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O fim e as dores que nos restam

01/12/2021

Rondon de Castro
Professor do departamento de Ciências da Comunicação da UFSM

Depois de oito anos e alguns meses, os quatro réus do caso Kiss serão julgados. Deverão ser condenados, acredito, mas não serão eles que serão punidos, por maior que seja a pena que lhes seja imposta pelo judiciário.  Os condenados serão os pais, familiares e a própria sociedade.  Eles é que serão condenados a se confortar com o vazio emocional que trará a condenação dos réus...De uma hora para outra, os homens encarregados por julgar dirão que nada mais se pode fazer além da sentença final. 

A realidade é que as vidas das 242 vítimas não serão devolvidas e nada mais restará além da saudade.  A justiça não trabalha pela reparação, mas pelo equilíbrio social. A morte não pode ser reparada porque é definitiva, não há retorno.  Junto a isso, a questão que a justiça burguesa se caracteriza na defesa do patrimônio e não prioritariamente da vida individual. Defende coletivamente o patrimônio e individualmente o cidadão.  Não é sem razão que sobraram apenas quatro réus de uma miríade de outros responsáveis. 

Nenhum evento involuntário ou aleatório ocorre sem uma sequência de fatos, e em cada etapa, alguém apertou o botão.  Alguém permitiu que a boate fosse aberta ali, alguém disse que a espuma inadequada serviria, alguém definiu que havia segurança de funcionamento... alguém achou que nada ocorreria... O judiciário tomou quatro em meio a outros justamente por causa do equilíbrio.  Não importa o cumprimento da justiça justamente por que a justiça seria a devolução da vida e isto é impossível. Muito menos é indiciar setores da sociedade que comprometam ou exponham a fragilidade do sistema de favorecimento de classes...da burguesia.

Serão quatro condenados (ou não) que receberão o peso de serem os culpados. E o são e cada um agiu de modo a favorecer à tragédia.  Mas a justiça não será feita porque se fosse cumprida ela seria preventiva e todos os fatores que causaram os assassinatos seriam evitados.  Cada degrau galgado até o 27 de janeiro de 2013 foi causado por que alguém não viu no judiciário a ação punitiva da lei.  Os agentes ignoraram a vida e os quatro se sentiram seguros em fazer o que fizeram.  A priori, não haverá justiça, mas a espetacularização do fazer justiça.

No fim, o bater do martelo terminará com o caso, evitará a continuidade da comoção em torno das perdas...e cada um voltará para casa com sua dor. A sociedade estará protegida do cumprimento da justiça e tudo continuará como sempre foi. Na época, pintamos as ruas com silhuetas de pessoas...foto que percorreu o mundo.  O tempo apagou essas marcas.  É isso que se pretende.  Nada mais.

 




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