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27/09/2022 18h08m   27/09/2022 19h10m   | A+ A- |   606 visualizações

XXIII Encontro da Regional RS do ANDES-SN debate democracia e educação

Sedufsm participou da atividade, que aconteceu em Osório, no final de semana de 23 e 24 de setembro

Multicampia, Reuni Digital e intervenções na reitoria estão dentre os assuntos que devem ser aprofundados pelas seções sindicais do estado
Multicampia, Reuni Digital e intervenções na reitoria estão dentre os assuntos que devem ser aprofundados pelas seções sindicais do estado

A Regional Rio Grande do Sul do ANDES-SN esteve reunida nos últimos dias 23 e 24 de setembro, no campus de Osório do IFRS, para realizar seu XXIII Encontro. O objetivo foi discutir temas como democracia, direito à educação e estratégias de articulação entre as seções sindicais docentes gaúchas. Representando a Sedufsm participaram do evento os professores Ascísio Pereira, presidente, e Márcia Morschbacher, vice. Ao todo, cerca de 30 docentes estiveram no Encontro.

Pereira destacou que um dos principais saldos do evento foi a projeção das diversas lutas que o movimento sindical docente ainda deverá encampar (e fortalecer) no período que transcorrerá entre o final de 2022 e o início de 2023. "Este ano ainda pode trazer pautas "bomba" em Brasília, com a tentativa de aprovar coisas a toque de caixa no final de governo, a exemplo da Reforma Administrativa", ponderou o presidente da Sedufsm. 

A primeira atividade trouxe o debate sobre o aprofundamento e a radicalização da democracia. A mesa 1 contou com os(as) professores Luiz Henrique Schuch (Adufpel), Leonardo Silva Andrada (ICH/UFJF), Letícia de Faria Ferreira – (UNIPAMPA - Campus Jaguarão) e Manoel Porto Junior (SINASEFE). A mediação ficou por conta da professora Manuela Finokiet (Regional/RS-IFRS). 

“Se a gente tem uma tarefa fundamental e imediata, com vistas a aprofundar a democracia, nós temos a tarefa de fortalecer os organismos em que isso se faz e que isso é possível. A futura sociedade que pretendemos que seja de fato democrática, ela é construída na forma em que nós organizamos a nossa luta e a nossa resistência, e a substituição do que existe agora. Ou seja, não terá um momento mágico do que existe agora desapareça e uma novidade caia pronta do céu. Do nada, nada se cria”, comentou o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Leonardo Andrada.

Já a professora da Unipampa, Letícia de Faria Ferreira, trouxe reflexões sobre a nossa nova e frágil democracia. “Se nós formos pensar, de fato, o aprofundamento da democracia, teremos que pensar com uma certa radicalidade na construção coletiva do estado de direito, que garanta legalmente que a instituições tenham condições de existir e funcionar, como as universidades, Funai, Ibama, Fundação Palmares, mesmo quando se depararem com os governos de direita e autoritários,  porque não temos uma garantia de direito legal, para que essas instituições funcionem”, disse.

(da esq.): professores/as Márcia Paixão, Ascísio Pereira, Paulo Marafiga (funcionário) e Liane Weber 

Educação como direito

O segundo e último dia do XXIII Encontro da Regional RS do ANDES-SN iniciou com a atividade cultural “Maçambique de Osório - patrimônio cultural imaterial: entre a devoção e o espetáculo", ministrada pelo professor Iosvaldyr Carvalho Bittencourt Junior. O Maçambique de Osório é uma manifestação afro-católica, no âmbito do catolicismo popular brasileiro, que, na perspectiva teórica de Stanley Tambiah e de José Jorge de Carvalho, tem sofrido mudanças de significados uma vez que houve uma ruptura com a exclusividade do sagrado quando este foi apropriado para espetáculos com fins de entretenimento. 

“A incorporação de ações, com intencionalidade política e que expande significados por meio do patrimônio cultural e seus rituais performáticos mobilizados, promove a preservação da cultura e da identidade étnica, inclusive em suas dimensões políticas. Neste processo, os símbolos e os rituais mobilizados para performances podem ser apropriados por meio de um canibalismo cultural, por vezes denominado de mascarada, ou através de ações que contribuem para a afirmação e difusão do Maçambique”, explicou Junior.

