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14/04/2020   16/07/20 10h32 | A+ A- | 637 visualizações

Estudantes em isolamento: rotinas, angústias e projeções

Preocupação com tarefas acadêmicas pode potencializar sofrimento mental, dizem estudantes


Durante isolamento, muitos estudantes da UFSM permanecem residindo nas moradias estudantis

O peso do isolamento social é sentido por todos, mas pode assumir características diferentes e impor angústias específicas a depender da posição que cada um ocupa na sociedade. Já contamos um pouco sobre como os docentes da UFSM vêm encarando o isolamento, e agora chegou a vez de dar a voz aos estudantes. Como vêm enfrentando esse período? Quais preocupações específicas carregam? Têm dado conta de realizar as atividades acadêmicas de forma remota e o que perspectivam para o futuro que irromperá após a pandemia?

Um anseio específico foi expresso pelos cinco estudantes que ouvimos para esta matéria. Trata-se da fragilização da saúde mental em um momento de serialidade e incerteza. Embora muitos venham tentando instituir rotinas de afazeres para se manterem envolvidos com suas atividades, a quebra da ordinariedade da vida impõe desafios enormes àqueles que comumente estão tão acostumados à grupalização e à partilha. Alguns voltaram para suas cidades de origem, outros permaneceram em Santa Maria. Alguns residem na Casa do Estudante, outros dividem-se entre os afazeres domésticos, as atividades acadêmicas e os cuidados com os filhos. Alguns vêm conseguindo responder às demandas acadêmicas por meios virtuais, outros não dispõem de equipamentos ou bom sinal de internet para acompanhar os cronogramas de exercícios. Muitos partilham da mesma dúvida: o que virá depois?

Cabe lembrar que, desde o dia 16 de março, as atividades acadêmicas e administrativas presenciais estão suspensas na UFSM. E assim devem se manter, ao menos, até o dia 15 de maio. A orientação da reitoria é de que os professores e alunos que tiverem condições podem manter as atividades de forma remota – online – e essas podem contabilizar presenças e serem de caráter avaliativo. Contudo, para aqueles alunos que não têm condições materiais ou mesmo mentais de acompanhar esse ritmo, resta a dúvida de como os conteúdos serão repostos futuramente de forma a não penalizá-los.

Atividades acadêmicas a distância

Luiz Eduardo Boneti é natural do Paraná, mas não conseguiu voltar e teve de permanecer na Casa do Estudante I, onde reside. Ele, que é estudante de Direito na UFSM, conta que os professores têm enviado atividades para serem feitas via Moodle, porém como não possui computador e uma internet de boa qualidade, não vem conseguindo atender às demandas. Assim como ele, há vários estudantes nessa situação, até porque a pandemia, dado seu caráter excepcional e alarmante, não deu aviso de que viria, impossibilitando, assim, uma organização prévia. Eduardo tem dialogado com os professores sobre as dificuldades de realizar as atividades, mas se preocupa com a forma com que as atividades serão repostas futuramente.

“Quem mora na Casa do Estudante tem que cumprir com alguns requisitos. Um deles é ter aprovação em mais de 50% das disciplinas que estamos matriculados, e se não conseguirmos cumprir com isso, a gente não tem mais direito à gratuidade do Restaurante Universitário (RU) no próximo semestre. E tem pessoas próximas a mim que já não têm a gratuidade do RU, e que se não conseguirem cumprir com esse requisito nesse semestre, perdem até o direito à Casa do Estudante. Então isso deixa a gente muito preocupado. O fato de estarem tendo atividades que valem presença e nota nos deixa muito incomodados e muito aflitos”, conta Boneti.

Mateus Lazzaretti está no ano final de sua graduação em História na UFSM e diz que os professores de seu curso têm demonstrado preocupação em não sobrecarregar os alunos, embora ele acredite que “essas tarefas, a cobrança delas e a incerteza sobre como será a recuperação posterior, tem servido para afetar ainda mais a saúde mental das e dos estudantes”.

