Luiz Carlos Nascimento da Rosa Professor aposentado do departamento de Metodologia do Ensino do CE
A atividade de refletir sobre a nossa condição nos diferentes espaços do viver, para além de manter a sanidade mental, deveria se instituir como lugar comum ou coisa corriqueira.
Para estarmos, com alma e corpo, inteiramente naquilo que fazemos, temos a obrigação de fazermos as coisas bem feitas e nos mantermos atentos às nossas formas de inserção nas diferentes instâncias da vida prática.
Devemos, a bem da verdade, dar vida à unidade entre teoria e a prática. É na práxis que somos capazes de viver inteiramente. Essa é uma condição ética daqueles seres humanos que vivem intensamente e não se dão ao desfrute de passar o tempo e deixar passar a vida. Estou dizendo isso porque nós, professores da UFSM, estamos vivendo um tempo especial. Estamos construindo um movimento nacional de greve. Nossa pauta de reivindicação é: plano de carreira e condições de trabalho.
Não estamos pleiteando um índice de reajuste para nossos salários. Nossa greve não está pautada num fundamento, meramente, econômico. Apesar de existirem razões e injustiças econômicas, estamos lutando por dignidade no presente e condições para um bom viver no futuro. Apesar de existir alguns discursos estapafúrdios que afirmam que greve é démodé, um instrumento fossilizado, para nós da SEDUFSM/ANDES, só existem duas possibilidades dos trabalhadores possuírem garantias: negociação e greve.
Esgotamos todas as possibilidades de negociação. Por descaso ou intransigência do governo só nos restou a greve. As Razões econômicas do governo não podem justificar injustiça e descaso com os trabalhadores da Educação.
A psicanalista e cronista Maria Rita Kehl afirma: a palavra cava um buraco no muro do silêncio, ou de crenças pétreas, que obscurece a visão das raízes do sofrimento social. Nós, professores universitários da UFSM, com muita dignidade, temos nosso trabalho, nosso conhecimento, a palavra e nosso movimento de greve para arrombar o mundo de silenciamentos, exclusões e injustiças que se petrificam em nosso sofrido tecido social. Estamos no dia a dia da UFSM debatendo, refletindo e discutindo a greve.
Estamos discutindo sobre nossas condições de trabalho e de carreira. Queremos qualificar as atividades dos trabalhadores em educação. Queremos construir uma sociedade justa e solidária. Parafraseando Clarice Lispector, eu diria que temos conhecimento de nossos medos bobos, mas pautemos nossas vidas em nossa coragem absurda.
(Publicado no Diário de Santa Maria de 6 de junho de 2012)