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07/07/2020   07/07/20 20h38 | A+ A- | 926 visualizações

Assembleia docente propõe documento à reitoria com críticas ao trabalho remoto

Professores relataram sobrecarga de trabalho, adoecimento e assédio para adesão ao REDE


Assembleia também escolheu um delegado e dois observadores ao 8º Conad Extraordinário

Em assembleia realizada nesta terça-feira, 7, os docentes da UFSM aprovaram a confecção de um documento para ser enviado à Administração Central da universidade. O teor do documento é a rejeição à possibilidade de que se inicie o segundo semestre de forma remota e a defesa de que o primeiro semestre apenas seja finalizado após as 15 semanas de atividades presenciais a serem implementadas quando do retorno à presencialidade. O documento será elaborado por uma comissão formada por quatro docentes e também por integrantes do DCE e da Assufsm (que ainda será convidada). Após a finalização do texto, será convocada nova assembleia para que a categoria conceda aprovação. Além deste documento específico, a assembleia docente também deliberou pelo apoio ao documento formulado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFSM) para contribuir na regularização do REDE.

Outra deliberação da assembleia desta terça foi a escolha da delegação que representará a Sedufsm no 8º Conad Extraordinário, a ocorrer nos dias 30 e 31 de julho. Serão os (as) professores (as) Júlio Quevedo (presidente da Sedufsm, delegado), Helio Neis (comissão eleitoral local, observador) e Márcia Morschbacher (Centro de Educação, observadora).

Ensino remoto

A UFSM, desde o mês de março, instituiu o Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) com o objetivo de, em tese, manter os vínculos entre docentes e estudantes. Ocorre que esse regime ainda não foi regularizado junto aos Conselhos Superiores da instituição – tal debate está marcado para ocorrer nesta sexta-feira, dia 10. Tal falta de regulamentação vem gerando muitas dúvidas na categoria docente, que relata inclusive situações de pressão e assédio para aderir à docência em ensino remoto.

Em todas as falas, os docentes destacaram o cenário extremamente sensível reservado à categoria, que hoje enfrenta o medo do vírus e a insegurança no que tange ao trabalho remoto. Dialogar sobre o quanto o trabalho remoto adoece a categoria tem sido uma preocupação da Sedufsm desde o início, conforme relatou o professor Júlio Quevedo, que presidia a mesa da assembleia. Ele lembrou que, ainda no dia 19 de março, a diretoria da seção sindical publicou uma nota em que repudiava a adoção do ensino remoto e reafirmava seu compromisso com a universidade pública. Já no dia 13 de abril, a entidade sindical reuniu-se com a reitoria da UFSM para tratar de questões relativas ao calendário acadêmico e às atividades docentes no período de pandemia. Posteriormente, a diretoria posicionou-se, através de matéria publicada em seu site, favorável à suspensão do calendário acadêmico no que tange ao ensino.

Uma série de lives também foram realizadas tendo por objetivo central debater esta temática. No dia 30 de abril, o sindicato promoveu a live “Educação em rede em tempos de pandemia e o adoecimento dos educadores”; em 25 de maio, o debate virtual “A pandemia e as universidades: o que fazer com o calendário acadêmico?” abordou essa temática a partir de uma perspectiva nacional e, na sequência, no dia 29, o debate esteve mais centrado na questão local, sendo intitulado “A pandemia e o calendário acadêmico da UFSM”. Para o debate do dia 25, inclusive, a reitoria da UFSM foi convidada, porém respondeu com uma negativa ao convite.

Sem planejamento

Everton Picolotto, docente do departamento de Ciências Sociais, lembra que os professores tinham um planejamento para aulas presenciais que caducou de uma hora para outra em face do isolamento social demandado pela pandemia.

“Estamos trabalhando de casa, de nossos ambientes privados, com escritórios improvisados e usando nossos equipamentos. Isso tem ocasionado problemas de saúde físicos e psicológicos. Nossas famílias têm sofrido com isso. Não é normal essa situação. Enquanto estou participando da assembleia tenho meu filho de um ano aqui do meu lado. Crianças têm estado sob nossos cuidados o tempo todo. Nosso trabalho tem sido prejudicado. Foram feitas gambiarras pedagógicas neste primeiro semestre, porque estávamos todos com planos de ensino e planejamento para atividades presenciais, e aí, em pouquíssimo tempo, precisamos nos adaptar para o ensino remoto. Essa é outra forma de ensino para a qual não estávamos preparados. Muitos de nós não tinham a menor ideia de como fazer isso. Foi de uma hora para outra, sem planejamento, sem preparo”, desabafa o docente, ressalvando que não se deve fazer da internet “cenário de terra arrasada”, pois ela oferece muitas ferramentas. Contudo, é preciso planejamento e preparação para utilizá-la de forma pedagógica e assertiva.

