11 de setembro: 40 anos do golpe contra Allende
Publicada em
10/09/13
Atualizada em
10/09/13 18h03m
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Governo da Unidade Popular deu lugar à ditadura de Pinochet
Nesta quarta-feira, 11, completam-se 40 anos do golpe que deu fim ao governo da Unidade Popular no Chile, cuja principal figura era Salvador Allende. Arquitetado pela Marinha e Força Aérea chilenas - contando com forte apoio dos Estados Unidos e da CIA (Central Intelligence Agency) -, o golpe teve à frente o general Augusto Pinhochet, que assumiu a presidência, em caráter ditatorial, após o plano dos setores conservadores e imperialistas ter-se realizado.
“Colocado nesta transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo e digo que tenho a certeza que a semente que entregamos à consciência digna de milhões de chilenos não poderá ser negada porque não se detêm os processos sociais, nem com o crime, nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos (…)”, falava Allende pela última vez a seu povo, em 11 de setembro de 1973. Quando do bombardeio de La Moneda, palácio presidencial, o presidente foi morto, ao lado de mais de 30 mil chilenos vítimas da brutalidade do golpe.
Nos três anos em que governou, Allende realizou medidas como nacionalização da mineração (responsável por 80% da receita do país e que antes era monopolizado pela Anaconda, Kennecolt, Serro Co. e outras), estatização do sistema financeiro e definição de normas de controle sobre os monopólios industriais e as empresas de telecomunicações.
Resultados da implementação de seu programa foram o declínio da inflação, a queda do desemprego pela metade, o aumento de 35% a 60% nos salários e o crescimento de 12% no setor industrial e de 8,3% no Produto Interno Bruto (PIB). Também a reforma agrária conheceu consideráveis avanços, tendo sido estendida a 30% das terras.
Dificuldades
Como seria esperado para um governo que se propunha a colocar freios na dominação imperialista e realizar reformas sociais - ainda que nos marcos do capitalismo –, a gestão de Allende enfrentou diversas investidas da burguesia nacional e seus parceiros estrangeiros. Manobras para baixar o preço do cobre, sabotagem de minas, suspensão de créditos internacionais e desinformação proposital nos jornais burgueses foram algumas das dificuldades por que passou o governo da Unidade Popular – formada pelo Partido Comunista (PC), pelo Partido Socialista (PS) e por outros setores como o Partido Radical, a Ação Popular Independente e um racha do Partido Democrata Cristão (PDC) chamado Movimento de Ação Popular (MAPU).
Entretanto, após diversas manobras, as forças conservadoras julgaram que era o momento de interromper o processo constitucional e prender os líderes da Unidade Popular. Carlos Prats, ministro da Defesa e fiel ao governo de Allende, avisa ao presidente que setores das forças armadas planejam o golpe. Frente a isso, o comando das forças armadas exige o afastamento de Prats. Em seu lugar, como ministro, assume Pinochet.
Pouco tempo depois, o bombardeio ao palácio e o fuzilamento de soldados e oficiais fiéis ao governo socialista. “Trabalhadores de Chile, tenho certeza que mais cedo que tarde se abrirão novamente as grandes alamedas por onde passarão os homens livres para construir uma sociedade melhor. Viva Chile, viva o povo, viva os trabalhadores…”. Assim Allende encerra seu último discurso ao povo chileno.
Eleito com 36,5% dos votos nas eleições presidenciais – contra 35% de Jorge Alessandri (Partido Conservador) e 27,8% de Rodomiro Tomic (PDC) -, Allende governou sob fortes pressões sociais e políticas, tendo sido a Unidade Popular um exemplo dos desafios colocados aos governos que se pretendem de esquerda no mundo.
Texto: Bruna Homrich (estagiária), com informações de Carta Maior e Estadão
Fotos: Blog Palavras Todas Palavras e Blog do PNLD
Edição: Fritz Nunes (Jornalista)
Assessoria de Imprensa da Sedufsm
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