Por salário e carreira dignos SVG: calendario Publicada em 13/03/2024 SVG: views 398 Visualizações

Começamos mais um ano letivo e, com ele, a continuidade de muitas lutas. Continuamos na batalha pela recomposição das perdas salariais, acumuladas desde 2016, e pelos revogaços. Não aceitamos reajuste apenas para o ano que vem, como proposto pelo governo, uma vez que as perdas acumuladas são muitas. Não estamos falando em reajuste, mas em recomposição urgente da inflação do período. Atualmente, por exemplo, um(a) docente em início de carreira (sem a retribuição por titulação) recebe R$ 4.875,18 (para 40 horas semanais, com dedicação exclusiva), próximo ao piso nacional do magistério da educação básica (que foi reajustado em 2024). 

Lutamos também por melhores condições de trabalho e, para isso, é necessário a recomposição dos orçamentos das Universidades, bem como a retomada dos concursos docentes, uma vez que há sobrecarga de trabalho. Importante lembrar que docente universitário(a) deve atuar tanto no ensino, na pesquisa e na extensão e, eventualmente, em gestão. No entanto, não existe, por exemplo, dentro da UFSM, um limite máximo de carga horária em sala de aula. Queremos que o mesmo seja instituído. Assim como desejamos que a Universidade passe a computar nos nossos encargos docentes o que realmente fazemos: quantas horas dispomos por semana para planejar aulas, preparar artigos, orientar estudantes, entre outras ações? 

Entre nossas pautas para 2024 estão também processos de gestão que respeitem nossa autonomia científica e pedagógica e preservem nossa saúde. Não é mais possível que debates sejam propostos, por consulta online e em períodos de férias. É necessário que a atual gestão da UFSM passe a compreender que toda a “inovação” na gestão precisa ser amplamente discutida, em todas as instâncias – e não do modo atabalhoado como foi o retorno ao vestibular que, como vimos pelas matrículas atuais, piorou o ingresso na Universidade, deixando vagas ociosas. 

Neste sentido dizemos não, também, ao Programa de Gestão de Desempenho (PGD). Nós, docentes, já temos diversas instâncias de avaliação. Nossas produções são ranqueadas (e isto tem estimulado um produtivismo estéril),  e as avaliações das pós-graduações têm servido de parâmetro para avaliação das Universidades. Nossa produção atesta nosso trabalho, não precisamos de ponto. 

O que está em jogo, com o PGD e outras ações da atual gestão da UFSM, é a concepção de universidade pública. E isso não é pouco, considerando o impacto que a universidade tem na vida das pessoas - seja servidores(as) docentes, técnicos(as)-administrativos e estudantes, seja a comunidade em geral.

 

(Publicado no Diário de Santa Maria de 11.03.2024)

 

Sobre os(as) autores(as)

SVG: autor Por Ascisio Pereira(*) e Márcia Morschbacher(**)
* Professor do departamento de Fundamentos da Educação da UFSM, presidente da SEDUFSM; **Professora do departamento de Metodologia do Ensino da UFSM, vice-presidenta da Sedufsm

Veja também