Segundo Carolina Nodari, estudante de Terapia Ocupacional na UFSM, os professores de seu curso também vêm adotando uma postura compreensiva e não cobrando presenças ou instituindo avaliações. “[…] as aulas EAD são muito mais no sentido de estar próximo e trocar ideia sobre o momento do que de cobrança dos conteúdos. Infelizmente, sei que muitos professores de outros departamentos que ministram as disciplinas que chamamos de básicas [...] estão cobrando e seguindo uma rotina de aulas, como se fosse possível aprender nesse contexto e no modo EAD, matérias que já demandam uma concentração maior e um auxílio educacional que só é possível presencialmente. Muitos colegas estão com dificuldade, querendo desistir, principalmente, aqueles que estão no 1º semestre”, explica a estudante.

Pós-graduação

Clecimara Vianna é aluna do mestrado profissional em Políticas Públicas e Gestão Educacional da UFSM e diz estar conseguindo dar conta das atividades a distância implementadas pelos professores. “Quando tenho dificuldades, entro em contato pelas redes sociais com eles, com os colegas mas, principalmente, com a minha orientadora”, explica, contando que durante o isolamento tem tentado acordar no mesmo horário em que despertava normalmente, às 6h30, e se dividido entre a limpeza da casa, a elaboração das refeições, a montagem e envio das atividades online aos seus alunos e a realização de suas atividades acadêmicas do mestrado. “Tudo isso dividindo o espaço de trabalho com o marido e o filho”, diz Clecimara, que é professora municipal hoje atuante na Associação de Cegos e Deficientes Visuais, onde trabalha com estimulação global/visual e atendimento pedagógico a crianças com deficiência visual.

De forma geral, as atividades acadêmicas de Wagner Lenhardt também têm se mantido de forma mais ou menos tranquila. Ele, que é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFSM, diz que está fazendo três disciplinas online e tendo orientações via e-mail e vídeochamadas. “A aula presencial, sem sombra de dúvidas, tem muito mais qualidade. Mas manter as atividades pelos canais virtuais é uma maneira muito boa de não perdermos o fluxo da pesquisa, de continuarmos atentos ao nosso curso e aproveitá-lo da forma que der”, opina o estudante.

Perspectivas

Embora o cenário atual de medo e incerteza dificulte o delineamento de projeções para o futuro pós-pandêmico, os estudantes entrevistados tentaram fazer esse exercício. Lazzaretti diz que em termos pessoais se preocupa com sua formatura que certamente atrasará em decorrência da pandemia, mas que em termos políticos deve haver um reforço dos laços de solidariedade e um fortalecimento da luta por educação e saúde públicas. Boneti também vê uma maior mobilização pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela pesquisa pública. Carolina vislumbra uma maior sensibilização para a luta social e para a identificação de classe. Clecimara tem fé e acredita que uns fortalecerão aos outros. Lenhardt anseia por ver seus pais, já idosos. “Não consigo pensar em outra coisa”, diz o mestrando.

Depoimentos

Mateus Lazzaretti - estudante de História e membro do DCE-UFSM

1) Tu estás em isolamento na tua cidade natal (se sim, é SM ou outra)?

Sim, em Constantina-RS.

2) Como têm sido os dias de isolamento? Que principais questões ou angústias vêm à cabeça?

