Fundadores e fundadoras da Sedufsm relembram episódios marcantes dos 36 anos de sindicato SVG: calendario Publicada em 19/12/25
SVG: atualizacao Atualizada em 19/12/25 15h31m
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Depoimentos foram registrados durante lançamento da Casa Clóvis Guterres, no dia 15 de outubro, em Camobi

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Foi no pátio da Casa Clóvis Guterres que antigos e recentes personagens da história sindical docente em Santa Maria se encontraram. Em 15 de outubro deste ano, durante o lançamento do novo espaço da Sedufsm em Camobi, eles e elas relembraram, ao microfone ou em entrevistas diretas à nossa equipe, alguns episódios fundamentais vivenciados ao longo dos 36 anos da seção sindical. Afinal, do momento em que a ata de fundação foi assinada – às 20h30 do dia 7 de novembro de 1989, no Auditório do Centro de Ciências Sociais e Humanas, quando este ainda era localizado no prédio conhecido como Antiga Reitoria – foram muitas fases, projetos, vitórias e aprendizados.

Cada um e cada uma guarda um afeto especial por um período ou ação relacionados ao sindicato. Diorge Alceno Konrad, docente do departamento de História da UFSM, por exemplo, fala com carinho do projeto que viu nascer, o Cultura na Sedufsm. Ele presidiu a seção sindical entre os anos de 2006 e 2008, encabeçando a gestão Resistência e Compromisso. Um pouco antes, integrando a diretoria da gestão Integração, de 2004 a 2006, acompanhou o despontar da iniciativa que colocou a Sedufsm no circuito cultural de Santa Maria.

“Eu tenho 30 anos como docente da UFSM, e um terço desse período eu vivi na linha de frente da Sedufsm, seja como diretor ou como conselheiro. Foram diversas greves, comandos de greve, participação em congressos e nos mais variados eventos, mas guardo com especial carinho - porque começou na gestão presidida pelo professor Carlos Pires e se consolidou na gestão em que estive à frente como presidente – o Cultura na Sedufsm. O Cultura reuniu teatro, música, poesia e eventos que oportunizassem reflexões políticas, sociais e culturais. Então, a longevidade do Cultura na Sedufsm é, para mim, motivo de muito orgulho, pois foi um projeto acompanhado por mim desde o início”, relembrou Konrad.

*Professor Diorge Konrad, ao lado das professoras Gláucia Konrad (de lenço no pescoço) e Liane Weber (atual vice-presidenta da Sedufsm)

Sobre a inauguração da Casa Clóvis Guterres, o professor diz ter sido um momento mágico e simbólico da luta docente, que sempre teve, dentre suas reivindicações, a conquista de uma sede dentro ou próxima ao campus da UFSM. Hoje, o espaço da seção sindical em Camobi fica na rua Erly de Almeida Lima, 690, com funcionamento das 9h às 12h e das 13h às 18h.

“A casa próxima ao campus é uma conquista extraordinária, porque vai ser um espaço de aproximação maior com a categoria, de organização e, sobretudo, de convivência entre nós. E mais ainda porque homenageia uma das grandes lideranças, um timoneiro da luta da nossa categoria, que é o professor Clóvis Renan Guterres”, diz Konrad, para quem o professor que hoje nomeia a nova casa da Sedufsm sempre foi referência.

Clóvis Guterres, docente aposentado do Centro de Educação, foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Sedufsm, assumindo a Diretoria Provisória que se instituiu entre 1989 e 1990. Ele faleceu no dia 20 de novembro de 2023, deixando um legado inquestionável.

“Era exemplo de resistência e luta pela categoria. A homenagem ao nome dele, para essa casa, é o simbolismo de uma luta que ele ensinou lá quando eu vim estudar na UFSM, e que depois, como nosso primeiro dirigente, se concretizou ao longo do tempo. Então, é uma justa homenagem ao professor Clóvis Guterres, presente hoje e sempre”, completou Konrad.

Abrindo espaços

Sonia Berenice Tolfo foi secretária-geral na gestão que dirigiu o sindicato entre 1994 e 1996, sob a presidência do professor Ricardo Rondinel. Ela e a professora Jussara Rosa foram as primeiras sindicalizadas à Sedufsm pertencentes à carreira EBTT [Ensino Básico, Técnico e Tecnológico], lecionando no então Segundo Grau – hoje Ensino Médio. Foi durante a greve de 1994 que se iniciou a aproximação. “Foi muito bom para nós e também abrimos o caminho para que o Segundo Grau fizesse parte dessa seção que batalha tanto pelos professores”, conta Sonia.