A segunda mesa do evento trouxe à tona o tema “Afirmar o direito pleno à educação”. O professor da faculdade de direito da UFMG, Gustavo Seferian, e a professora da UFSM, Márcia Paixão, debateram o tema, com a mediação do professor integrante da Regional RS do ANDES-SN e da base da Aprofurg, Cesar Beras.

“A gente precisa se dar conta que temos três sistemas de dominação, o capitalismo, o patriarcado e o racismo, eles ditam o modo de ser, como norma social, como as coisas precisam ser, como a gente pensa, como a gente age, quais são os lugares das pessoas no mundo, e se a gente não parar para pensar sobre isso, se a gente não se pergunta sobre essas coisas, a gente reproduz porque a gente respira, infelizmente, os três sistemas, todo o dia”, afirmou Márcia, ao iniciar a sua fala.

A professora destacou, também, que as pessoas mais vulneráveis não têm acesso à educação. “De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, a evasão na educação infantil nos anos iniciais aumentou 128% em 2021, obviamente por causa da pandemia, mas também por muitas outras razões da falta de acesso. São cinco milhões de crianças em idade escolar que estão fora da escola. A partir de quatro anos as crianças precisam estar na escola, e muitas famílias não sabem disso e não conhecem os seus direitos”, complementou a professora.

O professor Gustavo Seferian foi o segundo a comentar sobre o assunto e primeiramente deu a sua versão sobre o que é direito. “Quando falamos em direito normalmente de modo mais intuitivo, a gente assimila uma ideia do que é uma textualidade normativa, algo posto, invariavelmente resultante de um gesto de poder, seja ele do poder legislativo, executivo ou do judiciário. Não é apenas desse modo que assimilamos o que é direito, ele também é tido por nós no campo da luta social, como uma protestagem individual ou coletiva, ou seja, eu tenho o direito à alguma coisa, eu tenho o direito de me manifestar e de falar o que eu bem entender”, aprofundou Seferian, explicando que o direito é uma relação social.

Ainda segundo o docente, o direito à educação pode ser compreendido em múltiplas facetas. “No que são as salvaguardas materiais para a consagração desse direito social, pensar que essas salvaguardas não são estáveis, elas são resultados do que são formas abertas e gerais. A educação é pura e simplesmente o acesso formal à educação? Não tão somente. A concepção de educação é de fato algo em disputa, e que deve ser permanentemente campeado por nós, e que também não se cristaliza, em um texto, documento ou caderno”, argumentou. 

Breve panorama das seções sindicais

Depois das duas mesas que debateram amplamente os temas propostos pela organização do Encontro, a última atividade foi a plenária final, na tarde do sábado, 24. O tema “organização e mobilização geral'' trouxe representantes de todas as seções sindicais que compõem a Regional RS.

Participaram da mesa a presidenta da Adufpel,  Regina Blank Wille; o vice-presidente da Aprofurg, Gustavo Borba de Miranda; a primeira secretária ANDES/UFRGS, Maria Ceci Misoczky; o presidente da Sedufsm, Ascísio dos Reis Pereira; o tesoureiro-adjunto do Sindoif, Claudio Enrique Fernández Rodríguez; o presidente da Sesunipampa, Rafael da Costa Campos; além da mediação do primeiro vice-presidente da Regional/RS, Carlos Pires. Os(as) representantes tiveram dez minutos para dar os informes.

“Nossos movimentos dentro da instituição, como por exemplo as nossas campanhas no campus de Santa Maria e nos outros três campi da universidade, são recebidas com naturalidade e não temos tido resistência no diálogo institucional”, argumentou o presidente da Sedufsm, Ascísio dos Reis Pereira. O sindicato voltou para o trabalho presencial em abril deste ano. “Desde o nosso retorno, fizemos uma campanha em defesa da UFSM, dialogando com a sociedade da cidade e com a comunidade interna, explicando que ser da Sedufsm é defender a universidade. Nós também distribuímos materiais diversificados para a comunidade, camisetas para os sindicalizados, além de máscaras, agendas e adesivos. A partir de maio visitamos todos os campi e todas as unidades da instituição”, complementou.