Para Márcia Morschbacher, docente do departamento de Metodologia do Ensino, o governo tem aproveitado o período de pandemia para impor derrotas à educação. “A maioria dos cientistas tem comentado que ainda não chegamos ao pico da pandemia e a tendencia é que a situação se agudize ainda mais, porque o governo Bolsonaro expressa, cada dia mais, sua incapacidade de desenvolver políticas efetivas para enfrentar a pandemia, o que nos levará, muito provavelmente, a uma ampliação do período de suspensão de atividades presenciais nas universidades. Usam a pandemia como pretexto para normalizar o ensino remoto, da educação básica ao ensino superior. Nós, como sindicato, precisamos discutir que tipo de jornada de trabalho temos desenvolvido. Estamos submetidos a jornadas de trabalho extremamente extenuantes. E não acho que isso deva ser resolvido de forma individual”, propõe a docente.

Maristela Souza, docente e diretoria do sindicato, lembrou que “no início, disseram-nos que o REDE seria uma forma de mantermos contato com alunos. O círculo foi se fechando, normativas foram vindo, nosso trabalho foi se ampliando muito mais. Hoje a nossa agenda está superlotada de reuniões online, por exemplo”. Júlio Quevedo, presidente da Sedufsm, lembra que a diretoria defende o não início do segundo semestre antes de encerrado o primeiro, e que o primeiro só seja encerrado no retorno às aulas presenciais, com a garantia das 15 semanas de aulas. “Que a resolução dos problemas gerados pelo REDE seja realizada democrática e coletivamente, garantindo que toda a comunidade acadêmica seja ouvida e contribua nesse processo de recuperação”.

Os professores Marcos Piccin, do departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural, e Laura Fonseca, do departamento de Serviço Social, levantaram a possibilidade de que fossem ofertadas apenas disciplinas e atividades consideradas não obrigatórias, e que a adesão tanto de professores quanto de estudantes fosse completamente facultativa. Tal modelo não substituiria a presencialidade.

DCE

A assembleia desta terça teve a presença de Daniel Balin, estudante de Geografia e integrante do DCE UFSM. Ele explicou um pouco sobre como foi o processo de implementação do REDE e quais foram as iniciativas do segmento estudantil para entrar neste debate. Na verdade, desde o início, segundo relato de Balin, não houve debate com os segmentos da universidade que seriam afetados pelo modelo de ensino remoto. Num primeiro momento, o DCE chegou a contatar a reitoria e propor que se aplicasse um questionário via Portal do Aluno visando a entender qual vinha sendo a percepção dos estudantes sobre o REDE. A reitoria negou, e então a entidade estudantil aplicou tal questionário em suas próprias redes sociais.

As cerca de 2.500 respostas ao questionário apontaram, em sua maioria, para a insatisfação dos estudantes com o modelo de ensino remoto. “Comecamos a nos mobilizar para ver medidas e saídas. Elaboramos um plano emergencial, baseado nas discussões feitas em nosso espaço deliberativo – que é o Conselho de Entidades de Base, no qual reunimos os Diretórios Acadêmicos. O plano emergencial tem quatro eixos: atividades acadêmicas, assistência estudantil, situação dos estudantes intercambistas e estágios”. Com o Plano Emergencial, o DCE abriu parecer dentro do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) propondo que o REDE fosse suspenso e que, a partir de sua suspensão, fossem discutidas, de forma ampla com a comunidade acadêmica, saídas que melhor contemplassem as particulares dos estudantes e servidores.

O CEPE, contudo, rejeitou a suspensão do REDE e apontou a necessidade de regulamentá-lo. A reunião do Conselho para discutir as formas dessa regulamentação está marcada para esta sexta-feira, 10. Frente à negativa de suspensão, o DCE convocou reunião com colegiados de curso, em que se fizeram presentes mais de 40 representações. Na ocasião, a entidade estudantil recebeu repasses e, a partir deles, elaborou novo documento, propondo elementos para a regularização do REDE. Esse novo documento recebeu o apoio dos docentes, que votaram, na assembleia desta terça, favoravelmente a seu teor.

