Professor indica a leitura de “As Brasas” SVG: calendario Publicada em
SVG: atualizacao Atualizada em 19/04/24 10h03m
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Vitor Biasoli destaca atrativos da obra de Sándor Márai, resgatado como importante romancista europeu

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Nesta sexta, 19 de abril, a dica cultural é do professor Vitor Biasoli, aposentado do departamento de História da UFSM, também escritor. Ele indica a leitura do livro “As Brasas”, do autor húngaro Sándor Márai. Considerado um dos grandes escritores do seu país natal, Márai o acabou abandonando em 1948, devido à adesão ao socialismo, tendo ido morar nos Estados Unidos. Depois de cair no ostracismo, relata Biasoli, Sándor Márai acabou tendo sua obra resgatada, após sua morte, já nos anos 90, sendo reconhecido hoje como um dos grandes romancistas europeus do século XX.

O livro, originalmente publicado em 1942, foi impresso no Brasil pela primeira vez em 1999. A publicação atual é da Cia das Letras e o preço pela internet varia: de 27 a 55 reais, dependendo do site de compra. Acompanhe a dica abaixo.

“Sándor Márai foi um romancista húngaro que só há pouco mais de vinte anos passou a ser editado no Brasil. Nasceu numa pequena cidade da Hungria, em 1900, em território que hoje pertence à Eslováquia. Escreveu a sua principal obra ficcional entre 1928 e 1948, em húngaro, uma língua considerada “menor” no universo cultural brasileiro, e talvez por isso, o seu desconhecimento nas nossas plagas.

O autor chegou a ser considerado um dos maiores do seu país, mas abandonou a Hungria em 1948, inconformado com o regime comunista e com a censura aos seus livros. Morou na Suíça, Itália, Inglaterra, estabelecendo-se por fim nos Estados Unidos, onde se suicidou em 1989 (após acompanhar sofrida enfermidade da esposa). Somente na década de 1990 seus livros passaram a ter maior circulação no seu país e atualmente está cotado como um dos grandes romancistas europeus do século XX.


As brasas é apontado como um dos seus melhores livros e o motivo também dessa dica cultural. Um romance curto, ambientado num castelo da região dos Cárpatos, em 1942, em plena Guerra Mundial, mas sem que o conflito tenha qualquer interferência na trama. Um nobre do extinto Império Austro-Húngaro recebe a visita de um grande amigo, com o qual tem uma pendenga de 41 anos. Ambos possuem a mesma formação aristocrática e militar do antigo império e é com esses padrões culturais que eles se entendem. A trama é simples, mas o enrosco é grande e o desenrolar do novelo é magistral. Vale a leitura, desde que o leitor tenha gosto por uma narrativa de andamento lento. Mas de suspense garantido, neste caso.


Com a mesma elegância de construção e linguagem, assim como de personagens sofisticados, dados a grandes torneios de raciocínio, o autor também produziu Jogo de cena em Bolzano. Neste livro, ambientado no ano de 1756, o famoso Casanova (recém fugido de uma prisão em Veneza) recebe a visita de um nobre com uma proposta insólita: a de acalmar as inquietações e ardores da sua jovem esposa. Um romance em tom de opereta promete a apresentação, e não engana o leitor.


Ambos os livros foram publicados pela Companhia das Letras, sendo As brasas traduzido da versão italiana por Rosa Freire d’Aguiar. Segundo Cristovão Tezza, ler os livros de Márai é ‘um oásis de inteligência, silêncio, reflexão e sensibilidade’.”

Vitor Biasoli

Professor aposentado do departamento de História da UFSM.

 

Imagem: Divulgação
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

 

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