Tem sido bastante atípico, por conta do estranhamento de estar em casa por tanto tempo e neste período que normalmente seria de aulas. Da perspectiva de quem vinha já há anos no movimento estudantil tendo a preocupação constante com os duros ataques que vinha sofrendo a Universidade, esse período tem sido bem angustiante: de um lado, um perigoso vírus, que se espalha com muita facilidade e velocidade, a necessidade de suspensão das aulas, e do outro um governo que segue majoritariamente preocupado em implementar uma agenda de desmontes e de precarização, seja no que diz respeito à educação, à assistência estudantil (da qual sou usuário) e também dos direitos trabalhistas, estando o país na iminência de um desastre social de grandes proporções, porque aqui a vida do trabalhador fica sempre em segundo plano. Além disso, preocupações mais a nível pessoal também vem à tona: apesar de seguirmos todas as recomendações de segurança e tentarmos manter o máximo de cuidado, minha mãe tem que ir trabalhar todo dia (pois supermercado é serviço essencial), tenho avós idosos em outra cidade, e isso, em meio a um cenário de muitas pessoas que são levadas pelo discurso negacionista e anti-cientifico, e de progressivos afrouxamentos nas medidas de restrição por parte das esferas públicas, leva a um perigo redobrado que sem dúvida deixa a todos nós muito angustiados. Sou morador de Casa de Estudante, mas consegui voltar logo no início para minha cidade Natal, porém muitos amigos e conhecidos ficaram por lá, e isso também naturalmente preocupa, pois sabemos que a vida de quem depende da Assistência estudantil já não é normalmente fácil, quanto mais num período de crise como esse. E vemos isso ajudando a resolver problemas à distância, no acesso aos auxílios, nos relatos e desabafos.

3) Os professores do seu curso implementaram atividades à distância? Se sim, tens conseguido dar conta ou tem tido dificuldades?

Com a orientação da Universidade de que os professores mantenham as atividades pra que permaneça um "vínculo", que seria benéfico à Saúde mental, a maioria dos professores e professoras tem enviado algumas atividades. No meu caso particular, como já estava no ano final do curso e algumas atividades seriam exclusivamente práticas, não tenho tido quantidades excessivas, além de que todos os meus professores e professoras têm demonstrado essa preocupação em não sobrecarregar, e ressaltam que quem não conseguir realizá-las, poderá recuperar depois. Porém, acompanhando os debates que o DCE tem proposto, temos visto muitos casos em que, ao contrário do intuito da Universidade, essas tarefas, a cobrança delas e a incerteza sobre como será a recuperação posterior tem servido para afetar ainda mais a saúde mental das e dos estudantes, em especial, como tenho visto, moradores das CEUs.

4) O que tu perspectivas para quando saíres do isolamento (pode ser em termos pessoais, políticos ou ambos)?

Fazer o exercício de perspectivar o que vai ser quando tudo isso passar e o isolamento puder acabar é muito difícil, e isso sem dúvidas é muito angustiante, afinal de contas é uma conjuntura praticamente inédita pra nós em muito tempo. E acho que no nosso caso, com um governo inconsequente e temerário como temos, a situação se torna ainda mais caótica. Em termos pessoais, minha maior preocupação vai ser em como me formar, por conta do atraso no estágio causado pela epidemia. Em termos políticos e/ou mais gerais vamos precisar, antes de tudo, nos reencontrar, reforçar nossos laços de solidariedade e os afetos que tivemos de abrir mão pelo isolamento. Acredito também que vamos precisar retomar com toda força a luta em defesa da educação e da saúde pública, pois penso que da parte dos que a atacam, não podemos esperar empatia ou uma mínima trégua que seja. Precisaremos estar bem organizados e mobilizados, tanto para reverter os estragos causados pelo vírus no menor tempo possível, quanto para ter um país que realmente se preocupe com seu povo. Levantar ainda com mais força a pauta da revogação da EC 95, pois estamos mais do que nunca sentindo na pele seus efeitos nefastos. Enfim, não é fácil o exercício de pensar como as coisas vão ser quando tudo isso passar, mas temos que ter certeza de como queremos que as coisas sejam, e lutar por isso.

Carolina Nodari - Estudante de Terapia Ocupacional na UFSM

1) Tu estás em isolamento na tua cidade natal (se sim, é SM ou outra)?

Estou em santa Maria, não é minha cidade natal mas é onde constituo um cotidiano atualmente.

2) Como têm sido os dias de isolamento? Que principais questões ou angústias vêm à cabeça?

