar fazendo agora, enquanto uma universidade pública, mostrando para a população através do conhecimento da geografia, por exemplo, ‘de que maneira Santa Maria pode ser menos ou mais afetada’, a questão da economia e uma relação com as ciências sociais, ‘Santa Maria, quando flexibilizaram a abertura de comércio, será que isso não vai ser mais prejudicial ainda para a economia. Então a Sedufsm entende que o isolamento social tem que ser o máximo compreendido e realizado e que a universidade tem que realizar esse isolamento social no ensino, colocando a pesquisa e a extensão, de uma forma conjunta, a serviço desse isolamento social, pegando as suas áreas de conhecimento, a sua pesquisa, e fazendo com que a população entenda e que a população materialize esse isolamento social”, afirma. Por fim, a professora faz questão de reforçar que com isso não quer dizer que a UFSM, assim como outras universidades que não suspenderam o ensino, não estão contribuindo com o combate à Covid-19. O que Maristela defende é que no momento que as universidades tiverem como projeto o combate à pandemia, os efeitos desses trabalhos serão mais rápidos e qualificados. E para isso há a necessidade da suspensão do ensino.

Retorno e solidariedade de classe

Embora a UFSM não trabalhe com uma data para o retorno das atividades, a discussão sobre quando as aulas seriam retomadas surge com frequência. Segundo Maristela, nesse debate, a UFSM deverá mostrar aquilo que a define por essência. “Mais do que nunca a universidade tem que ser coerente ao que ela expressa dentro da sociedade que é a materialização, a expressão e a produção do conhecimento científico. Então no momento que o conhecimento científico apontar que esse fator de risco não existe mais, que o conhecimento científico nos disser que está tendo um achatamento, ou se achatou, ou se tem a cura, ou se tem a vacina, ou se tem o remédio para evitar a aquisição dessa doença, enfim, no momento que tiver isso, aí sim nós vamos ser coerentes em voltar”, afirma Maristela. Além disso, segundo a avaliação da  direção da Sedufsm, é importante não ceder às pressões do governo que tem como base atender exclusivamente aos desejos da economia. “No momento que nós só tivermos decretos de retorno de governos que colocam a economia em primeiro lugar e não a vida ou a saúde da nossa sociedade, a universidade tem que lutar contra. Ela tem que mostrar para a sociedade, através do conhecimento, e ela está muito bem nisso, porque a maioria das pesquisas, a maioria das medidas mais concretas que nós estamos tendo nesse momento da pandemia estão vindo das universidades públicas. No momento que a gente tem uma curva ascendente, em que essa doença está tomando uma dimensão de que estamos colocando a vida em risco, a universidade tem que dizer não. E no caso uma entidade sindical como a Sedufsm, também tem que se colocar a serviço de uma contraposição a essa medida de colocar a economia em primeiro lugar”, declara.

Ainda sobre o tema, a professora da UFSM destaca que é papel do Estado garantir a manutenção do isolamento social em sua perspectiva econômica. Mas mais do que isso: para Maristela, somado ao movimento do Estado, é importante a ação da solidariedade de classe. “Existem sim meios para que as pessoas consigam se manter nas condições objetivas de isolamento. O Estado tem que estar a serviço da população mais vulnerável e nesse momento nós temos que ter uma dimensão que infelizmente a humanidade estava perdendo, que é a questão da solidariedade e da solidariedade de classe. Solidariedade de classe é muito diferente de assistencialismo. O momento que nós estamos vivendo é um momento de solidariedade de classe. É um momento que a gente tem que se ajudar, que a gente tem que dar a cesta básica para aquele trabalhador não ir trabalhar e ficar em isolamento social, para manter a sua vida, a vida da sua família e manter com qualidade, ou seja, com comida na mesa, com condições. Então nós temos que ter a solidariedade de classe e enquanto Sedufsm nós temos muito claro isso, que isso é diferente do assistencialismo, que não vamos estar fazendo um favor. Nós vamos estar fazendo uma contribuição de classe, trabalhador com trabalhador”, conclui.

Ainda sobre esse cenário, a diretora manifesta que a crise da Covid-19 ressaltará as desigualdades típicas de uma sociedade de classes. “Acontece que isso já está mostrando uma questão muito mais ampla, que é a questão da desigualdade social. Porque muitas vezes tu não tem a liberdade de dizer ‘eu não vou me expor (ao vírus)’. Então o que nós estamos vendo de maneira ampla? Nós estamos vendo pessoas se expondo porque a sua condição social leva a uma imposição. Porque tu tem que trabalhar ou tu precisa estar na linha de frente, como profissionais de saúde e dos serviços de limpeza e higiene. Então essa relação com o vírus, está nos fazendo também entender o fato de que a gente vive em uma sociedade de classes, e uma sociedade de classes que leva à desigualdade social. E isso os números já estão dizendo onde estão morrendo mais pessoas. Quem são as pessoas que estão mais morrendo, se não são também aquelas pessoas que estão em contextos precarizados” conclui.

Outras categorias

Confira outras categorias que a Sedufsm já entrevistou sobre o isolamento social e os desafios impostos pela Covid-19:

Comerciários; Metalúrgicos e Rodoviários; Bancários; Servidores ténico-administrativos em educação; Professores das redes estadual e municipal.

Texto: Rafael Balbueno
Foto: Arquivo Sedufsm
Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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Comentários



Rondon De Castro disse...

Dia 29/04/20 às 09:14

Avaliação muito acertada... até tardia. As atividades da universidade devia ser voltada à excepcionalidade do momento, não ao contorno da situação para manter a continuidade do semestre. A previsão é de tempos duros e tristes por tempo indeterminado, mas longo. Insistir em tratar a pandemia de covid-19 como um incômodo é reverberar o discurso de mim indiferença com as mortes que estão ocorrendo, ocorreram e ocorrerão.



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