Sindicatos e sua importância, ontem e hoje SVG: calendario Publicada em
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Professora Cecilia Pires e professor Edson Morais enfatizam relevância da luta sindical

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20.06.2022: sindicatos e diversas entidades em reunião na Câmara de S. Maria contra corte de verba da UFSM

Os sindicatos continuam sendo importantes na atualidade? É uma questão de cidadania. Temos que ter o nosso fórum de debates, exercer o direito de discutir, discordar, reivindicar, poder livremente nos manifestar e de aceitar as opiniões contrárias democraticamente. Este espaço está dentro dos sindicatos, através das reuniões, de seu corpo diretor, dos seus departamentos, grupos de trabalho e assembleias. Todas as conquistas universitárias são conseguidas através dos sindicatos”, ressalta Edson Morais, docente aposentado da Medicina da UFSM, um dos fundadores da Sedufsm e, que, antes, foi vice-presidente da Associação de Professores (Apusm).

Na mesma linha, a professora Cecilia Pires, aposentada do curso de Filosofia da UFSM e vice-presidente de uma das primeiras gestões da Sedufsm, entre 1990 e 1992, avalia como inegável a relevância dos sindicatos. Contudo, pondera, as falas e formas de reivindicação precisam ser atualizadas no ritmo dos processos vividos. Dessa forma, acrescenta ela, possibilita a profissionalização das lideranças (sindicais) com estudos financeiros e econômicos, vindos de assessorias confiáveis, capacitando essas lideranças a “tornarem robustas suas reivindicações”.

Edson Morais e Cecilia Pires concederam depoimentos à assessoria de imprensa da Sedufsm, expressando opiniões sobre a importância histórica do movimento sindical e também quanto à relevância de seguirem, na atualidade, vinculados a um sindicato.

Para Cecilia Pires, os sindicatos, no Brasil, têm importância histórica como protagonistas políticos, contestando a administração do Estado, que sempre esteve a serviço do grande Capital, descuidando as razões fundamentais que embasam os direitos dos trabalhadores. “A dimensão reivindicatória  dos sindicatos, que atuaram como porta-vozes dos referidos direitos, utilizando o mecanismo das greves e paralisações organizadas, foi responsável por muitas transformações sociais, como melhorias nos aparatos legais, de modo a atingir algumas metas de isonomia salarial, de condições de trabalho, de conquista de direitos e de ocupação do espaço público, encontrando eco na sociedade civil”, argumenta.

Nos diferentes momentos históricos pelos quais o país passou, ressalta a professora, com suas lutas conjunturais específicas, o trabalho sindical, com maior ou menor intensidade, sempre ficou evidente, o que comprova o protagonismo histórico dos sindicatos, enfatiza a professora.  

Educação e a ANDES

Trazendo para o campo específico da educação, Edson Morais recorda que há mais de 40 anos era fundada a ANDES, Associação Nacional de Docentes de Ensino Superior, mais tarde, o ANDES-SN (Sindicato Nacional). Para ele, “a ANDES teve papel decisivo nas reivindicações da categoria junto às universidades e governos da época”. Ele lembra que, no final da década de 70, quando o governo do general Geisel entregava a Presidência da República ao general João Figueiredo, houve a criação da CUT, Central Única dos Trabalhadores, que “teve um papel histórico na redemocratização do país”.

Morais rememora que as greves reivindicatórias, especialmente por mais verbas para a educação e salário dos servidores, começaram nessa época. “Lembro em 1979, em pleno governo de Paulo Maluf, de São Paulo, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, USP, completamente parado, vazio, em função de greve da universidade. Entendíamos como pós-graduandos, a importância do movimento, embora nossas pesquisas estivessem todas paralisadas em função da greve. De lá para cá, muito se viu em matéria de luta das categorias universitárias por direitos, condições de trabalho e salários dignos”, destaca.

O surgimento da Seção Sindical dos Docentes da UFSM

O professor Edson Morais ainda vê passar um filme em sua cabeça quando lembra a fundação da Seção Sindical dos Docentes da UFSM, que como o próprio nome diz, é uma parte de um Sindicato Nacional, no caso, o ANDES-SN. “A Sedufsm foi criada em uma noite histórica do ano de 1989, onde alguns docentes se reuniram em uma sala do prédio da antiga reitoria. Antes funcionávamos como sindicato, sem sê-lo, na APUSM, Associação dos Professores Universitários de Santa Maria. Tive a honra de ter feito parte da diretoria do então presidente Clóvis Renan Jacques Guterres, no meu entender um dos quadros mais politizados da nossa universidade”.

