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01/10/2021   01/10/2021 15h17m   | A+ A- |   208 visualizações

Dica cultural: docente resgata a obra-prima de Galeano

Luís Eduardo Robaina destaca importância de “As veias abertas da América Latina”, que completou 50 anos

Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio
Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio

Sextou na quarentena! Desde a sua publicação, em 1971, o livro “As veias abertas da América Latina”, do jornalista e escritor uruguaio, Eduardo Galeano, inspirou milhões de historiadores, mas especialmente, militantes de esquerda. Nesta sexta, 1º de outubro, é sobre essa obra-prima que comenta o professor Luís Eduardo Robaina, do departamento de Geociências da UFSM.

A publicação assinada por Galeano poderia ser resumida da seguinte forma: analisa a História da América Latina desde o período colonial até a contemporaneidade, argumentando sobre a onipresente exploração econômica e política do povo latino-americano, primeiramente pela Europa e depois pelos Estados Unidos da América. Eduardo Galeano, autor de mais de 40 livros, e ganhador do prêmio Casa de Las Américas, em 2011, faleceu aos 75 anos de idade, em 2015.

“50 Anos de ‘As veias abertas da América Latina’

Há 50 anos, em 1971, Eduardo Galeano, jornalista uruguaio, publicava “As Veias Abertas da América Latina”. O livro se tornou um clássico e um grande sucesso editorial, com tiragem de milhões de cópias por ano e foi traduzido em vários idiomas. A obra deu voz a uma América Latina desconhecida nas aulas de história, apresenta o povo, seu cotidiano, suas lutas e sofrimentos nos processos históricos que ocorreram em mais de 500 anos.

Considero um dos livros mais importantes sobre a América Latina. É uma das primeiras obras de análise de conjunto da América Latina, pensando a partir dos processos de espoliação e dominação colonial e imperialista. Foi escrito no momento de avanço das lutas populares em todo o mundo e, especialmente na América Latina, trazendo uma mensagem anti-imperialista. Todas as pessoas em processo de formação acadêmica deveriam receber a indicação para ler essa obra, pois aumentaria a possibilidade de pensar sobre a condição humana, sobre os nossos povos, a miséria que nos assola e a imposição dos nossos destinos por um domínio exercido pela força dos colonizadores e imperialistas.

Eu tive a oportunidade de entrar em contato com o livro em 1982, aos 20 anos de idade, uma época de avanço da luta pela abertura política com grande participação estudantil, de trabalhadores e sociedade civil como um todo, fato que causou um grande impacto na minha formação e na maneira de olhar e ver a América Latina.

Essa obra repercute as elaborações da Teoria da Dependência, especialmente na sua vertente Marxista, pois aparece subjacente que a superação do atraso somente é possível pelas lutas populares. O autor faz um resgate histórico usando uma linguagem simples, parecendo, por vezes, um trabalho jornalístico, mas nem por isso pouco embasado. Ao contrário, apresenta muitas fontes para o seu desenvolvimento, que são apresentadas em citações ao pé de página, frutos deixados para novas pesquisas.

A habilidade do Galeano e sua capacidade de integrar as histórias desse grande continente, compreendendo seus sofrimentos e lutas, nessa narrativa, nos dá uma visão latino-americana que é fundamental para que qualquer pessoa tenha uma perspectiva revolucionária.

Para entendermos a nossa situação de explorados é preciso perceber a íntima relação com a manutenção dos impérios coloniais e com o desenvolvimento do capitalismo. Durante a leitura nos é mostrado como a exploração foi se modificando ao longo da história, mas sempre controlada por uma aristocracia e mais tarde pela burguesia internacional associada a nacional.

Nesse clássico, Galeano defende a ideia de que a natureza das relações “metrópoles e satélites” ao longo da história da América representou uma cadeia de subordinações sucessivas. No processo de desenvolvimento do capitalismo, a matéria-prima para a industrialização foi retirada de muitos países da América, sendo que as regiões mais afetadas pela pobreza atualmente são aquelas que no passado tiveram laços mais estreitos com a metrópole.

A tese apresentada por Galeano há cinquenta anos pode ser observada e comprova que suas ideias sobre as relações entre “metrópoles e satélites” ainda estão presentes entre nós, haja visto os golpes e agressões no século 21 em países que dispunham de riquezas naturais como o pré-sal e água no Brasil, o lítio na Bolívia, o petróleo na Venezuela, que buscaram uma limitada independência. 

As Veias Abertas da América Latina apresenta a realidade e as agressões sofridas pelos povos americanos, mas não é uma leitura triste e pesada, ao contrário, é empolgante e esperançosa, revelando diferenças que existiram nas revoluções populares na América Latina e as capacidades geográficas de enfrentamento com o império. Deixa claro que as elites econômicas da América Latina são dominantes internamente, mas dominadas externamente, e desfaz a ilusão de que as burguesias nacionais vão desempenhar algum papel progressista e de defesa nacional. A libertação só será feita pelo povo trabalhador explorado. A mensagem de resistência e emancipação dos povos, presente no livro, pode ser vista nas figuras de Túpac Amaru, muitos outros ‘heróis’ das guerras de independência, até Guevara e a revolução cubana.

Enfim, você chega ao final do livro querendo conhecer mais sobre história e lutas do nosso povo.”

Observação do editor: A publicação de Galeano pode variar bastante de preço. Uma das versões mais antigas (como a da foto acima), pela editora Paz e Terra, pode ser encontrada na ‘Estante Virtual’ por 18 reais. Versões mais recentes, no entanto, podem variar de 22 reais nas Americanas, 24 reais pela Submarino a 34 reais pela Magazine Luiza.



Luís Eduardo Robaina.

Professor do departamento de Geociências do CCNE-UFSM.

 

Edição: Fritz R. Nunes
Imagens: Wikipedia, divulgação e arquivo pessoal
Assessoria de imprensa da Sedufsm

Fotos da Notícia

Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio Capa do livro de Galeano Professor Luís Eduardo Robaina

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