Professor da USP denuncia lobby do agronegócio para censurar livros didáticos e ocultar consenso científico SVG: calendario Publicada em 20/02/26
SVG: atualizacao Atualizada em 20/02/26 09h55m
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Sedufsm recomenda conteúdos que denunciam pressão à editoras pela substituição do termo ‘agrotóxico’ por ‘defensivo agrícola' , resultando em omissão de impactos

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Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As salas de aula enfrentam uma nova batalha silenciosa, segundo o professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Ele revela que editoras de livros didáticos estão sendo pressionadas por lobistas do agronegócio a substituir termos científicos consolidados, como “agrotóxico”, por eufemismos como “defensivo agrícola”. A investida, que já acontecia no Congresso Nacional, agora foca diretamente no mercado editorial.

“É uma situação alarmante. O consenso científico estabelecido — tão sólido quanto a teoria da evolução — está sendo desconstruído perante o mercado editorial brasileiro, porque o agronegócio precisa defender a absurda ideia de que agrotóxico faz bem”, denuncia ao Conexão BdF da rádio Brasil de Fato. Cara foi relator em documento para o  Ministério da Educação sobre ataques às escolas, além de coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

A denúncia foi originalmente sistematizada pelas professoras Andressa Pellanda e Marcele Frossá, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, e revela uma escalada na estratégia do setor. “Esse lobby pulou o Poder Executivo e chegou diretamente à pressão empresarial. É a pressão dos empresários do agronegócio sobre os empresários das editoras”, explica.

Cara lembra que, em 2024, esteve na Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, ao lado de comunidades quilombolas, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), denunciando o lançamento de agrotóxicos sobre escolas no campo. “Uma crítica como essa não vai poder estar retratada num livro de geografia, biologia ou história? Isso demonstra o espaço e o poder que a extrema direita nunca deixou de disputar”, afirmou.

O professor critica o que chama de “concessões inadequadas” do Ministério da Educação (MEC) ao agronegócio durante o atual governo Lula. “Pelo peso que o setor tem na economia brasileira, existe uma concessão que considero inadequada e precisa ser revista. Agora eles atuam diretamente nas empresas.”

Para o professor, o ataque à escola e o ataque ao conhecimento científico são faces da mesma moeda. “A escola é o principal espaço de sociabilidade dos jovens. É lá que se aprende a conviver com a diferença, a questionar, a duvidar. Por isso é o alvo preferencial.”

Cara adverte que, se a esquerda muitas vezes abandona a disputa pedagógica, a extrema direita nunca a negligencia. “O livro didático é o material curricular efetivo da maioria das escolas brasileiras, graças ao gigante Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Controlá-lo é controlar o que se ensina.”

O professor conclui com um chamado à vigilância. “Vivemos sob alto uso de agrotóxicos e baixíssima soberania alimentar. O que existe de positivo se deve aos movimentos sociais. O consenso científico não é pacífico, precisa ser disputado todos os dias. E a escola é o território central dessa disputa.”

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As transmissões do programa Conexão BdF, na rádio Brasil de Fato, ocorrem de segunda à sexta, em duas edições: a primeira às 12h e a segunda às 17h. Para conferir entrevista com o professor Daniel Cara, acesse o canal no link aqui. 

A Sedufsm também recomenda outra matéria, publicada no início deste mês, sobre alteração em conteúdos de livros didáticos por conta do lobby agro nas instituições de ensino. A produção é da agência de jornalismo e checagem Aos Fatos. Acesse a matéria aqui. 

 

Texto: José Bernardes eTabitha Ramalho, Brasil de Fato (com edição de Nathália Costa)

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Assessoria de Imprensa Sedufsm 

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