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20/07/2020   20/07/20 19h28 | A+ A- | 1028 visualizações

Rio Grande do Sul tem aumento de 1500% em mortes por SRAG

Em Santa Maria, entre os meses de março e junho, 74 pessoas morreram pela síndrome respiratória


Em 2019, RS registrou 129 óbitos por SRAG. De março a junho de 2020, já foram 2.042

Apenas durante os meses de março, abril, maio e junho, o Rio Grande do Sul registrou 2.042 óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Em todo o ano de 2019, o número de óbitos pelo mesmo motivo ficou em 129. Isso significa que, do ano passado para cá, houve um aumento de quase 1.500% nas mortes por SRAG no estado.

Em Santa Maria, nesses mesmos quatro meses de 2020, foram registrados 74 óbitos por SRAG. Durante todo o ano passado, a cidade não havia contabilizado um óbito sequer em decorrência da doença. Nem em 2018.

E essa é a situação do Brasil como um todo. Junto ao aumento das mortes por Covid-19 – que, nesta segunda-feira, 20, totalizaram 79.533 -, cresce espantosamente o número de óbitos pela SRAG. Esses números estão apontados no estudo mais recente publicado pelo Observatório da Covid-19 na UFSM, iniciativa que reúne pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento, a exemplo de Rivaldo Faria, docente do departamento de Geociências, para quem os números relacionados à SRAG no ano de 2020 são “astronômicos”.

Ele explica que, desde 2009, em decorrência do vírus Influeza A (causador da gripe H1N1), o Ministério da Saúde mantém uma plataforma digital para monitorar as internações hospitalares e os óbitos por SRAG. Alguns anos depois, a plataforma expandiu seu escopo de análise, passando a mapear, também, outros tipos de vírus, a exemplo do adenovírus e do parainfluenza. Este ano, ainda no mês de fevereiro, a plataforma incluiu o monitoramento do SARS-CoV-2, causador da Covid-19.

A partir desta plataforma, diz Faria, vem sendo possível compreender que os óbitos por SRAG no Brasil têm aumentado significativamente. A hipótese é de que boa parte desses óbitos tenha como agente causador o vírus responsável pela Covid-19. Acompanhe aqui o trabalho do Observatório da UFSM. 

Evolução da SRAG no RS

Em 2019, o estado registrou 129 óbitos por SRAG. Em 2018, 97. Em 2017, 112. Em 2020, junto à pandemia de coronavírus, esse número aumentou para 2.042. Desses óbitos registrados ao longo de março, abril, maio e junho deste ano, 617 (registrados até o final de junho) foram classificados como decorrentes da Covid-19. Isso quer dizer que, nessas 617 pessoas que faleceram, foram realizados exames que detectaram a doença e levaram a que essas mortes fossem oficialmente registradas como em decorrência da pandemia. Então, o número de mortes por Covid-19 está dentro do número de mortes por SRAG, uma vez que a primeira também é uma síndrome.

Ainda que se subtraia, desses 2.042 óbitos, os 617 (até final de junho) atribuídos oficialmente à Covid-19, ainda restam 1.425 óbitos por SRAG no estado. Desses 1.425, 4 foram ocasionados por Influenza (provavelmente H1N1) e 9 têm outros agentes etiológicos. Contudo, ainda assim, restam 1.412 casos de óbitos por SRAG no estado. Óbitos que não tiveram seus agentes etiológicos (ou seja, agentes causadores) especificados.

“Tudo indica que boa parte desses 1412 óbitos possam ter sido ocasionados pela Covid-19, não tendo sido registrados como Covid-19, mas apenas como síndrome.  Na verdade, o que temos é uma subnotificação muito grande por falta de exame nos casos de óbitos provocados por SRAG. O caminho que estamos indicando para o estado e o município é de que seja feito o exame dos óbitos. Precisamos aumentar o número de exames para determinar com precisão qual é o agente etiológico da síndrome respiratória. Nossa hipótese é de que esse agente, bem possivelmente, seja a Covid-19, já que o aumento no número de mortes por SRAG é anormal, a não ser que a gente tenha outro vírus circulando no estado, o que é improvável. O único vírus que não existia nos anos anteriores é o vírus da Covid-19”, comenta o docente e integrante do Observatório. Ele acrescenta que o número de mortes por SRAG em 2020 é “astronômico” em relação aos anos anteriores não só no Rio Grande do Sul, mas no restante do país. “O Brasil todo precisa aumentar sua capacidade de testagem dos óbitos por SRAG”.

Dadas as limitações existentes, o  Observatório da UFSM restringiu sua análise à questão dos óbitos por SRAG, excetuando os casos de internação que resultaram em pacientes recuperados.

Evolução da SRAG em Santa Maria

Faria ainda comentou, a partir dos mapas formulados pelo Observatório, a respeito da situação de Santa Maria. O município, que ao longo de todo o ano de 2019 não havia registrado nenhuma morte por SRAG, contabilizou, só entre os meses de março, abril, maio e junho deste ano, 74 óbitos devido à síndrome. Esse número, em 2017, havia sido de um óbito; em 2016, de 6; em 2015, de um.

