Presidente da Sedufsm: prioridade deveria ser discutir recomposição da matriz orçamentária e não a forma de ingresso SVG: calendario Publicada em
SVG: atualizacao Atualizada em 24/02/23 17h36m
SVG: views 395 Visualizações

Em entrevista à Unifm, Ascísio Pereira sugeriu que debate sobre alteração na forma de ingresso deveria se estender ao longo do ano

Alt da imagem
Ascísio Pereira, presidente da Sedufsm, durante entrevista à Unifm

A prioridade da UFSM não deveria ser, neste momento, discutir alterações na forma de ingresso da instituição que, atualmente, se dá através do modelo ENEM/SISU (Exame Nacional do Ensino Médio, que integra o Sistema de Seleção Unificada). O debate prioritário deveria ser a busca da recomposição da matriz orçamentária, desconfigurada nos últimos anos. A opinião é do professor Ascísio Pereira, presidente da Sedufsm, e foi expressada durante entrevista ao jornalista Gilson Piber, apresentador do programa ‘Editoria 107.9’ da Unifm, no último dia 14 de fevereiro.

Durante seu depoimento ao programa, Ascísio argumentou que a experiência de acesso à instituição através do ENEM é ainda recente, sem um tempo grande para maturação de seus efeitos, já que foi em 2014 que aprovou-se o fim do vestibular e o Peies, sendo que o ingresso de forma integral através do Enem foi efetivado somente em 2016. Ou seja, é uma experiência de menos uma década.

Além disso, destacou ele, nesses menos de 10 anos houve vários atravessamentos, como por exemplo, o fato de que, desde 2016, quando a presidenta Dilma Rousseff foi destituída, os governos que se sucederam (Temer e Bolsonaro) prejudicaram muito as universidades, estabelecendo cortes de recursos e distorções no andamento do ENEM/Sisu; e, a comunidade universitária também foi atropelada pela atipicidade da pandemia de Covid-19.

Na visão do dirigente da Sedufsm, é preciso levar em conta a mudança da conjuntura na qual a UFSM está inserida. Ascísio Pereira avalia que, diferente de governos anteriores do país, em que reitores (as) sequer eram recebidos (as) no Ministério da Educação sem que algum parlamentar aliado fizesse a intermediação do encontro, o atual governo tem se mostrado aberto a discussões. Nesse sentido, ele questiona se “não seria o momento de lutar pela recuperação da matriz orçamentária, e por consequência, recuperar outras coisas importantes que a universidade perdeu mais recentemente, como a capacidade de fazer com que o aluno possa ingressar, mas também permanecer na instituição?”.

Diálogo

O professor Ascísio Pereira foi questionado sobre alguns dos argumentos da reitoria da UFSM para o retorno do processo de seleção através do vestibular. Um deles, de que a instituição não deveria ficar restrita a uma única forma de acesso. Em sua resposta, enfatizou que não apenas a Sedufsm, mas também as demais entidades que atuam de forma conjunta no debate dessa questão (Assufsm, Sinasefe, Atens, DCE e APG), têm tido um diálogo respeitoso com a gestão da universidade.

Contudo, frisa Ascísio, o que as entidades representativas propõem é que, ao invés de votar a proposta de alteração na forma de ingresso já no mês de março, que o primeiro semestre de 2023 seja dedicado a um amplo debate com a comunidade interna (em todos os campi- Cachoeira, Frederico, Palmeira e Santa Maria) e também com a comunidade externa à UFSM. O objetivo desse debate, explica o dirigente da Sedufsm, seria para que se pudesse fazer uma “reflexão mais profunda sobre o assunto”. E acrescenta: “não é questão de ser contra ou a favor de A, B ou C, mas sim, com o intuito de realizarmos um debate esclarecedor para toda a comunidade”.

Para o presidente da Sedufsm, aguardar até o final do primeiro semestre de 2023 poderia significar uma tomada de decisão mais madura. Ascísio Pereira (foto abaixo) assinala que seria importante que fosse alcançada uma pactuação, por exemplo, em que a UFSM faria, durante uma década, a análise do processo atual (Enem-Sisu), possibilitando assim que se chegasse a números mais concretos, permitindo uma reflexão integral.

ENEM e a democracia

“Eu me arrisco a dizer que nunca houve um processo seletivo tão democrático quanto o ENEM, que levou a uma mudança do perfil de estudantes das universidades brasileiras. Na UFSM, por exemplo, hoje, 60% do quadro das e dos estudantes são compostos por jovens oriundos das classes populares”, analisa Ascísio Pereira. Para o dirigente da Sedufsm, esse modelo de processo seletivo representou uma conquista “especialmente para as pessoas de baixa renda”.

Complementando o raciocínio, questiona: “O processo ENEM/Sisu fez da UFSM uma universidade pior do que ela era? Eu penso que não. Os números mostram que a universidade continua muito bem.” E complementa: “Quando eu cheguei na UFSM, 13 anos atrás, eu não via quase estudantes negros e negras. Hoje, isso se torna perceptível, assim como a presença de indígenas. Entendo que a UFSM se regionalizou mais com o ENEM/Sisu do que com processos anteriores”, argumenta Ascísio Pereira.

Confira aqui a nota de repúdio das entidades acerca desse tema, divulgada no dia 25 de janeiro, antes da reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. E, no dia 1º de fevereiro, uma assembleia unificada das entidades também aconteceu para tirar posição a respeito desse assunto.
 

Texto: Fritz R. Nunes
Fotos: Unifm
Assessoria de imprensa da Sedufsm

SVG: camera Galeria de fotos na notícia

Carregando...

SVG: jornal Notícias Relacionadas

Comando Local de Greve divulga nota de apoio ao mapeamento da comunidade atingida pelos eventos climáticos

SVG: calendario 16/05/2024
SVG: tag Sedufsm
“A PRPGP da UFSM, parece não estar interessada em saber a situação das pessoas que fazem parte da comunidade universitária neste momento difícil”, ressalta o texto

XXIV Encontro da Regional RS do ANDES-SN é adiado

SVG: calendario 09/05/2024
SVG: tag Sedufsm
Evento que aconteceria dias 24 e 25 de maio foi suspenso devido a eventos climáticos

Diretoria da Sedufsm divulga nota de solidariedade às vítimas da catástrofe socioclimática no RS

SVG: calendario 06/05/2024
SVG: tag Sedufsm
“Infelizmente, estamos diante de mais uma catástrofe previsível”, ressalta o texto

Veja todas as notícias