Os dias têm sido como uma montanha russa, em alguns momentos fico otimista e sentindo que esse processo está sendo necessário pras transformações que a sociedade precisa fazer, mas em outros me sinto muito triste e impotente frente às mortes de tantas pessoas, a situação de miséria e fome crescendo velozmente, e o horror e confusão que estão sendo disseminados pela mídia hegemônica. Tenho utilizado as redes sociais o mínimo possível e já não vejo televisão há alguns anos, o que me faz não ficar tão atordoada com notícias mentirosas ou que mais contribuem com a alienação mesmo.

3) Os professores do seu curso implementaram atividades à distância? Se sim, tens conseguido dar conta ou tem tido dificuldades?

O curso de terapia ocupacional e a coordenação estão tendo uma postura bastante compreensiva do momento complexo de uma ruptura dos nossos cotidianos, como estudantes e professoras, e o quanto isso pode causar danos a saúde. Então, não estão cobrando presença e avaliando, e as aulas EAD são muito mais no sentido de estar próximo e trocar ideia sobre o momento do que de cobrança dos conteúdos. Infelizmente, sei que muitos professores de outros departamentos que ministram as disciplinas que chamamos de básicas - são básicas para todos estudantes da área da saúde, estão cobrando e seguindo uma rotina de aulas, como se fosse possível aprender nesse contexto e no modo EAD, matérias que já demandam uma concentração maior e um auxílio educacional que só é possível presencialmente. Muitos colegas estão com dificuldade, querendo desistir, principalmente, aqueles que estão no 1º semestre. Enquanto estudantes e diretório acadêmico construímos uma nota de repúdio a cobrança das atividades a distância e manifestando nosso interesse de que o semestre seja cancelado.

4) O que tu perspectivas para quando saíres do isolamento (pode ser em termos pessoais, políticos ou ambos)?

Tenho passado muito tempo criando perspectivas pro futuro, um tanto na ânsia de que ele chegue, um tanto para fugir do presente... Mas acredito que a saída desse isolamento vai colaborar com uma regeneração das nossas capacidades humanas, de sentir amor, carinho, afeto. Nos sensibilizará para as vidas que estão perto de nós, e poderá contribuir pra compreensão de que lado da luta social estamos inseridos, que pertencemos a classe trabalhadora que há séculos sofre nas mãos de uma gente gananciosa, descompromissada com o povo e leal somente ao seu dinheiro e lucros. Acredito muito que a luta vai se intensificar e que poderemos encontrar as saídas coletivas para essa situação. Que vamos valorizar com profundidade as relações afetivas que construimos, a cultura e a arte que nos animam a caminhar, a nossa relação íntima e essencial com a Natureza com o respeito e proteção que ela precisa, e com o conhecimento que nos liberta e produz a cura física, emocional e espiritual que tanto necessitamos.

Luiz Eduardo Boneti, estudante de Direito na UFSM e morador da Casa do Estudante

1) Tu estás em isolamento na tua cidade natal (se sim, é SM ou outra)?

Sou do Paraná mas não consegui voltar para casa. Tive que ficar na Casa do Estudante I.

2) Como têm sido os dias de isolamento? Que principais questões ou angústias vêm à cabeça?

O isolamento social por si só é muito ruim. Era para estarmos na correria, fazendo atividades, tendo as aulas, e estamos na contramão de tudo isso, tendo de deixar de ver os amigos, e isso já é muito ruim para a nossa saúde mental e também para pensar uma nova rotina nesse momento.

3) Os professores do seu curso implementaram atividades à distância? Se sim, tens conseguido dar conta ou tem tido dificuldades?

Meu professores estão enviando atividades, mas, como eu não tenho computador e tenho uma internet ruim, não estou conseguindo acompanhar. Já conversei com eles e expliquei o porquê de não estar enviando as atividades.

Isso me gera outra angústia, de não estar conseguindo fazer essas atividades. Eu estou organizando uma rotina de atividades para serem feitas ao longo dos dias, para não deixar mais fragilizada ainda a saúde mental nesse momento.

