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26/11/2021   29/11/2021 15h26m   | A+ A- |   250 visualizações

Política de gênero na universidade ainda precisa vencer modelos rígidos

GT da Sedufsm promoveu roda de conversa sobre o tema, na quinta (25), com Márcia Paixão e Fernanda Staniscuaski

Fernanda: maternidade não é problema; problema é um modelo institucional que não respeita a diversidade
Fernanda: maternidade não é problema; problema é um modelo institucional que não respeita a diversidade

Desde o dia 29 de outubro, a UFSM tem oficialmente uma Política de Igualdade de Gênero, que foi aprovada pelo Conselho Universitário, depois de ter passado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE). Nesta quinta, 25, o Grupo de Trabalho da Sedufsm de Políticas de Classe, questões Étnico-Raciais, Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), promoveu uma roda de conversa virtual justamente para problematizar “Os desafios para a política de gênero na UFSM”.  

A abordagem foi feita pelas convidadas, professora Márcia Paixão (departamento de Fundamentos da Educação da UFSM), e a professora Fernanda Stanicuaski (departamento de Biologia Molecular da UFRGS), fundadora e coordenadora do projeto Parent in Science. A coordenação da atividade foi da presidenta da Sedufsm, professora Laura Regina da Fonseca, que contou ainda com duas intérpretes de Libras: Mariléia Stolz e Rosana Roso Rocha Cezar.

Márcia Paixão foi a primeira destacar a importância de a instituição ter uma política de igualdade de gênero, que foi construída por muitas mãos e braços, depois de diversas reuniões com a comunidade interna, processo no qual teve participação ativa. Segundo a docente, somente mais recentemente, em 2016, é que a temática passou a ter uma face institucional, ganhando corpo, até chegar nas instâncias decisórias este ano, após uma parada devido à pandemia. Contudo, na visão de Márcia, o arcabouço está construído, mas é preciso que saia do papel para a prática.

Eixos, desafios e redes de apoio

O documento aprovado tanto no CEPE como no Consu é integrado por eixos, explica Márcia Paixão. Esses eixos demandam ações específicas, como por exemplo, para quem sofreu violência de gênero, mas, ao mesmo tempo, de um processo de formação para a igualdade de gênero, em todos os âmbitos da universidade, simultaneamente.

Ao todo são três eixos integradores dessa política: Promoção da Igualdade de Gênero – ações permeadas por vieses educativos e preventivos; Enfrentamento e Responsabilização em Casos de Violência – ações para acompanhar e combater violências ocorridas nas instâncias e espaços da instituição -; Assistência – através de iniciativas que acolham e amparem as mulheres que tenham sofrido algum tipo de violência.

Na lâmina apresentada pela docente, ela enfatizou bastante a questão do processo formativo. “A formação precisará ter muita visibilidade para que as pessoas e os setores compreendam a urgência e a importância da dimensão da igualdade de gênero nas relações de trabalho”. Da mesma forma, “compreendam a crueldade do sistema patriarcal que subordina as mulheres”, além de “compreender os privilégios de raça e de classe que produz racismo e desigualdades”.

Márcia pondera que a disputa de poder na instituição não deve e não pode ser desconsiderada. No texto apresentado por ela, a ênfase: “para que as ações sejam justas e igualitárias nos espaços de poder da UFSM é necessário que a dimensão da igualdade de gênero faça parte da visão de mundo das pessoas e da gestão nos momentos de decisões”. E complementa: para que isso aconteça, vai ser preciso “muitas redes de apoio”.

Academia e parentalidade: questão central

Fernanda Stanicuaski, integrante do departamento de Biologia Molecular da UFRGS, e uma das 17 cientistas que coordenam o Parent in Science, iniciou sua exposição parabenizando a UFSM pelo avanço ao aprovar uma política de igualdade de gênero. Ela explicou de que trata o projeto do qual participa, que iniciou com um número bem pequeno de pessoas junto às universidades, e que hoje já reúne cerca de 90 cientistas. O movimento tem embaixadoras (es) nas universidades, o que inclui a UFSM, onde a representante é a professora Milena Freire, do curso de Publicidade e Propaganda.

Na ótica da docente, a parentalidade é uma “questão central na academia”, já que a produtividade das mães é muito afetada, havendo redução do número de publicações no período da maternidade. Para Fernanda, salvo os resultados de mobilizações em períodos recentes, sempre foi vista com normalidade a ausência de uma política de apoio à parentalidade.

Agora, depois de mobilizações, pressões, a demanda levantada pelo Parent in Science foi acatada pelo CNPq, um dos órgãos de fomento à pesquisa do país, e com isso, passou a constar nos editais um espaço a ser preenchido como “licença”, o que permite às mulheres-pesquisadoras “existirem” oficialmente enquanto mães. Em sua fala, Fernanda Stanicuaski fez questão de dizer que a pandemia foi um momento ainda mais negativo para as mulheres, tendo em vista que muitos dos direitos já alcançados, retrocederam.

Modelo rígido X diversidade

Já no momento destinado às questões de internautas, a coordenadora da roda de conversa, professora Laura Fonseca, lembrou que o evento acontecia num dia bastante significativo, já que 25 de novembro é o Dia Internacional de Combate à Violência cometida contra as mulheres. A presidenta pediu comentários das convidadas em relação ao fato de que a universidade reproduz quase que fielmente o modelo engessado das instituições de fomento, o que afeta duramente as mulheres.

Fernanda Staniscuaski concordou que o modelo estabelecido é rígido e linear, e, com isso, não há respeito à diversidade. “O modelo é feito para que você faça graduação, mestrado e doutorado. Qualquer desvio é inaceitável”. Dessa forma, avalia ela, o retorno à carreira pelas mulheres, após a maternidade, é algo que não existe. “A maternidade não é um problema. O problema é a instituição pensar que todo mundo deve seguir um mesmo modelo”, complementou a docente.

Seguindo no mesmo viés de discussão, Márcia Paixão considerou que uma visão de linearidade acaba por prejudicar a diversidade na instituição. Para ela, é importante que o (s) sindicato (s) possa (m) contribuir nesse debate, levando em conta também aspectos relacionados à carreira docente, sendo que o fato de a Sedufsm ter uma presidenta, para Márcia, “faz a diferença”.

Durante as considerações finais, todas as participantes enfatizaram que o debate não está encerrado, tendo em vista que existir uma decisão institucional de estabelecer uma política de igualdade de gênero não significa que a mesma está pronta. “Sigamos construindo redes de apoio”, defendeu Márcia.



 

Confira a íntegrada roda de conversa virtual:

 

Texto e imagens (prints): Fritz R. Nunes
Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

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