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06/07/2020   06/07/20 15h57 | A+ A- | 365 visualizações

Economia com trabalho remoto de servidor empolga Governo

Entre março e maio deste ano, União poupou quase R$ 200 milhões com viagens e deslocamentos


Ministério da Economia: Cristiano Eckert defende redução em viagens de servidor mesmo após a pandemia

A equipe econômica do governo Bolsonaro está feliz com a economia de gastos efetuados por servidores durante o período da pandemia. Conforme noticiou o jornal ‘Correio Braziliense’, somente com viagens e deslocamentos, a União economizou cerca de R$ 200 milhões entre os meses de março e maio de 2020. Os valores foram comparados com o mesmo período de 2019. Enquanto no ano passado, no período de três meses os gastos com viagens alcançaram R$ 265,2 milhões, neste ano o valor chegou a apenas R$ 65,5 milhões. Isso porque o trabalho, no serviço público federal, devido à pandemia de Covid19 se transformou para a modalidade remota. A redução desse tipo de gasto, conforme o governo federal, chegou a 75%.

Esses dados estão causando uma certa euforia a uma equipe governamental que tem fixação por conter gastos. O secretário de Gestão do Ministério da Economia, Cristiano Heckert, declarou ao mesmo jornal brasiliense que “a pandemia mostrou que muitas agendas que demandavam viagens de servidores podem ser substituídas por reuniões virtuais. Já existe tecnologia para isso”. Ele calcula que, mesmo mantendo as viagens essenciais, o governo pode reduzir de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões os gastos anuais relacionados a viagens.

E não é só a verba com viagens e deslocamentos que foi diminuída. Levantamento da Associação Contas Abertas revela que, além de reduzir custos com bilhetes aéreos, esses últimos três meses de isolamento social diminuíram em R$ 160,1 milhões os gastos da União com diárias; e em mais R$ 5,2 milhões as despesas com hospedagens. Segundo o secretário do ministério da Economia, o governo está calculando quais são os outros gastos de custeio que também podem ser cortados com a nova lógica de trabalho apresentada pela pandemia. O levantamento da ‘Contas Abertas’ dá uma ideia de onde pode vir boa parte dessa economia, caso o governo reduza a frequência das viagens a serviço e também amplie o uso do trabalho remoto no pós-pandemia — possibilidade que, de acordo com Heckert, de fato está na mesa do Executivo.

A Associação Contas Abertas constatou um corte de R$ 40,4 milhões nos gastos do Executivo, do Judiciário e do Legislativo com mobiliário, além de uma diminuição de R$ 13,9 milhões com locação de imóveis; R$ 8,5 milhões, com material de consumo; e R$ 8,3 milhões, com material de expediente, entre março e maio deste ano. Também foram observadas reduções significativas nos pagamentos de auxílio-transporte (redução de R$ 34,1 milhões) e adicional de periculosidade (menos R$ 22 milhões).

Balanço da Secretaria de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia aponta que 79.641 servidores públicos federais civis seguiam trabalhando de casa no fim de junho, o que equivale a, aproximadamente, 49% da força de trabalho da administração pública federal.

Olhar cauteloso 

Os servidores estão dispostos a discutir a regulamentação do home office no pós-pandemia. Nesta semana, em reunião marcada com a Secretaria de Gestão e Desempenho Pessoal. Presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques explica que, além de reduzir os gastos públicos, o teletrabalho pode trazer benefícios para o funcionalismo e para a população.

“Em alguns casos, o servidor gasta duas horas a menos com o deslocamento para o trabalho. Isso traz qualidade de vida e ainda contribui para a redução do tráfego urbano e da questão ambiental nos grandes centros urbanos”, ressalta Marques. Ele garante que isso não reduz a qualidade do serviço prestado à população. Ao contrário. Ao adotarem o home office, órgãos como a Controladoria Geral da União e a Advocacia Geral da União cobraram até um aumento de eficiência relativo a esse tempo de deslocamento como contrapartida dos servidores. Estudos de avaliação do desempenho dos servidores no trabalho remoto estão sendo realizados pelo governo nesse período de pandemia.

 “O trabalho remoto está dando resultados. Mas isso precisa ser analisado com cautela. Hoje, os servidores estão usando os seus equipamentos e a sua internet. Mas, a longo prazo, deveriam receber as condições adequadas de trabalho”, frisa o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Silva. “O governo não pode repassar toda essa redução de custos para o servidor”, reforça Marques. O presidente do Fonacate também pede que haja uma avaliação criteriosa na definição de quais viagens a serviço devem ser cortadas, para evitar que atividades de fiscalização e controle não deixem de ser feitas com a periodicidade adequada por conta disso. 


Fonte: Correio Braziliense
Imagem: EBc e Agência Senado
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)



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