Mas, a partir do momento em que eu - e outras pessoas relataram algo semelhante – sei que estão tendo atividades que valem presenças e são avaliativas, e eu não consigo fazer, isso já gera um impacto. A gente já não consegue se sentir bem mesmo sabendo que depois vai ser recuperado. Isso já é ruim para nós.

A gente não sabe como vai funcionar depois, se vão ter atividades presenciais para recuperar isso, ou se vai ser só um período aberto para podermos enviar as atividades pelos meios virtais. Conforme o que a UFSM tem dito, as atividades que estão sendo feitas online não precisam ser recuperadas depois de forma presencial.

Ficamos pensando muito no aprendizado em si. Quem mora na Casa do Estudante tem q ue cumprir com alguns requisitos. Um deles é ter aprovação em mais de 50% das disciplinas que estamos matriculados, e se não conseguirmos cumprir com isso, a gente não tem mais direito à gratuidade do Restaurante Universitário (RU) no próximo semestre. E tem pessoas próximas a mim que já não têm a gratuidade do RU, e que se não conseguirem cumprir com esse requisito nesse semestre, perde até o direito à Casa do Estudante.

Então isso deixa a gente muito preocupado. O fato de estarem tendo atividades que valem presença e nota, nos deixa muito incomodados e muito aflitos.

4) Como vem sendo o isolamento na Casa do Estudante (tu és da CEU I, certo?). O RU tem distribuído alimentos? Os prédios têm sido higienizados frequentemente?

Em relação à alimentação, o RU está fechado e estamos recebendo o auxílio emergencial. Mas já conversei com algumas pessoas que não receberam. O auxílio é no valor de R$ 250 reais. Mesmo nós que recebemos, sabemos que ele ajuda mas não será suficiente para a gente conseguir comer o mês inteiro. E além de não ser suficiente, tem pessoas que ainda nem receberam, sendo que já estamos chegando na metade do mês.

No dia a dia a gente já está acostumado a sermos muito mais afetados que o geral, até porque sabemos que o ataque às universidades é constante por parte do governo. Isso quer dizer que a assistência estudanil vai ser muito atacada. No dia a dia já presenciamos esses cortes e durante a pandemia continuamos sendo os mais afetados.

Aqui na CEU I, do centro, recebeu álcool em gel na semana passada. As funcionárias da limpeza foram mantidas, ficamos preocupados nesse sentido. Elas estão tendo que sair das suas casas para fazer a limpeza do prédio e nisso estão se expondo.

5) O que tu perspectivas para quando saíres do isolamento (pode ser em termos pessoais, políticos ou ambos)?

Quanto ao que virá depois, no momento temos poucas certezas. A gente sabe quem está se colocando contra a ciência, a saúde e o povo, mas a gente não sabe quanto tempo isso vai durar e o que pode acontecer. As poucas certezas que temos no momento é que temos de defender o isolamento social e fazer a luta pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nesses momentos a gente percebe a importância de um sistema público de saúde e da pesquisa que é feita dentro da universidade. Estamos isolados, mas a luta não para.

Wagner Lenhardt, mestrando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM

1) Tu estás em isolamento na tua cidade natal (se sim, é SM ou outra)?

Minha cidade natal é Piratuba (SC), toda minha família está lá. Resido em Erechim (RS), onde estou em isolamento desde o dia 18 de março.

2) Como têm sido os dias de isolamento? Que principais questões ou angústias vêm à cabeça?

Os sentimentos são os mais variados possíveis, acho que ao longo do dia eles vão mudando. Sou mais um trabalhador que está nessa loucura de ter que fazer as atividades profissionais de forma remota, então isto me mantém ocupado por, pelo menos, um turno do dia. Ter tarefas a cumprir, tanto do trabalho como do mestrado, tem sido muito importante para eu não ficar mais apreensivo do que já estou. Às vezes as lágrimas vêm. O fato de morar sozinho já me coloca em uma situação desafiadora, acho que é muito mais fácil ficar com medo, ansiedade, etc. Nesses momentos prefiro pensar que é uma oportunidade de aprender a viver melhor comigo mesmo. Também gosto de me dar o direito de não fazer nada e apenas curtir o ócio (rs).