Desses 74 óbitos por SRAG ocorridos até o final do mês de junho devem ser descontados os 21 óbitos por Covid-19. Ainda assim, restariam 53 mortes pela síndrome que necessitariam de serem melhor investigadas, uma vez que a elas não se atribuiu nenhum agente etiológico.

Santa Maria ocupa a quarta posição no ranking de municípios que mais apresentaram óbitos por SRAG no estado do Rio Grande do Sul entre os meses de março e junho. Em primeiro lugar está Porto Alegre; em segundo, Canoas; em terceiro, Caxias do Sul; em quarto, Santa Maria. “Estamos à frente de vários municípios de porte relativamente grande da região metropolitana, como Novo Hamburgo, Gravataí, Alvorada. Também estamos à frente de Rio Grande e Pelotas. Ocupar o quarto lugar nesse ranking é um indicativo de que Santa Maria precisa investigar melhor seus óbitos”, opina Faria.  

Eixos de concentração

Os mapas elaborados pelo Observatório mostram que, em termos geográficos, a mortalidade por SRAG acompanha a mortalidade da Covid-19. Isso significa que, onde tem mais números de Covid-19, há mais óbitos pela síndrome respiratória. Há três eixos de contaminação no Rio Grande do Sul. O eixo de maior concentração em número de casos é o que vai da capital à serra e da serra ao norte e ao noroeste do estado. O segundo eixo é o que vai da capital até Santa Maria, atingindo a região central. Já o terceiro é o que desce até Pelotas, Bagé, Santana do Livramento e toda a região sul. “Esses eixos se encontram no centro do estado. Santa Maria é um ponto de convergência de todos esses eixos de expansão”, esclarece o docente do departamento de Geociências.

População idosa

De posse dos dados relativos aos óbitos por SRAG no estado durante os meses de março a junho, o Observatório realizou cruzamentos que apontaram para alguns recortes acerca desses óbitos. Um deles diz respeito à taxa de mortalidade entre a população idosa, muito maior que a taxa de mortalidade entre a população de crianças, adolescentes e jovens adultos.

Em 2020, a taxa de mortalidade por SRAG em pessoas com 60 anos ou mais vem ficando na casa de 81 por mil. Essa mesma taxa na população de 0 a 14 anos é um pouco abaixo de 2,5 por mil. Faria explica que a SRAG de fato costuma atingir mais fortemente a população idosa, mas que a variação dessa taxa indica valores de contágio, entre a população idosa, muito elevados e fora de qualquer previsibilidade histórica.

Negros e indígenas morrem mais

Outro recorte oportunizado pelas análises do Observatório é com relação aos óbitos por SRAG entre a população negra, que vem morrendo mais em decorrência da síndrome. A taxa de mortalidade entre negros e negras chega a 18,6 por mil. Em 2019, tal taxa era de 1,3.

A população indígena também vem morrendo a passos acelerados, apresentando taxa de mortalidade de 14,4 por mil.

Educação formal

Há também discrepância na taxa de mortalidade das pessoas com diferentes níveis de educação formal. Entre a população analfabeta ou com baixa escolaridade, a taxa é de mais de 20 por mil. Já entre a população que possui ensino superior, essa taxa diminui para 2,4 por mil.

Inverno

Faria destaca mais alguns elementos que considera bastante preocupantes no Rio Grande do Sul. Um deles é o clima, marcado, nessa época do ano, por um inverno rigoroso. Os dados avaliados pelo Observatório, embora mostrem taxas altíssimas de óbitos em comparação com anos anteriores, expressam a situação do estado apenas até o final de junho. Contudo, de lá para cá, o frio aumentou. “Bem provavelmente, em julho, esses números estejam aumentando vertiginosamente, impulsionados até mesmo pelo inverno”, comenta.

Aliado ao inverno rigoroso, o Rio Grande do sul tem, proporcionalmente, a maior população idosa do Brasil. Cerca de 18% da população do estado tem 60 anos ou mais. “Em o estado tendo o inverno mais rigoroso e a população mais idosa, essa equação, associada ao momento de aumento do número de óbitos por Covid-19 e SRAG, pode ser bastante perigosa para o Rio Grande do Sul. Embora o estado tenha um sistema de atenção mais eficiente que as regiões norte e nordeste, aqui temos peculiaridades sociais e geográficas bastante importantes", frisa o docente.

O que esses números revelam?

Para Faria, todos esses números apontam para uma confluência entre o aumento do número de mortes por SRAG e a pandemia de coronavírus.

“Em outras palavras, esses números nos dizem que 2020 tem uma epidemia incomum de SRAG, pois números assim não foram encontrados na série histórica desde 2009, quando passamos a monitorar a síndrome. Temos valores numéricos muito acima e boa parte desses óbitos não têm uma classificação etiológica, então é necessário aumentar a testagem. Além disso, há claramente uma delimitação social nos óbitos: morre mais a população preta, indígena e com baixa escolaridade”, analisa o docente.

Ao final do mês de julho, o Observatório deve atualizar esses dados.

 

Texto: Bruna Homrich

Imagens: Observatório de Informações em Saúde UFSM

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 

 

 



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