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22/06/2020   15/07/20 12h13 | A+ A- | 433 visualizações

Infectologista da UFSM fala de prós e contras do ‘distanciamento controlado’

Alexandre Schwarzbold destaca que metodologia aplicada no RS depende de uma série de fatores


Schwarzbold: abertura de UTIs tem limite e já começam a escassear profissionais e insumos

O modelo de distanciamento social controlado posto em prática no RS, pelo governo estadual, é considerado pioneiro no país. Ele busca dar um equilíbrio entre o isolamento da população ao mesmo tempo em que, mediante uma série de indicadores que sejam positivos, como por exemplo, número de leitos disponíveis, número baixo de contaminados e de óbitos, etc., possibilita uma flexibilização nesse distanciamento, dando um respiro à economia. Entretanto, há um conjunto de ‘senões’ apontado pelo médico infectologista e professor do curso de Medicina da UFSM, Alexandre Schwarzbold.

Para o infectologista, que participa do comitê científico gaúcho e da Sociedade Rio-grandense de Infectologia, a proposta implementada no estado é meritória no sentido de que tentar resguardar a saúde e ao mesmo tempo salvaguardar a economia, evitando que a mesma entre em colapso, tendo em vista que as políticas compensatórias para quem está desempregado são consideradas pouco eficazes no país. Todavia, conforme analisa o médico, para que se tenha êxito nessa metodologia, é preciso, em primeiro lugar, uma comunicação clara com a população, para que ela entenda a proposição e mantenha a adesão ao que está sendo posto em prática. Além disso, frisa Schwarzbold, a fiscalização, por parte do Poder Público, ao cumprimento das recomendações sanitárias, tais como o uso de máscaras, de álcool gel, e de evitar aglomerações públicas, precisa realmente funcionar.

Ponto crítico

O professor da UFSM, que é especialista em Doenças Infecciosas e Doutor em Ciências Médicas, destaca um dos pontos mais frágeis do modelo de distanciamento controlado. Para Schwarzbold, o ponto crítico é que o modelo detecta a ampliação do número de casos com atraso (tardiamente). Mesmo com ajustes feitos recentemente pela equipe do governo gaúcho, ele ainda é um modelo “reativo”, avalia o médico. Segundo ele, a polêmica que envolveu Santa Maria uma semana atrás é um exemplo de detecção atrasada do problema. A cidade passou da bandeira laranja (mais flexível no isolamento social) para a bandeira vermelha (mais restritiva) em função de que, em menos de uma semana, os leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) lotaram.

 Contudo, a partir de disponibilizados novos sete leitos por um hospital privado, a cor da bandeira para Santa Maria voltou a ser menos restritiva, ou seja, laranja. Entretanto, pondera o infectologista, essa reação com atraso no que se refere à rápida disseminação do coronavírus pode ter implicado em mortes que, talvez, fossem evitáveis.

Crescimento da doença e ‘lockdown’

Segundo os dados trazidos pelo médico infectologista, o estado do Rio Grande do Sul está praticamente dobrando o número de leitos do UTI, o que é algo positivo e, que, inclusive, ele espera que seja um legado para o pós-pandemia. No entanto, ressalta Schwarzbold, se é meritório o fato de que se conseguiu ampliar em muito o número de leitos no estado, por outro, é preciso estar atento que, se a disseminação da Covid-19 continuar em ritmo acelerado, se chegará a um limite na criação de leitos físicos. Além disso, há outros problemas surgindo, para os quais, as direções de hospitais já estão se reunindo para discutir ações conjuntas. O infectologista se refere à escassez de profissionais capacitados e também à falta de insumos.

Apesar dos pontos positivos, Alexandre Schwarzbold percebe o problema do atraso na detecção da disseminação dos casos, como um calcanhar de Aquiles do modelo, e que, mesmo objetivando salvaguardar a economia, sofre pressão de empresários a prefeitos, e destes ao governo estadual. Para o professor da UFSM, talvez ainda teremos que partir para algo mais drástico, assim como defende o reitor da UFPel, Pedro Hallal, que coordena uma pesquisa nacional sobre a Covid, que é a implantação durante duas semanas de um ‘lockdown’, ou seja, um fechamento total, com as pessoas em casa, e funcionando somente os serviços essenciais.

 

Texto: Fritz R. Nunes

Foto: Arquivo UFSM e Sedufsm

Assessoria de imprensa da Sedufsm



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