3) Os professores do seu curso implementaram atividades à distância? Se sim, tens conseguido dar conta ou tem tido dificuldades?

Neste semestre estou fazendo três disciplinas do mestrado. Só não estou tendo atividades da docência orientada, que provavelmente só farei quando a situação normalizar. As duas outras matérias estão ocorrendo bem, mesmo à distância. As aulas são feitas por Hangouts Meet e pelo Moodle. Não me sinto tão prejudicado com essas ferramentas. As orientações da minha dissertação também prosseguem por e-mail e videochamada. A aula presencial, sem sombra de dúvidas, tem muito mais qualidade. Mas manter as atividades pelos canais virtuais é uma maneira muito boa de não perdermos o fluxo da pesquisa, de continuarmos atentos ao nosso curso e aproveitá-lo da forma que der. Sem falar que, como moro em outra cidade, não preciso me deslocar até Santa Maria. Aliás, acredito que seja uma boa oportunidade para a academia refletir sobre essas possibilidades, de atender os acadêmicos que residem em outras regiões, sem a necessidade de deslocamento. Não deixa de ser uma questão que se encaixa nas discussões sobre o acesso ao ensino superior púbico para o maior número possível de pessoas – de Santa Maria ou não.

4) O que tu perspectivas para quando saíres do isolamento (pode ser em termos pessoais, políticos ou ambos)?

Tocando nesse assunto, é difícil não me emocionar. No momento só consigo pensar em rever minha família, que mora em Santa Catarina. Tenho muita saudade. Como meus pais têm mais de 60 anos, há essa preocupação de mantê-los bem. Quero revê-los o mais rápido possível. Não consigo pensar em outra coisa.

Clecimara Vianna, professora na Associação de Cegos e Deficientes Visuais e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão Educacional da UFSM

Os dias de isolamento têm sido de aprendizagem, reflexão e questionamentos. Acordar e organizar a rotina em casa para quem está acostumada sair bem cedo de casa todos os dias há muitos anos, é um pouco estranho. Independente do dia, acordo no horário que já estava acostumada, 6 e 30 da manhã. Daí lembro que não preciso correr para cumprir horário, fico mais um pouco deitada, ouvindo notícias, refletindo sobre os acontecimentos mas já pensando nas atividades que tenho que desenvolver durante o dia.

A rotina durante o dia é bem diferente, pois é necessário dar conta das atividades domésticas do dia a dia. E essa demanda aumentou, já que estamos todos em casa. É preciso pensar na organização da casa/limpeza, lavar as roupas, refeições, nas atividades para enviar para os meus alunos e também fazer as minhas atividades acadêmicas do mestrado, tudo isso dividindo o espaço de trabalho com o marido e o filho.
É muito angustiante pensar que ainda tem pessoas que não têm consciência da gravidade da situação e agem como se nada estivesse acontecendo e pior, ironizam e satirizam os que tomam os devidos cuidados. Outros fatos angustiantes também que ocorreram foi a perda de familiares idosos, que faleceram de outras causas, mas o fato de não poder estar junto com os demais parentes neste momento difícil.
Eu sou aluna do mestrado profissional em políticas públicas e gestão educacional/UFSM. Os professores implementaram atividades a distância, mas eu estou sim conseguindo dar conta, quando tenho dificuldades, entro em contato pelas redes sociais com eles, com os colegas mas, principalmente, com a minha orientadora.
Estamos vivendo um momento muito delicado, são decisões difíceis, mas temos os exemplos de outros países para nos espelhar. Eu tenho fé, e acredito que se todos continuarmos vivos, podemos nos ajudar e fortalecer uns aos outros.

 

Texto: Bruna Homrich

Fotos: Arquivos Pessoais e Arquivo/Sedufsm

Assessoria de Imprensa da Sedufsm



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