Cecilia Pires conta que, quando foi fundada a ANDES, como Associação Nacional de Docentes (1981), havia o interesse de que se evoluísse para uma organização sindical tão logo tivesse um suporte legal, o que ocorreu a partir da Constituição de 1988. A Associação transformou-se, então, em Sindicato Nacional filiado à CUT. Para ela, foi essa a razão maior para a APUSM não aderir à proposta de sindicalização. “Foi necessária então, a organização da Seção Sindical local – Sedufsm”, assevera.

Na visão da docente, hoje aposentada, os professores e professoras que fundaram a Seção Sindical, como aqueles e aquelas que se filiaram mais tarde, viam no sindicato “um elo de fortalecimento de unificação das lutas da categoria de docentes universitários, sem necessariamente uma etiqueta de operários”. E acrescenta: “O que ocorreu nos debates, dentro do Sindicato Nacional, foi a ideia da construção de uma identidade com os demais trabalhadores, sendo os professores considerados trabalhadores em educação, ou operários do ensino, como era referido em algumas universidades  privadas e públicas, sendo em algumas até considerados bóias-frias, tal a indigência salarial vivida à época”.

Sindicato, uma ferramenta sempre atual

Voltamos à pergunta inicial: os sindicatos seguem relevantes na atualidade? Edson Morais considera “fundamentais, especialmente pelo momento em que vivemos”. Para ele, o país vive um status quo de iminência de ruptura democrática todos os dias, conforme apresentam todos os tipos de mídia.

“Não acredito que isto (ruptura) ocorra, pois o povo brasileiro está maduro e pronto para resistir a qualquer movimento neste sentido”. No entanto, ressalta o professor, para que se possa estar preparado para barrá-la, é de suma importância a vinculação com entidades representativas, seja de servidores universitários ou de ‘operários’. “Nada terá ressonância em escalões superiores da república se não houver uma entidade representativa das diversas classes trabalhadoras, ou seja, os sindicatos, para reivindicá-las”, frisa.

Cecilia Pires (foto abaixo) segue vendo no sindicalismo um importante instrumento para trabalhadores e trabalhadoras, mas faz também um alerta em sua reflexão:

“Na atualidade, verifico que as diversas categorias de trabalhadores organizados em Sindicatos envolvem-se mais em lutas político-partidárias, fortalecendo suas agremiações, deixando de lado a luta sindical própria, na medida em que o enfrentamento capital-trabalho ocorre de outra maneira, diferente do tempo do sindicalismo de chão de fábrica, onde o peso dos patrões tinha uma presença física mais contundente”, sublinha.

Argumenta ainda que, com a globalização e suas contingências, tudo ficou numa horizontalidade perversa, em que máquinas digitais conferem aos trabalhadores um outro tipo de servidão, que o sindicato não responde mais e, que, assim, precisaria ser repensada essa forma organizativa de operários e seus pleitos.  Além disso, destaca ela, as reformas trabalhista e previdenciária, aprovadas por um parlamento casuístico, alimentado por explícitos interesses do grande empresariado nacional, agravam a situação do trabalhador, que se vê na contingência de garantir seu emprego e renda, elegendo sua sobrevivência antes da participação sindical.

E sobre o papel da Sedufsm, especificamente, Cecilia afirma: “Até o momento em que trabalhei na UFSM (1994), sempre observei o papel político agregador da Sedufsm, em lutas específicas de interesses salariais e de condições dignas do trabalho docente, nas esferas de ensino, pesquisa e extensão”. Aliás, complementa, esta foi a razão maior para a APUSM não aderir à proposta de sindicalização, na medida em que a Associação se envolvia com atividades recreativo-culturais e prestação de serviços, sem caráter   reivindicatório”, finaliza.

A necessidade de somar-se à luta

Acreditando na importância sempre presente do sindicato é que a Sedufsm lançou na última segunda, 12, uma campanha de sindicalização, cujo objetivo é fortalecer ainda mais a entidade representativa de professores e professoras da UFSM.

#sejasedufsm

#defendaaufsm


Texto: Fritz R. Nunes
Imagens: Rafael Balbueno e arquivo pessoal
Assessoria de imprensa da Sedufsm

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