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Sindicalismo universitário

03/11/2021

Vitor Biasoli
Escritor e professor aposentado do departamento de História UFSM

Quando ingressei na UFSM, em 1991, a SEDUFSM tinha sido recém criada e eu não fazia ideia da luta que os professores travaram para a sua fundação. Lecionava há 13 anos, mas no Magistério Estadual. Participara das atividades do CPERS desde o final dos anos 70, tivera meu batismo na greve de 1979 e posso dizer que não era novato nesse tipo de atividade. Mas, confesso que fiquei surpreso com as diferenças. São categorias profissionais com média salarial muito distinta, com entidades de estruturas igualmente diferentes, e tive surpresas uma atrás da outra. Boas surpresas, por sinal.


Recordo que estranhei a inexistência de organização dos professores por local de trabalho, durante as greves, e comentei isso com uma liderança sindical (a professora Berenice Corsetti, minha colega no Curso de História). Ela achou curiosa a minha observação e me deu uma aula sobre o magistério universitário – um universo muito distinto daquele em que eu me formara, ela me explicou. Um dia chegou no departamento um funcionário da SEDUFSM com material do sindicato para os professores do Prédio de Apoio (o Curso de História ficava nesse prédio, nos anos 90) e eu igualmente estranhei. Que estrutura sindical, até funcionários para levar material de greve! Meus colegas calejados no sindicalismo universitário caçoaram de mim. “A barra aqui é mais elevada”, me explicaram, e eu pouco a pouco fui aprendendo.


No entanto, apesar das diferenças, o essencial da luta sindical é a mesma para todos os professores: a constante luta pela valorização da atividade docente e da própria educação. Um exercício incessante de discussão a respeito do funcionamento das unidades de educação e a tentativa (às vezes idealizada demais) do seu aprimoramento. A certeza de que a educação é uma atividade essencial para o desenvolvimento e, muitas vezes, um orgulho desmedido em relação a isso. Um orgulho justificado, me parece, muito bom de sentir.

Um dia, numa aula de História Antiga, um aluno me perguntou a respeito da importância de estudarmos Roma e tenho a lembrança de ter feito uma longa explicação a respeito dos fundamentos da nossa civilização e argumentado mais ou menos o seguinte: estudar Roma é procurar entender um dos alicerces da Civilização Ocidental. Exagero à parte, isso dá ideia do valor que eu dava àquelas aulas. Não era só uma disciplina, era uma investigação a respeito da origem do nosso mundo ou coisa assim.

E o sindicalismo, no meu entendimento, se articula com isso. É o instrumento de valorização desses agentes, os professores, que colocam a argamassa de uma sociedade, cimentam uma civilização e assim por diante. O sindicalismo do magistério, seja o dos professores de escola ou os do ensino superior, não é uma atividade apenas coorporativa, de defesa de vantagens salariais e benefícios variados. Para além dessas tarefas que caracterizam a luta dos assalariados, o sindicalismo dos professores se compromete com a educação em seu sentido mais amplo. Além da defesa da categoria, a defesa de um projeto de sociedade. No caso do sindicalismo da SEDUFSM, uma sociedade inclusiva em relação aos setores sociais tradicionalmente excluídos, uma sociedade mais igualitária, uma nação na qual o Estado tem papel relevante no desenvolvimento social e econômico.

Em tempos de hegemonia dos valores neoliberais, soa partidário a fala acima. Mas é isso que tenho a dizer. Me formei dentro dos marcos do ideário progressista, oposto ao dos liberais-conservadores. Uma formação, no entanto, democrática e que não se exime (e até se empolga) de discutir com os adversários. E que entende – e essa foi uma das grandes surpresas ao ingressar no mundo universitário e vivenciar tanto a suas atividades educacionais quanto o seu universo sindical – que esse debate pode ser realizado de forma civilizada. Uma qualidade que, nos últimos tempos, com a truculência da nova direita (do bolsonarismo, especificamente) muitas vezes parece estar ameaçada.




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