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26/03/2013   26/03/2013 19h56m   | A+ A- |   772 visualizações

Greve em escola kaingang de Santa Maria

Protesto se deve à falta de apoio de órgãos governamentais

Escola, que funcionava de forma improvisada, neste momento encontra-se fechada
Escola, que funcionava de forma improvisada, neste momento encontra-se fechada

Deficiências estruturais no acampamento e falta de diálogo das autoridades com a comunidade kaingang, bem como falta de acompanhamento ao trabalho do cacique e professor Natanael Claudino, levaram os indígenas acampados no terreno próximo à estação rodoviária de Santa Maria a não iniciarem o semestre letivo na escola do acampamento. Reunidos, os membros da comunidade deliberaram pela greve, numa tentativa de cobrar maior responsabilização do estado do Rio Grande do Sul para com a educação das crianças indígenas.

Matias Rempel, membro do Grupo de Apoio aos Povos Indígenas (Gapin), explica que, apesar da vitória conquistada em 2012, quando foi divulgado no Diário Oficial da União que a escola seria implementada, as condições de funcionamento estão longe de ser satisfatórias. A pequena casa onde hoje se instala a escola, inclusive, deveria estar sendo utilizada como moradia pelos kaingang, mas teve de servir de abrigo à sala de aula, obrigando alguns dos indígenas a voltar a morar em lonas.

A falta de condições mínimas para garantir a qualidade da educação, como energia elétrica, refeitório, banheiro e merenda, que não estão disponíveis, levou a um consenso por parte da comunidade de que isso compromete e debilita a formação das crianças. Para João Heitor, coordenador de educação do Gapin, a situação dos kaingang está ainda pior do que antes, pois agora eles possuem o direito à escola, mas a estrutura deficitária não permite que as crianças desenvolvam a educação bilíngue.

E não é apenas a educação infantil que vem sendo prejudicada pelas precárias condições de vida no acampamento. O projeto Educação para Jovens e Adultos (EJA), apesar do interesse dos indígenas mais idosos, não pode ser desenvolvido, pois com a falta de instalações elétricas, não tem como ser ministrado no turno da noite.

O papel da CRE

Além dos problemas infraestruturais, a falta de apoio da Coordenadora Regional de Educação (CRE) ao professor, e também cacique kaingang, Natanael Claudino, é considerado um fator que prejudica o projeto de escola indígena que se pretende construir, pois, nem para a contratação de professores ou planejamento de planos de aula, a comunidade é consultada.
Matias Rempel conta que Natanael nem ao menos foi informado do calendário letivo escolar de 2013. “Entendemos que a educação indígena é específica e deve ser transformada à luz do método da própria comunidade, mas a comunidade não está participando do processo pleno... e o processo pleno vai desde a contratação dos professores, do diretor, do corpo que vai constituir a escola, até a metodologia que a escola vai aplicar”, diz.

Segundo o Gapin, esse também é um problema enfrentado pelos indígenas Guarani de Santa Maria, que possuem uma escola, mas ainda sequer descobriram o nome da professora contratada de forma discricionária pela CRE. “A CRE colocou dois professores não indígenas para lecionarem nas escolas Kaingang e Guarani. O primeiro erro é que a Coordenadoria selecionou esses professores a sua vontade, não ocorrendo uma discussão prévia com as comunidades. Então, os professores chegam lá sendo corpos estranhos. O segundo erro é: qual a capacitação que esses dois profissionais tiveram? Já que eles foram escolhidos dentro da Coordenadoria, quem de lá está dialogando com a base da comunidade?”, questiona Rempel.

Educação de base

Conforme o coordenador do Gapin, Matias Rempel, a educação indígena é de base, não bastando apenas envolvimento entre professor e alunos, mas inserção de toda a comunidade no processo. “Se você chegar e colocar uma educação de cima para baixo, com a ideia de que o professor é capacitado para ensinar e aqueles que estão ali nada sabem, não vai funcionar. A reivindicação dos guaranis, por exemplo, é de que a comunidade converse com o professor e tenha acesso à aula”, explica.

O secretário de educação do Gapin, João Heitor, esclarece que todas as coordenadorias regionais devem ter uma assessoria de diversidade cultural e, dentro da assessoria, uma pessoa responsável pela educação indígena, pois é uma das modalidades. A CRE, em Santa Maria, não apresenta esse responsável. “Tem que ter uma pessoa da CRE que vá à comunidade ouvir os indígenas. O Natanael deveria ter um acompanhamento pedagógico, uma pessoa com conhecimento de legislação. Existe a necessidade do professor ser assessorado. É necessária a estrutura da CRE junto a ele fazendo a assessoria burocrática, técnica, pedagógica, para que ele vá para a sala de aula e faça o papel dele de interlocutor da cultura kaingang, dando a educação bilíngue. Na questão mais pedagógica, o estado subsidia ele. Temos visto que o estado está falho. Tem coisas que a comunidade teve que fazer, pois o estado não iria fazer. Só que a comunidade tem seu limite físico, estrutural, financeiro”, diz João Heitor.

Numa tentativa de tentar suprir a necessidade de representação junto à CRE, representantes Kaingang, Guarani, do Gapin e do Conselho de Missão Entre Índios (COMIN) foram até a CRE, no dia 26 de fevereiro deste ano, levar a reivindicação das comunidades quanto à criação de um Conselho de Educação Indígena. Esse conselho, se oficializado pela CRE e Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), daria a oportunidade para os indígenas se reunirem e deliberarem sobre sua educação.

Os representantes do Gapin também afirmaram que as comunidades vão buscar, dentro dos próximos dias, uma reunião com o Cpers para discutir a situação das escolas e um apoio político mais efetivo.

Texto: Bruna Homrich (estagiária)
Foto: Arquivo/Sedufsm
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

 

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Escola, que funcionava de forma improvisada, neste momento encontra-se fechada

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