Roda de Conversa visibiliza obstáculos da Política de Igualdade de Gênero na UFSM SVG: calendario Publicada em
SVG: atualizacao Atualizada em 10/03/23 18h08m
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Debate nesta sexta, 10, reuniu representantes sindicais, da gestão da instituição e do CIG

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Professora Simone Gallina, diretora da Sedufsm, intervém durante a roda de conversa

Na manhã desta sexta, 10 de março, uma Roda de Conversa no prédio da reitoria da UFSM (salão Imembuí) reunindo entidades sindicais, integrantes do Comitê de Igualdade de Gênero (CIG), da Casa Verônica e da gestão da instituição, debateu a Política de Igualdade de Gênero. O que restou claro é que, um ano e quatro meses após a aprovação dessa política (3 de novembro de 2021), os entraves para a sua implementação ainda são enormes.

As dificuldades vão desde a questão orçamentária, passando pela falta de servidores/as, e, na compreensão de algumas das expositoras, até mesmo pelo que seria comprometimento maior da Administração Central da UFSM. Foi bastante lembrado pela maioria das participantes da roda de conversa, a ausência de integrantes do primeiro escalão da Reitoria no debate que estava ocorrendo.

Falando na condição de integrante do Comitê de Igualdade de Gênero (CIG), a professora Milena Freire (foto abaixo), ressaltou a necessidade de que se reconheça que a aprovação, nos órgãos superiores da instituição, de uma política de igualdade de gênero, é algo inovador, que coloca a UFSM como protagonista na comparação com outras instituições do Brasil. Contudo, argumentou a docente da área de Comunicação, é preciso que, internamente, nos espaços de poder, haja reconhecimento que se tem essa política.

O que existe hoje para fazer frente a essa política, explicou Milena, é o Comitê (composto de 15 integrantes) e a Casa Verônica. E, para levar adiante essa política, disse ela, não se pode esperar que isso seja feito pelo CIG, pois ele é um órgão consultivo e não executivo. E nem pela Casa Verônica, com apenas uma funcionária.

Representando a Sedufsm na roda de conversa, a professora Simone Gallina, primeira-tesoureira da entidade. Docente da área de Educação, Simone rememorou algumas situações difíceis enfrentadas ao longo de sua trajetória na universidade pela condição de ser mulher, desde a graduação até a pós-graduação. Especificamente em relação à política de igualdade de gênero, ela entende que é necessário que se tenha uma construção coletiva e de forma cotidiana.

TAEs

Uma das representantes do sindicato dos técnicos e das técnicas (Assufsm) no evento, Vanessa Kunz, reivindicou que o documento aprovado ainda em 2021 tenha mais clareza no que se refere à situação das e dos TAEs. Foi citado que até para as estudantes há previsão de que em situações relacionadas ao cuidado com filhos/as, a falta pode ser abonada. No entanto, no caso das técnicas, avaliaram elas, há uma rigidez em relação ao cumprimento do ponto eletrônico.

Natália San Martin, também da Assufsm, lembrou que a entidade tem um debate antigo, amadurecido através do GT Mulheres, sobre a política de gênero. Todavia, protestou pelo fato de que na hora de compor o Comitê de Igualdade de Gênero (CIG), o segmento das TAEs teria ficado sub-representado, tendo em vista que o critério para nomear os 15 nomes, foi utilizado o que prevê a LDB, com um percentual de 70% para docentes na composição, sendo os 30% restantes divididos entre servidoras e estudantes.

A coordenadora da Assufsm também enfatizou que, para uma política de igualdade de gênero efetiva na universidade, é preciso que os diversos setores a conheçam. Os pró-reitores e as pró-reitoras necessitam conhecer a política e implementar as ações para a efetivação dessa política, enfatizou.

Aline Egress de Castro, da seção sindical da Atens-SN, argumentou que o CIG, com uma composição de 15 pessoas, não pode ser responsabilizado pela implementação de uma política de igualdade de gênero para 7 mil servidores/as, incluindo docentes e técnico-administrativos.

Cassiana Marques, integrante da Atens-SM e também servidora lotada na Pró-Reitoria de Gestão de Pessoal (Progep), afirmou que a política de igualdade de gênero passa por um processo educativo. Contudo, para que ela seja efetiva, frisou, é necessário que “chegue até a base”. Ao iniciar sua fala, Cassiana fez uma saudação provocativa, perguntando aonde estavam as mulheres indígenas da instituição, as mulheres negras, as mulheres trans, os homens. Ela ressaltou ser a única mulher negra com “CD” (cargo de direção) na gestão atual.

Gestão

Representando o gabinete do reitor, a professora Sonia Cechin. Em sua explanação, ela trouxe dados apontando para a disparidade existente entre homens e mulheres quando o quesito é o acesso para fazer ciência. Apesar de os números apontarem que existem mais mulheres que homens nas universidades, disse ela, entre os anos de 2010 a 2021, foram concedidas 119.500 bolsas do CNPq para homens, enquanto mulheres receberam apenas 65 mil bolsas. Para Sonia, esse tipo de situação é cultural, histórica, precisando ser repensada e revertida.

Para Sonia, uma das questões que muitas vezes leva a uma discriminação das mulheres, é uma licença paternidade diferenciada. Na visão dela, se a licença para os pais se equivalesse à das mulheres, talvez possibilitasse uma divisão melhor das tarefas domésticas e, de outra parte, evitasse esse pré-julgamento das mulheres. A representante do gabinete do reitor também sugere que haja uma alteração que permita ao CIG ser também deliberativo e não apenas consultivo.

Apesar das dificuldades enfrentadas pela servidora Bruna Derkin (foto acima), coordenadora da Casa Veronica, como por exemplo, a falta de uma equipe multiprofissional, que atuaria justamente nos casos de assistência aos vários segmentos da instituição, as ações têm sido pensadas e encaminhadas. Uma delas, é a instalação de fraldários nas Unidades da instituição. O debate sobre a elaboração da cartilha com a adaptação da linguagem de gênero também está acontecendo. Além disso, também está em discussão a questão da oferta de disciplinas complementares na graduação sobre política de igualdade de gênero.

(Mais fotos abaixo, em anexo)
 

Texto e fotos: Fritz R. Nunes

Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

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