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Vinte anos sem Sérgio Pires

Por:  Cecilia Pires*

De 30 de setembro de 1990 a 30 de setembro de 2010, a humanidade percorreu caminhos inimagináveis. Estabelecidos os parâmetros do mundo do trabalho e do mundo do conhecimento, muitos avanços foram realizados e muitos retrocessos ocorreram. Nestes 20 anos, a humanidade, nos seus paradoxos, produziu mecanismos de dominação e construiu possibilidades para uma vida emancipada. Buscou ideias de paz, ainda que tenha feito tanta guerra, desenhando cenários de violência da forma empírica a mais sofisticada.

As ideias de autonomia, de liberdade, de justiça e de superação das desigualdades integraram o imaginário de Sergio Pires. Não estou falando de legitimação, estou falando de memória, de história, de saudade. Suas ideias não morreram com sua morte física, ainda que fossem secundarizadas por outros interesses conjunturais. No seu livro Questões Educacionais (1987) quando criticava a forma como a ciência, o conhecimento e a universidade operavam com as questões da vida, fazia respaldado na atitude ética e na convicção política de que as conquistas da inteligência devem servir a todos, pois fazem parte da riqueza social.

Este artigo não tem ambição alguma. Quer somente lembrar da vida de Sérgio Pires, tão rápida como sua morte. Há mortes físicas e mortes simbólicas. Para os amigos e colegas que com ele conviveram, a sua foi uma morte dupla, física e simbólica. A curta trajetória de uma vida tão plena de projetos e sonhos significou tudo o que Sérgio pode ofertar em despojamento, generosidade, coerência, espírito de luta e obstinação pela justiça.

Com entusiasmo vejo, hoje, sendo retomado pelos docentes da UFSM o debate sobre a Estatuinte Universitária, trabalho confiado a Sérgio, pelo professor Tabajara Costa. Sempre é tempo de um novo começo. Ele foi a tradução de um homem que desejou muito pouco, apenas que todos tivessem as mesmas oportunidades e pudessem ser felizes. Este foi o sentido de sua vida, desde a juventude até o seu momento final.

Para nós, sua família, Sérgio Pires vive. Os filhos cresceram, os netos nasceram. A vida continuou, a esperança não sucumbiu, porque como disse Albert Camus “não há vergonha em preferir a felicidade”.

* UFSM



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