ANDES-SN: códigos de vaga, precarização e disputa sindical no segundo perfil sobre trabalho docente SVG: calendario Publicada em 14/01/26
SVG: atualizacao Atualizada em 14/01/26 10h30m
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Matéria traz depoimento com realidade de docente da carreira EBTT do Instituto Federal do Paraná

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Luiene Veloso, docente do IFPR, campus de Palmas

O ANDES-SN está publicando matérias especiais sobre as diferentes realidades do trabalho docente nas instituições públicas de ensino do país. Nesta terça, 13, republicamos reportagem sobre o professor Solano Guerreiro, do campus de Benjamin Constant, no Amazonas.  Hoje, a publicação traz Luiene Veloso, professora da carreira de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) no Instituto Federal do Paraná (IFPR), no curso de Pedagogia, campus Palmas.

A série elaborada pelo ANDES-SN apresenta contextos de diferentes regiões e estruturas institucionais para evidenciar como as desigualdades de carreira, os cortes orçamentários e a precarização das condições de trabalho impactam o ensino, a pesquisa, a extensão, a organização sindical e a vida das e dos docentes.

Ensinar, pesquisar e resistir

Luiene Veloso, docente EBTT no IFPR, atua em uma instituição composta por 27 campi espalhados pelo estado do Paraná. Segundo a docente, muitos cursos funcionam com um número insuficiente de trabalhadoras e trabalhadores da Educação, o que aprofunda a sobrecarga e precariza o trabalho docente.

Ela sublinha que “há um tensionamento constante” e acrescenta: “Vejo que isso se repete em outros institutos federais e também nos Cefets, porque as condições de trabalho são bastante precarizadas, sobretudo no que diz respeito à força de trabalho. Temos cursos inteiros — como o meu — que funcionam com apenas nove docentes. Fazemos toda a formação de pedagogas e pedagogos, além do suporte às outras licenciaturas, com esse número reduzido de profissionais”, relatou.

A professora destaca a luta permanente por códigos de vaga, pelo reconhecimento da pesquisa e da extensão como parte do trabalho docente e pela valorização da carreira EBTT. Embora exerçam atividades equivalentes às do Magistério Superior, docentes da EBTT ainda precisam justificar, cotidianamente, que pesquisa e extensão são trabalho.

“No Magistério Superior, a pesquisa e a extensão já estão consolidadas como parte inerente da função. No EBTT, ainda precisamos brigar por isso. Precisamos convencer que pesquisa e extensão, primeiro, são trabalho e, segundo, são imprescindíveis, dada a natureza do que fazemos. Não podemos e não vamos naturalizar essa situação, muito menos nos conformar”, afirmou.

Além dos desafios institucionais, Veloso também contou a disputa sindical enfrentada no ano passado no Sindicato dos Trabalhadores da Educação Básica, Técnica e Tecnológica do Estado do Paraná (Sindiedutec), que representa docentes e técnico-administrativos do IFPR e do Colégio Militar de Curitiba. Segundo ela, a antiga gestão mantinha vínculos com a Proifes Federação, entidade sem legitimidade para representar a categoria docente, e adotou uma postura burocrática e distante da base durante a greve de 2024.

Diante desse cenário, o Coletivo Voz da Base, do qual a professora faz parte, disputou as eleições sindicais e saiu vitorioso. Para Luiene Veloso, o resultado representa um reposicionamento do sindicato em defesa das trabalhadoras e dos trabalhadores.

“É um desafio porque, enquanto grupo mais combativo que assume o sindicato, estamos propondo uma prática que nunca aconteceu ali. Mas estamos confiantes de que, pela primeira vez, vamos nos sentir representadas e ver que nossas reivindicações realmente serão pautas de discussão e de luta política. Os ataques à educação não atingem apenas uma instituição; eles acontecem em âmbito nacional”, concluiu. 

A experiência de Luiene Veloso não é um caso isolado e dialoga com a realidade de docentes de diferentes regiões do país, marcada por desigualdades históricas nas condições de trabalho, assimetrias de carreira, cortes orçamentários e sobrecarga de funções. 

Para o ANDES-SN, o enfrentamento dessas desigualdades passa pela defesa de uma carreira única, de condições dignas de trabalho e de financiamento público adequado, elementos centrais para garantir ensino, pesquisa e extensão de qualidade e socialmente referenciados.
 

Texto e foto: ANDES-SN
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

 

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