Qual o papel da UNE nos dias atuais? SVG: calendario Publicada em 11/06/13
SVG: atualizacao Atualizada em 12/06/13 10h07m
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Grupos estudantis na UFSM opinam sobre política da entidade

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Material de divulgação do 53º Congresso da UNE, que aconteceu em Goiânia (GO)

A hegemonia da União da Juventude Socialista (UJS), grupo do movimento estudantil ligado ao Partido Comunista do Brasil (PcdoB), confirmou-se, novamente, durante o 53º Congresso da entidade, realizado de 29 de maio a dois de junho, em Goiânia. Virgínia Barros, conhecida como Vic, de 27 anos, foi eleita a nova presidente da Une para o biênio 2013-2015. Para os grupos que atuam no movimento estudantil da Ufsm, as análises sobre a entidade e as ações que devem ser tomadas no sentido de recuperá-la ou superá-la como instância representativa dos estudantes difere substancialmente em alguns pontos.

Adriana Henning, estudante de Economia e militante da União da Juventude Comunista (UJC), explica que a eleição da nova presidente não significou a mudança, pois Virgínia representa o mesmo grupo político que está na direção da entidade há várias gestões, dando continuidade à burocratização organizativa e política da Une. “A União da Juventude Comunista (UJC) defende e constrói uma estratégia de universidade chamada Universidade Popular, nessa perspectiva, a universidade deve estar voltada a solucionar os problemas enfrentados pela classe trabalhadora. Estando em dissonância a que ela serve na atualidade, ou seja, às necessidades do capital. Na nossa opinião, a UNE deve estar ao lado dos estudantes quando esses lutam por melhores condições de educação, como por exemplo na greve estudantil do ano 2012”, diz Adriana.

Para a estudante de Comunicação Social e representante do coletivo 'Rompendo Amarras', Carolina Barin, não é uma surpresa a eleição da nova presidente da entidade, uma vez que o setor majoritário (PCdoB/PT) controla burocraticamente a entidade e todas as suas instâncias. “Uma vez que a direção majoritária da UNE coloca-se como um braço do governo federal no Movimento Estudantil, a política encabeçada por ela será de silêncio e amoldamento. Também consideramos que a atitude tomada pelos grupos que dirigem a UNE de indicar a Vic, uma mulher, para a presidência da entidade, não é uma resposta ao movimento feminista. O movimento que a direção majoritária da UNE constrói é machista e não olha com atenção para o debate de gênero, prova disto são as milhares de vezes que as mulheres da Oposição de Esquerda da UNE foram impedidas de fazer falas, sem citar os relatos de tentativas de agressões físicas”, fala a estudante, cujo coletivo organiza-se no campo conhecido como Oposição de Esquerda, composto por um conjunto de coletivos que se contrapõem à direção majoritária da entidade.

Antidemocrática

O membro da atual gestão do DCE UFSM e do coletivo ‘Reconquistar a UNE’, Alex Monaiar, diz que em boa parte das universidades, imperam práticas bastante questionáveis para a eleição de delegados ao Conune. “Percebe-se que, apesar de ter muita gente no congresso da UNE, a estrutura da entidade ainda é muito antidemocrática, tanto para possibilitar a participação real dos estudantes que vão para lá como também para fazer com que seja legítima essa representação da base no congresso da UNE. Ainda assim, tem um movimento muito interessante na UNE agora, que é o ‘Campo Popular’, trazendo a ideia de ser uma oposição a esse campo majoritário e se oferecer como possibilidade de direção à entidade. Saindo de uma posição totalmente adesista do bloco majoritário”, fala o estudante.

Diferente dos grupos citados anteriormente, que se organizam, dentro da UNE, ainda que com críticas à UJS, o estudante de Medicina, Rafael Cabral Macedo, e militante do coletivo 'Outros Outubros Virão', explica que seu grupo não mais crê em compor a UNE e seus espaços. “A UNE, principalmente nas duas últimas décadas, mostra um movimento semelhante ao de outras organizações da classe trabalhadora: de um nascimento combativo, passa ao completo amoldamento, resultado de seu atrelamento ao Estado e ao governo federal. Dado seu nível de burocratização e afastamento dos locais de estudo, não acreditamos que, apenas mudando a direção da entidade, essa possa ser retomada para as lutas, pois seria a reoxigenação de um instrumento que já não serve mais às necessidades estudantis”, afirma o estudante.

Semelhante posicionamento demonstrou Caroline Roque, estudante de Educação Física e coordenadora regional da Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física (ExNEEF). Ela explica que a executiva não acredita que, através da disputa de Conunes, a cada dois Unes, e da disputa da própria Une, seja possível conseguir avanços para o movimento estudantil. “Tudo isso serve para reforçar a análise de que nem a “UNE somos nós” e nem é possível “Reconquistar a UNE”, como afirmavam alguns grupos que construíram esse CONUNE. É hora do movimento estudantil se reconstruir, se reorganizar. Superar as ferramentas que já não servem para os estudantes, como é o caso da UNE que dia após dia se coloca mais distante da luta real e necessária dos estudantes”, diz a estudante.

Dois outros grupos organizados no movimento estudantil da UFSM também foram procurados, mas não deram retorno a tempo para publicação.

Texto: Bruna Homrich (estagiária)
Foto:dceufabc.com.br e site da UNE
Edição: Fritz R. Nunes (Jornalista da Sedufsm)



 

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