Documento à reitoria

Como síntese das mais de duas horas de discussão realizada na tarde desta terça-feira, os docentes encaminharam a elaboração de um documento para ser enviado à Administração Central da UFSM. O documento deve expressar esse cenário de dúvidas, incertezas e assédio sofridos pelos docentes, mas também abarcar as especificidades estudantis e da categoria dos técnico-administrativos em educação. As desigualdades de acesso às plataformas digitais, o adoecimento mental provocado pela pandemia, a sobrecarga de trabalho e as perdas pedagógicas ocasionadas pelo processo de ensino remoto deverão constar no documento, que, depois de pronto, será aprovado por nova assembleia da categoria.

Para elaborar o documento foi organizada uma comissão formada pelos professores João Gilli Martins, Gihad Mohamad, Laura Fonseca e Márcia Morschbacher. Daniel Balin, do DCE, representará o segmento estudantil. A Assufsm, sindicato dos técnico-administrativos, também será convidada a integrar a comissão.

Conad

A assembleia desta terça também tinha como um de seus pontos de pauta a eleição de um (a) delegado (a) e dois observadores (as) para representarem a Sedufsm no 8º Conad Extraordinário. O Conad é o Conselho do ANDES-SN, segundo maior evento do Sindicato Nacional, que ocorre, todos os anos, entre o final do primeiro semestre e o início do segundo. Este ano, o Conad regular foi suspenso, assim como as demais atividades presenciais do ANDES-SN, em função da pandemia. Contudo, o Sindicato Nacional deveria ter realizado eleições nos dias 12 e 13 de maio. Eleições para as quais já haviam duas chapas inscritas: Chapa 1 - Unidade para lutar: em defesa da educação pública e das liberdades democráticas e Chapa 2 – Renova Andes.

Frente à impossibilidade de realizar o pleito, visto que as universidades públicas estão sem atividades presenciais, ambas as chapas escreveram documento à base da categoria docente propondo a prorrogação do mandato da atual diretoria nacional e a realização de um Conad extraordinário para legitimar tal mandato e pensar propostas para a sucessão dentro do sindicato. A partir das deliberações do Conad, a Sedufsm, que também teve seu processo eleitoral inviabilizado, deverá pensar formar locais de encaminhar a questão.

Em assembleia foram eleitos, para representa a Sedufsm no Conad, os seguintes professores: Júlio Quevedo (delegado), Hélio Neis e Márcia Morschbacher (observadores.

Articulação regional

Na parte de informes, o professor Carlos Pires, que integra a Regional Rio Grande do Sul do ANDES-SN, relatou que na manhã desta terça, 7, foi realizada reunião da secretaria regional com representaçõs das seções sindicais do estado. Entre os informes apresentados, conta o professor, todos tinham em comum o desenvolvimento de ações de solidariedade executadas pelas seções nesse período de pandemia, além da realização de debates online. Outra questão que vem perpassando todas as seções sindicais e universidades do estado são as dificuldades enfrentadas com a imposição do ensino remoto. As seções sindicais deverão produzir materiais virtuais sobre essa problemática do calendário e do ensino remoto para serem veiculadas durante a Jornada de Lutas, que ocorrerá nos próximos dias 10, 11 e 12.

Júlio Quevedo, presidente da Sedufsm, informou que no dia 2 de julho houve reunião unificada entre os setores das universidades federais e estaduais do ANDES-SN e que as quase 60 representações das seções sindicais do país também relataram a pressão pelo ensino remoto em suas instituições.

Jornada de Lutas

Entidades, movimentos sociais, partidos políticos e organizações da sociedade civil organizam uma Jornada de Lutas para esta sexta, sábado e domingo (10, 11 e 12 de julho) com o slogan “Fora Bolsonaro e Mourão. Jornada de Lutas para salvar vidas e o Brasil”. A agenda de mobilização prevê assembleias nos locais de trabalho, atrasos na produção, ações nas redes sociais, plenária sindical e popular e manifestações de rua com cuidados sanitários. Saiba mais aqui.

 

Texto: Bruna Homrich

Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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