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10/07/2020   10/07/20 20h32 | A+ A- | 627 visualizações

Que encaminhamento deve ser dado ao REDE na UFSM?

Docentes de diferentes áreas opinam sobre regulamentar essa modalidade de aula remota


UFSM, campus de Santa Maria: retorno das aulas presenciais é uma realidade ainda distante

Desde que foram suspensas as atividades acadêmicas e administrativas na forma presencial, em 16 de março deste ano, em função da pandemia de Covid-19, a gestão da UFSM orientou pelo uso do Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) de forma optativa, tanto para os docentes quanto para os estudantes. O que era para ser optativo, entretanto, pode se tornar oficial a partir da sua regulamentação, tendo em vista que o isolamento social se mantém e não há perspectiva, no curto prazo, de retorno à sala de aula. A regulamentação do Regime Especial foi reivindicada por docentes e confirmada pela reitoria durante a reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) do dia 18 de junho. Essa normatização estava marcada para ocorrer na sessão do CEPE desta sexta, 10 de julho, porém, a quantidade de contribuições vindas das Unidades e Subunidades levou a que a Administração Central cancelasse o encontro.

Há muitas controvérsias em relação ao REDE. Ao mesmo tempo em que o regime remoto foi anunciado como optativo pela pró-reitoria de Graduação, a não suspensão do calendário acadêmico, medida que sempre foi defendida pela Sedufsm, coloca uma pressão para que os conteúdos repassados virtualmente desde março sejam considerados regulares. E é o cerne dessa discussão que o CEPE vai abordar, tentando definir a regulamentação a partir das dezenas de contribuições que chegarão a partir das discussões no interior da UFSM. Antes mesmo de o Conselho definir o futuro (e o passado) do Regime Especial, a Prograd fez uma pesquisa junto aos docentes sobre a adesão, e uma outra com os estudantes, cujos dados do segmento discente ainda não foram disponibilizados.

Afinal, o que deve ser feito? Regulamentar o REDE, validando o conteúdo ministrado até agora? E, em relação ao futuro, no caso de não iniciarem em breve as aulas no modo presencial, o que fazer? O REDE deve ser alternativo ao presencial? Ou deve continuar como optativo e o conteúdo das disciplinas serem repassadas aos estudantes somente após o retorno presencial? Essas são somente algumas, dentre as tantas dúvidas, que assolam docentes e estudantes. Pedimos a opinião de alguns professores, de diferentes áreas, de forma aleatória, sobre o entendimento deles em relação a essas preocupações.

Regulamentação e validação de conteúdos

Para o professor Gianfábio Franco, docente do departamento de Ciências da Saúde (UFSM/Palmeira das Missões), o conteúdo deve ser validado e regulamentado. No entendimento do docente de Enfermagem, essa validação deve ser feita para haver justiça com aqueles que, desde o dia posterior ao início do trabalho remoto “se desafiaram e utilizaram as ferramentas de metodologias”.

Ascísio Pereira, professor do departamento de Fundamentos da Educação (CE) também entende que os conteúdos repassados devem ser validados. Porém, ressalta ele, “há que se garantir aos estudantes que não acompanharam o REDE, plena garantia no retorno ao presencial da realização das disciplinas em que estão matriculados”.

Na ótica da professora Valeska Fortes de Oliveira, do departamento de Fundamentos da Educação (CE) e diretora da Sedufsm, a UFSM deveria ter “cancelado o calendário como outras IES fizeram”. Contudo, para ela, “como trabalhamos remotamente, mesmo precariamente, precisamos validar o que fizemos e pensarmos em todas as dificuldades que ainda não avaliamos totalmente, porque são muitas e de várias ordens, inclusive a dificuldade de acesso e de rede de internet precária”.

Márcio Rossato Badke, professor do departamento de Enfermagem da UFSM/Santa Maria, não acredita ser viável a regulamentação e validação do conteúdo que foi ministrado através do REDE, pois “nem todos tiveram acesso às atividades propostas”.

O professor do DEAER (Centro de Ciências Rurais), Clayton Hillig, também pró-reitor de Assuntos Estudantis, percebe que há divergências sobre o tema do regulamentar/validar o Regime Especial. Para ele, no entanto, a partir do que está sendo colhido nos segmentos, através das pesquisas, com docentes e discentes, e também com a coleta de opiniões nas Unidades e Subunidades, se conseguirá construir uma boa solução.

