Do Neabi para o Ministério da Igualdade Racial: docente da Ufsm assume cargo em agosto
Publicada em
21/07/23
Atualizada em
21/07/23 19h24m
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Leonice Mourad, docente do curso de Ciências Sociais, destaca como luta junto ao movimento negro na universidade a fortaleceu para este passo
“Essa vivência e luta diárias vão me dar ‘know-how’ para pensar que também as lutas serão diárias e intensas em outros espaços”, diz, à Assessoria de Imprensa da Sedufsm, a professora Leonice Mourad, do curso de Ciências Sociais da Ufsm (embora lotada no Centro de Educação). Ela se referia ao novo passo que dará em sua trajetória a partir desse mês de agosto, quando assume o cargo de coordenadora da Diretoria de Articulação Interfederativa da Secretaria de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, vinculada ao Ministério da Igualdade Racial (MIR).
O convite veio por parte de Isadora Bispo, integrante do Movimento Negro Unificado (MNU), e, com o aval do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi/Ufsm), Leonice aceitou a nova empreitada. Agora, seguirá para a capital federal munida das experiências que teve junto à luta do movimento negro dentro e fora da universidade.
“Quero destacar como nossas lutas começam a ganhar mais visibilidade a partir de ações que nós promovemos nessa dimensão coletiva. Como o Neabi da Ufsm, que é um espaço muito importante para mim, é um divisor de águas na minha trajetória, qualifica muito a minha trajetória. Sozinhos somos devorados, mas aquilombados e aldeados nós conseguimos ganhos, e é esse o contexto que o Neabi nos propõe”, partilha a docente.
Quando questionada sobre quais expectativas nutre em relação ao trabalho no Ministério da Igualdade Racial, ela diz que deverá contribuir com a proposição, implementação e avaliação de políticas públicas de enfrentamento ao racismo, às desigualdades étnico-raciais e seus correlatos. “Como educadora, trabalho muito em uma escala micro, local, e agora o trabalho será coletivo e em uma escala muito mais ampliada”, reflete Leonice.
Ela ainda lembra que o Ministério da Igualdade Racial é novo. “É um pequeno ministério dentro dessa estrutura, e tem grandes desafios porque a atuação do MIR é uma atuação transversalizada, que só se operacionaliza de fato a partir da articulação com outros ministérios, significativamente o de Direitos Humanos e o da Educação. Penso que o maior desafio ainda seja o de sensibilizar e conseguir fazer com que a sociedade civil perceba a importância de um enfrentamento ao racismo, a partir de uma postura antirracista”, comenta.
O papel primordial da educação
Leonice é, em primeiro lugar, educadora. E, por isso, acredita que a educação tem um papel primordial no enfrentamento a todas as desigualdades. Citando as ações afirmativas na graduação como uma vitória fundamental, ela ainda diz que é preciso garantir esse direito na pós-graduação, espaço mais elitizado da universidade.
“Sou uma defensora da universidade pública como um espaço importante de democratização. A vivência no interior da Ufsm é permanentemente disputada. Nós disputamos espaço o tempo todo. Nós, pretos e pretas, pardos e pardas, povos originários e tradicionais. A universidade historicamente não é um espaço feito por nós e para nós. Nesse sentido, o tempo todo estamos nesse embate e esforço para que a universidade efetivamente possa ser plural”, explicou.
Em novembro do ano passado, a professora Leonice concedeu entrevista ao ‘Ponto de Pauta’, programa da Sedufsm, e falou sobre a importância do dia 20 de novembro para a luta do povo negro. Assista:
Texto: Bruna Homrich
Foto: Rafael Happke
Assessoria de Imprensa da Sedufsm
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