Ela lembra que a reivindicação de uma sede no campus vem de muito tempo. “Ter uma casa em Camobi sempre foi um sonho da Sedufsm, e essa casa com o nome de Clóvis Guterres faz jus à luta que ele desenvolveu durante todo o tempo, sendo o primeiro presidente do sindicato. É uma importantíssima homenagem, e importante também é ter esse espaço próximo à universidade, o que facilita o acesso a todos os sindicalizados”, avalia Sonia.

*À direita, ao lado do professor Everton Picolotto (atual presidente da Sedufsm), a professora Sonia Tolfo. À esquerda, a professora Lia Rauber.

"Éramos chamados de comunistas" - Luiz Ernani Bonesso de Araujo, tesoureiro-geral da Diretoria Provisória, lembrou a famosa assembleia no Auditório Gulerpe, em que, segundo o docente aposentado do departamento de Direito da UFSM, diversos professores que não costumavam comparecer às plenárias foram apenas para dizer 'não' à transformação da então APUSM (Associação dos Professores da UFSM) em seção sindical do ANDES-SN.

*Ao microfone, Luiz Ernani de Araujo

As e os servidores públicos conquistaram, com a Constituição Federal de 1988, o direito à sindicalização e à greve. Assim, a antiga ANDES (Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) transformou-se em ANDES-Sindicato Nacional, e as associações de docentes nas universidades se converteram em seções sindicais vinculadas à entidade nacional. Menos em Santa Maria, onde, sob acusações de que o recém criado Sindicato Nacional era comunista por ter se filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maioria dos presentes, em assembleia, decidiu que a APUSM manteria seu caráter associativo, não integrando a luta sindical. Foi então que um grupo de professores e professoras, interessados em fortalecer a luta da categoria, se retiraram e fundaram a Sedufsm. Luiz Ernani estava entre eles. 

"Logo depois da formação do sindicato, tivemos uma grande greve. Éramos só dois professores no Direito fazendo greve. A coisa ficou feia lá, fui ameaçado de agressão, diziam 'onde já se viu fazer greve!'", lembrou Ernani, que, anos mais tarde, durante a gestão Trabalho Docente e Compromisso Social na UFSM (2012-2014), voltou a ser diretor da Sedufsm. 

Outra docente que partilhou um pouco de suas memórias foi Beatriz Maria Pippi, integrante da Diretoria Provisória (1989-1990) e das gestões Consolidação (1990-1992) e Reconstrução (2000-2002). 

*Ao microfone, Beatriz Maria Pippi 

“Tive a sorte de conviver com o Clóvis e com o grupo que criou o sindicato. Aprendi muito, acabei fazendo parte, me apaixonei e tenho certeza de que me tornei uma pessoa melhor lutando pelos interesses da comunidade. Lembro uma das vezes em que fui a Brasília e fiquei na casa do meu irmão, que era militar. A esposa dele disse ‘Beatriz, minha querida, não vai naquela reunião porque lá tem soldado com cachorro’ [risos]. Quanta luta, quanto embate, mas tínhamos coragem, força, vontade e conseguimos muita coisa. Hoje já não consigo enfrentar cachorros, mas com certeza me tornei uma pessoa melhor sendo sindicalizada e aprendendo com os colegas”, disse Beatriz, em um relato que emocionou as e os presentes à inauguração da Casa Clóvis Guterres.

Perspectivas - Para 2026, a gestão ‘Renova Sedufsm’ projeta uma série de ações com o objetivo de fortalecer o sindicato, estreitando os laços com as e os professores que já são filiados e ampliando o diálogo com quem ainda não se sindicalizou, a fim de que compreendam a importância da luta coletiva e da principal ferramenta de mobilização e conquista de direitos por parte das e dos trabalhadores: suas entidades representativas de classe. Conheça mais sobre a Campanha “Seja Sedufsm, Transforme o Mundo”.

 

Texto: Bruna Homrich

Arte: Italo de Paula

Fotos: Fritz Nunes

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 

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