O representante do Sindoif, Claudio Enrique Fernández Rodríguez, destacou a greve de professores e professoras da base do sindicato, com duração de 38 dias, entre os dias 23 de maio e 29 de junho deste ano. O tema central da paralisação foi os cortes orçamentários na educação federal. 

O vice-presidente da Aprofurg, Gustavo Borba de Miranda, comentou as ações realizadas na FURG e no IFRS - Campus Rio Grande. “Temos discutido bastante o engajamento de novos servidores e servidoras. Os novos professores não estão entrando no sindicato, e estamos pensando estratégias para trabalhar isso, para atrair e aumentar a nossa base”, disse. Gustavo ainda comentou que Aprofurg está com o processo eleitoral de escolha da nova diretoria. “Apenas a nossa chapa da situação se inscreveu, portanto seguimos para mais um biênio de gestão no sindicato”, completou.

 A docente ANDES/UFRGS, Maria Ceci, seguiu na mesma linha sobre a dificuldade de mobilização também em Porto Alegre. “Apesar de nós estarmos constantemente em um ambiente intimidador e de ameaças, que busca das formas mais grosseiras tolher a atividade sindical, como removendo constantemente as nossas faixas do campus central, mesmo assim, temos resistido e realizado coisas muito interessantes”, explicou. A seção sindical teve a iniciativa, com o apoio da assessoria jurídica, de elaborar uma cartilha sobre o que os cidadãos têm o direito de fazer durante o período eleitoral. “Não sei se foi coincidência, mas nós paramos de receber denúncias de atos de censura que estavam acontecendo, após a publicação do documento”, finalizou.

Já a presidenta da Adupel, Regina Blank Wille, explicou que a universidade está sob intervenção e citou alguns exemplos sobre o impacto dos cortes orçamentários. “Nós não temos segurança e as portarias foram reduzidas nas unidades. Além disso, o pessoal da limpeza higieniza, entre duas pessoas, um prédio de cinco andares. Outra curiosidade é o que eles chamam de banheirista, que limpa três prédios em um dia”. Regina disse ainda que já receberam um aviso, em relação aos bolsistas de extensão, que só vão ter garantia de pagamento até o dia 31 de outubro.

Por fim, o último a falar foi o presidente da Sesunipampa, Rafael da Costa Campos. “Este ano, com todos os percalços em razão da pandemia, a gente conseguiu se organizar e levar adiante a iniciativa de uma caravana de sindicalização pelos dez campi da Unipampa. Nós viajamos de Jaguarão a São Borja, ao longo de quatro meses, com o intuito de sindicalizar, mas principalmente trazer visibilidade da atuação sindical para os próprios colegas”. O diretor também lembrou que o ano já começou intenso para os trabalhos no sindicato. “Em 12 de janeiro tivemos a publicação da portaria de demissão da professora Letícia Ferreira, um caso que estava sendo ruminado desde 2016, com uma série de autoritarismos e questões nebulosas”, finalizou.

Encaminhamentos

Após as falas e as deliberações, ficou claro o desejo de aumentar o debate sobre a multicampia, o reuni digital e as intervenções nas reitorias. Os professores e as professoras também alertaram para os perigos do teletrabalho. Como encaminhamento, a Regional/RS vai dar continuidade, neste segundo semestre, com a campanha sobre os cortes orçamentários, tratando sobre os impactos dentro das universidades e dos institutos federais, a partir dos números levantados por cada seção sindical.

Além disso, ficou definido que as seções exijam das reitorias que não precarizem os contratos de terceirizados(as), evitando demissões e não sobrecarregando a demanda desses setores. Outro encaminhamento foi que as seções sindicais devem intensificar e protagonizar o debate sobre a permanência ou saída da CSP-Conlutas, a fim de subsidiar a discussão do próximo Conad.

Próximos passos

Está prevista para o início de novembro, uma nova reunião da regional na sede da Aprofurg, campus carreiros da FURG, em Rio Grande.

 

Fonte e fotos: APROFURG

Edição: Bruna Homrich/Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 

Fotos da Notícia

Multicampia, Reuni Digital e intervenções na reitoria estão dentre os assuntos que devem ser aprofundados pelas seções sindicais do estado (da esq.): Márcia Paixão, Ascísio Pereira, Paulo Marafiga e Liane Weber

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