Para o historiador, docente do departamento de Turismo (CCSH), Gilvan Dockhorn, a situação é complexa, mas, considerando “as realidades distintas vivenciadas na UFSM, com professores da graduação que não utilizaram o REDE, e professores da pós-graduação que seguiram com suas aulas, e mais o ensino médio que, majoritariamente, manteve atividades”, ele entende que “os conteúdos ministrados até aqui devem ser registrados, mas o semestre não deve ser finalizado”.

Hugo Gomes Blois Filho, professor do departamento de Arquitetura (CT), argumenta que “o conteúdo ministrado no REDE deve ser validado como Atividade Complementar de Graduação e, não, como conteúdo de disciplinas da grade curricular dos cursos da UFSM”. Na visão dele, “qualquer alternativa direcionada à validação deve considerar, as desigualdades e especificidades do corpo discente e docente.

Já a professora Janaina Gomes, do Decom (Departamento de Ciências da Comunicação), do campus da UFSM em Frederico Westphalen, é bem objetiva. Para ela, a UFSM deve regulamentar o REDE, validando os conteúdos repassados. Na ótica da docente, o REDE deve ser implementado como alternativa ao presencial e não continuar apenas como optativo.

O professor do departamento de Geociências (CCNE), Adriano Figueiró, entende que o verbo a ser usado não é “deve” regulamentar. Na visão do docente, a UFSM, no caso, os colegiados de curso, “podem" regulamentar ou validar as atividades do REDE. Entretanto, diz ele, isso depende da” natureza da disciplina, do número de alunos que participaram e dos resultados alcançados pelo professor”. E acrescenta: “Quando falamos de professores que fizeram uso do REDE, parcial ou total, estamos falando de uma diversidade muito grande de ações, desde aqueles que, assim como eu, apenas enviaram material para que os alunos fossem utilizando no período para se ambientar na disciplina, até aqueles professores que desenvolveram aulas síncronas com mais da metade da turma presente”.

Para Figueiró, a questão não é simplesmente validar ou não validar. “É preciso ver o que é que pode ser validado e o quanto. E, mais além disso, é preciso pensar como é que recuperaremos com os alunos que por opção ou condição não estiveram presentes nesta modalidade”.

Reunião do CEPE do dia 18 de junho definiu por regulamentar o REDE


Futuro sem aula presencial: REDE deve seguir apenas optativo?

Quando se fala sobre o futuro, e esse futuro é logo ali, pois no mês de agosto já deveria iniciar o segundo semestre letivo, o que fazer? Seguir com o Regime de Exercícios Domiciliares Especiais e as aulas suspensas, ou tornar o REDE obrigatório, passando a ser uma alternativa às aulas presenciais?

Na ótica da professora Valeska Fortes de Oliveira (CE) “o segundo semestre deveria ter seu calendário cancelado” e, neste caso, a saída poderia ser “a organização de atividades, cursos, eventos incluindo nossa comunidade (UFSM), as escolas, os movimentos sociais, valorizando nossa história de pesquisa e extensão”. Valeska diz que “precisamos exercitar nossa imaginação sociológica e epistemológica para criarmos outros modos de ser e viver a Universidade”.

O REDE, quando foi proposto, não tinha a intenção de substituir o ensino presencial, entende o professor Hugo Blois Filho (CT). “Apresentou-se como alternativa para evitar o distanciamento do aluno. Penso que, não se pode pensar na implementação do REDE em substituição ao ensino presencial, considerando os recursos técnicos e materiais disponibilizados tanto para alunos quanto para professores”, analisa. Para Blois, o número de alunos que aderiu à proposta é bastante baixo, por isso, “julgo prudente que a Administração Central considere estes baixos percentuais quando submeter (a regulamentação do REDE) à apreciação do CEPE”.

Para Gilvan Dockhorn (CCSH), “o calendário acadêmico deve ser revisto e o REDE deve continuar como optativo”. Na visão do docente, “o ideal seria criar uma comissão para analisar os casos, e os colegiados departamentais e a posição das representações estudantis são essenciais para isso, para então definir as possibilidades para o ano de 2020, levando em consideração a qualidade do processo ensino-aprendizagem, considerando o impacto e a precarização do trabalho remoto a que estão submetidos os técnico-administrativos, docentes e discentes”.

