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04/05/2020   04/05/20 18h16 | A+ A- | 439 visualizações

Presidente do ANDES-SN e docente da UFES abordam EaD em ‘live’ da Sedufsm

Antonio Gonçalves e Juliana Melim fizeram a relação do tema com a questão do adoecimento docente


O Ensino a Distância (EaD) deve ser usado como uma forma suplementar. No entanto, não é o que tem ocorrido em sucessivos governos. Conforme o presidente do ANDES-SN, Antonio Gonçalves, que é professor de Medicina na Universidade Federal de Maranhão (UFMA), de 2006 a 2019 essa modalidade cresceu 11.000% no país. E o decreto do MEC sobre o trabalho remoto visa a atender às corporações, comentou ele. De forma similar pensa a professora Juliana Iglesias Melim, do departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), conforme destacaremos abaixo. Ambos participaram da ‘live’ intitulada “Educação em rede em tempos de pandemia e o adoecimento dos educadores”, pela página da Sedufsm no facebook, que foi a primeira realizada pelo sindicato desde que iniciou o período de isolamento social.

Conforme a professora da UFES, é justamente o Serviço Social um dos que mais oferecem a opção EaD: o 3º no ranking. Juliana ressalta que o ensino a distância é uma das principais políticas receitadas pelos organismos internacionais de financiamento, especialmente o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio e a Unesco. Para Juliana, o EaD se apresenta como uma estratégia de privatização da educação. Ela participou, junto com Antônio Gonçalves, de uma ‘live’ organizada pela Sedufsm na última quinta, 30 de abril, às 19h, pelo facebook da seção sindical. O terceiro convidado, professor Walcyr de Oliveira Barros, da Escola de Enfermagem da UFRJ, teve um contratempo e não pode participar.

No entendimento do presidente do ANDES-SN, o adoecimento docente tem se expandido em um contexto que tem se caracterizado pela necessidade de produzir – uma lógica produtivista. Além disso, comentou Antônio Gonçalves, a expansão sem um devido planejamento, desde a primeira década deste século, corroborou para esse estado de precarização que encaminha para a enfermidade.

Apesar dessa lógica de mais e mais produção, a resultante não chega a ser satisfatória para a sociedade. Gonçalves frisa que o mercado é o principal guia das pesquisas, e isso impediu, por exemplo que, apesar de termos, já há muitos anos, cenários mais seguidos de pandemias, não houve preocupação em fortalecer a pesquisa pública no sentido de desenvolver, por exemplo, vacinas, que pudessem se antever e evitar a conjuntura caótica que enfrentamos.

Ensino a distância, lucro e precariedade

Quando se trata de falar em ensino a distância (EaD), Juliane Melim o vê com muitas restrições. Salientou que, na realidade brasileira, esse processo de consolidação do EaD se combina a um contexto de “contrarreforma do Estado e de redução desse Estado na execução das políticas sociais”. Para Juliana, um elemento que reforça essa tese é o avanço absurdo, nos últimos anos, do ensino privado no Brasil. Em todos os níveis e sobretudo na educação superior. Na concepção da professora, EaD representa “um mercado bastante lucrativo, pois também favorece o comércio internacional de pacotes tecnológicos, em especial vindos dos Estados Unidos, aprofundando a dependência científica e tecnológica dos países da periferia, como é o caso do Brasil”.

Ela cita alguns dos diversos entraves para qualquer ideia de efetiva consolidação do Ensino a Distância como alternativa plenamente viável. Aos dados:

- 4,5 milhões de brasileiros não têm acesso à internet banda larga;

- Cerca de 2 mil distritos do país não contam com a cobertura de serviços de celular;

- A maioria das famílias de baixa renda, quando acessa a internet, acessa pelo celular.

Por esses dados e números, diz Juliana, se pode perceber que “a gente tem uma dificuldade de infraestrutura para que professores e estudantes possam acessar esse tipo de atividade, sem contar que o Brasil tem uma das internets mais caras do mundo e uma das mais instáveis também. Nessa época de pandemia a gente está percebendo isso”.

A professora pondera ainda que “mesmo que todas as condições existissem, mesmo que todos os estudantes tivessem uma boa internet, assim como professores, e toda a infraestrutura necessária para essas aulas; mesmo que a saúde mental estivesse ‘ok’ e as jornadas triplas não existissem. Mesmo assim a gente adotaria essa modalidade de ensino virtual? A pergunta que a gente tem que fazer é ‘a quem interessa esse modelo de ensino?’. Ele fortalece os interesses do Capital ou os interesses da nossa classe, a classe trabalhadora, que tem o direito a uma educação de qualidade e presencial?”, questiona Juliana.

Quarentena é para salvar vidas

Juliana Melim enfatiza que no cenário atual, é fundamental que os movimentos sindicais de técnicos e docentes, mais o movimento estudantil, famílias, se unifiquem e reivindiquem uma educação presencial e de qualidade, bem como a suspenção do calendário acadêmico. “A quarentena é para salvar as nossas vidas, sobretudo a vida da nossa classe. Ela não é para precarizar ainda mais o trabalho docente e muito menos a educação. Esse direito que a gente tem lutado tanto para preservar no nosso país”, enfatizou.

Para a professora de Serviço Social da UFES, é importante que “a comunidade acadêmica possa decidir coletivamente um calendário de reposição (das aulas), porque quando isso passar as coisas não vão voltar a ser exatamente como eram antes. Vai ter uma série de cuidados que a gente vai ter que ter. E é muito importante que a gente trave essa luta em defesa de um projeto de formação, um projeto de educação que é um projeto que prioriza o encontro, a construção coletiva do conhecimento, a troca de saberes entre diferentes áreas, entre diferentes estudantes, que priorize a nossa construção coletiva”, assinalou Juliana.

Busca de soluções

Antônio Gonçalves, presidente do ANDES-SN, destaca que, em meio a todas as adversidades enfrentadas, como é o caso da própria pandemia do coronavírus, um obstáculo a mais foi colocado pelo governo de extrema direita de Jair Bolsonaro: o ‘negacionismo’. A negação de que vivemos uma situação grave, que exige investimentos públicos maciços, é fruto dessa política anti-ciência desenvolvida pelo atual governo, frisa Gonçalves.

Para ele, mesmo que os docentes da base do sindicato não possam paralisar, fazer greve, é preciso buscar soluções, manter-se mobilizado. “Além de salvar vidas, precisamos manter a mobilização”, frisou o sindicalista. Na análise de Gonçalves, o momento é de o sindicato se posicionar em outras frentes, também importantes, como são os atos de solidariedade. “É preciso também usar bem a comunicação”, complementou ele.

O presidente do ANDES-SN lembrou ainda da Instrução Normativa (IN) nº 28, publicada em 25 de março deste ano, e que orienta para a suspensão de diversos tipos de auxílios, como o transporte, além de outros adicionais, a quem está em trabalho remoto. “Não é atacando os trabalhadores que nós vamos sair da crise” e, sim, deixando de transferir recursos para o sistema financeiro, argumentou Antônio Gonçalves.

Para o docente, o momento é de superar desafios, já que a categoria saiu do Congresso do ANDES-SN, no início do ano, pronta para construir uma greve no conjunto dos servidores públicos, mas acabou atropelada pela pandemia da Covid-19. “Não abandonamos a deliberação de greve, mas como fazê-la em um momento de necessário isolamento”, questiona Gonçalves.

A íntegra das falas dos convidados pode ser acessada através desse link no facebook.

 

Texto: Fritz R. Nunes com a colaboração de Rafael Balbueno

Imagens: Agência Brasil e arquivos pessoais

Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

 



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