Márcio Rossato Badke (CCS-SM) acredita que o REDE pode ser uma alternativa ao presencial “somente se for oportunizado o acesso a todas e todos”. E, mesmo assim, se esse uso se restringir às disciplinas teóricas, enfatiza. Para o docente, “as práticas deverão ser realizadas somente presenciais”. 

“O REDE não deve ser implementado como alternativa ao presencial, pois já temos ensino a distância na Universidade e se caracteriza de outra forma, já tendo garantias legais para se realizar, não interferindo no presencial”. Essa é a visão do professor Ascísio dos Reis Pereira (CE). Em virtude disso, pondera, o REDE “tem que ser pensado como alternativa e não como solução final ou permanente”.

Na forma de pensar do pró-reitor e docente do CCR, Clayton Hillig, manter o REDE optativo ou colocá-lo como alternativa ao presencial “é uma questão bastante polêmica”. Para ele “é difícil tomar uma posição sem ouvir todos os segmentos em sua diversidade” e acrescenta: “As legislações emitidas recentemente apontam no sentido da adoção de atividades de ensino remotas nas IFES. É uma questão para ser intensamente debatida no conselho superior, a fim de garantir, em especial, as condições de igualdade sócio educacional, e ainda as possibilidades de capacitação e facilitação do acesso à internet, tanto por docentes como discentes”.

Respondendo às mesmas inquietações que os (as) demais, o professor Gianfabio Franco (CCS-PM) avalia que “o REDE deve ser implementado como alternativa ao presencial somente para as atividades teóricas”. No seu modo de ver, quem conseguiu ou conseguir utilizar as plataformas, que tenha seus conteúdos repassados, validados. “Quem assim não conseguiu, que inicie, ou retome de onde parou”.

Regime híbrido?

Fazendo avaliação sobre o que fazer quanto ao futuro do REDE, o professor Adriano Figueiró (CCNE) não percebe o REDE como uma alternativa que possa substituir o presencial. Todavia, acredita na possibilidade de que possa ser estabelecido um “regime híbrido”, até que a condição presencial retorne em seu sentido pleno. Para o docente, em que pese todas as dificuldades de professores e alunos incorporarem os instrumentos tecnológicos no processo de ensino-aprendizagem “parece que existem potenciais que estamos descobrindo e que dificilmente serão abolidos no futuro, mesmo após a pandemia”. E ele segue com um exemplo: “na pós-graduação, temos hoje a tranquilidade de saber que podemos oferecer disciplinas eventuais de forma remota com os melhores especialistas do Brasil ou do mundo, sem que tenhamos que desembolsar o dinheiro que os Programas não têm para passagens e hospedagens aos professores, afora o fato de que é mais fácil conseguir encaixar a agenda dos professores quando eles não precisam se ausentar de suas instituições por um tempo longo”.

E, mesmo em relação à graduação, o maior empecilho neste momento, segundo Figueiró, é a exclusão digital de muitos alunos. Mas, argumenta o docente, ao retornar em um ritmo semipresencial, “penso que a universidade deve dar prioridade para equipar grandes laboratórios de informática para dar acesso, com segurança e distanciamento, aos alunos que não têm computador em casa, o que permitiria, inclusive, que muitos professores que fazem parte do grupo de risco pudessem realizar atividades didáticas de casa, mesmo que os alunos já tenham retornado presencialmente”.

E o professor finaliza a ideia: “não acho que seja uma questão ufanista de achar que o REDE resolve todos os nossos problemas, mas, também não acho que ajude de nada ficar demonizando esta possibilidade, enquanto aguardamos com angústia e ansiedade o desfecho dessa pandemia. Tudo leva a crer que no ano que vem teremos uma vacina viável, mas enquanto isso não acontecer, não passa de uma hipótese. Lembremos, por exemplo, que o vírus da AIDS não tem vacina até hoje. E se a vacina do COVID só vier em 2022? Vamos continuar alimentando esta ilusão de um retorno ao velho normal?”, questiona.

 

Texto: Fritz R. Nunes

Imagem: UFSM

Assessoria de imprensa da Sedufsm



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