Categorias debatem formas de ingresso na UFSM SVG: calendario Publicada em 30/06/14
SVG: atualizacao Atualizada em 01/07/14 17h12m
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Presidente da SEDUFSM destaca necessidade de maior discussão

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Participaram do debate, Adriano Figueiró (esq.), Alex Monaiar (cen.) e Albertinho Gallina (dir.)

Promovido pelo Grupo de Trabalho Educação da ASSUFSM, foi realizado na manhã dessa segunda-feira, 30, o debate “Ingresso na UFSM”. A atividade, que ocorreu na sala 2018 do prédio da reitoria e faz parte do projeto “ASSUFSM Debate”,  contou com a participação do presidente da SEDUFSM, Adriano Figueiró, do coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes, Alex Monaiar, e do pró-reitor de Graduação da UFSM, Albertinho Gallina. Esse mesmo tema também será fruto de debate no Centro de Ensino Superior Norte do RS (Cesnors), em Frederico Westphalen, na quinta-feira, 3, às 10h, e em Palmeira das Missões, também na quinta, às 14h. Na mesa também estarão representantes da SEDUFSM, do DCE e da PROGRAD.

Como não poderia deixar de ser, o debate teve como ponto de partida especialmente os recentes desdobramentos envolvendo o fim do vestibular na UFSM e a adesão ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu – que por sua vez tem o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, como prova seletiva do processo). Além disso, a decisão do juiz Loraci Flores, da 3ª Vara Federal de Santa Maria, de suspender a deliberação do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFSM (CEPE), que havia decidido pela adesão ao Sisu, também esteve entre os assuntos mais comentados.

Em sua fala, Figueiró destacou como um dos pontos negativos de todo esse processo, a pressa e a ausência de um debate equivalente à importância da decisão. “Eu acho que essa discussão, justamente pela existência de vantagens e desvantagens, precisaria ter sido mais largamente discutida dentro da universidade antes que o Cepe se manifestasse de forma definitiva. Por mais que tenham sido feitos três ou quatro debates, penso que é muito pouco para um processo de tamanha importância e especialmente quando se está dando início a uma discussão estatuinte dentro da universidade, que poderia se debruçar sobre essa questão com um tempo mais alargado, com uma participação mais ampla”. Além disso, para o professor, essa pressa foi fator determinante para a abertura de brechas que questionaram a decisão do Conselho. “Esse processo acelerado acaba fragilizando a democracia interna da universidade e abre flanco para interferências externas, como a do judiciário, que, por mais que sejam impertinentes, acaba se baseando justamente nesse nosso aceleramento do processo”. Por fim, o presidente da SEDUFSM destacou a importância de se abrir o debate inclusive para que novas propostas surjam. “Seria um falso debate se nós colocássemos aqui o vestibular da UFSM contra o Sisu, como se não houvessem outras alternativas. Então eu acho que, no fundo, nós estamos precisando discutir mais e as divergências que têm surgido mostram que esse é um assunto que merece mais discussão da nossa parte”.

Para o pró-reitor de Graduação Albertinho Gallina, a rapidez com que a última decisão do CEPE foi tomada, deve ser avaliada em comparação com a morosidade e o abafamento, em administrações anteriores, de tentativas de rever o ingresso na UFSM. Para ilustrar isso, Gallina citou o exemplo de processo de autoria do DCE, protocolado em 2010, e que solicitava que a UFSM revisasse o ingresso na universidade. Além disso, e entre outras questões, o Diretório questionava quais as possibilidade de intervenção da sociedade no modelo de ingresso eram abertas pela reitoria. Tal processo, contudo, teve um curto andamento e foi arquivado pela PROGRAD na época.

Pressão do empresariado e autonomia universitária

Embora muitos fossem os pontos com leituras diferentes por parte dos três participantes da mesa, com certeza se mostrou unânime a avaliação que aponta como danosa a intervenção do empresariado local, em especial dos cursinhos preparatórios para o vestibular, na decisão da universidade. Para o coordenador geral do DCE, Alex Monaiar, a centralização em um único processo de seleção para o ensino superior é positiva, já que o contrário disso favorece o mercado dos cursinhos, que podem mudar seus planos pedagógico conforme quiserem e, ainda, focá-los em um processo seletivo específico. Já as escolas públicas, que atendem a um plano pedagógico definido pelo Ministério da Educação e pela Lei de Diretrizes e Bases, não têm essa flexibilidade. Aliás, nesse mesmo sentido, Monaiar destacou que não existe nenhuma regulação, ligada aos órgãos de educação do Estado, sobre os cursinhos de preparação pré-vestibular. Ou seja, em regra, mesmo fazendo parte do setor da “educação”, os cursinhos não possuem nenhum tipo de regulação das instituições governamentais responsáveis pela educação. “Eles exploram economicamente justamente essa contradição da educação ser um direito para todos e, ao mesmo tempo, não ter vagas para todos”, completa o estudante.

Ingresso desigual e o formato das provas

Desde que a decisão do CEPE defiiniu pela adesão ao Sisu, muito se tem sido discutido em Santa Maria sobre um modelo justo de ingresso, que não favoreça os setores mais ricos da sociedade que, por consequência, podem pagar por uma preparação direcionada exclusivamente ao modelo de prova, seja do vestibular, seja do Enem. Na opinião do presidente da SEDUFSM, é necessária a ponderação de que o vestibular não acabou, e sim foi substituído por um novo modelo, dessa vez nacional e com características diferentes de prova, mas que mantém o processo seletivo em nível de desigualdade. “Os cursinhos, eles não são escolas, eles não educam, eles são empresas que têm um planejamento estratégico para colocar os alunos que pagam dentro da universidade, e portanto essas empresas não preparam apenas para vestibulares, elas preparam também para o Enem. Os filhos dos trabalhadores, por sua vez, continuam entrando em nível de desigualdade nessa competição”.

Além disso, o professor criticou o Enem por conta de seu método de construção das provas, que se dá através de um grande banco de questões. Segundo Adriano, “a elaboração de questões para o Enem virou um enorme negócio lucrativo para professores, porque o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) vem para a universidade, dá uma oficina para um grupo selecionado de professores, que a gente não sabe como são selecionados, e aí esses professores aprendem como que eles têm que redigir essas questões, e por cada questão que eles fazem e que é aceita no sistema para compor o banco de questões eles ganham uma quantia considerável”. Esse sistema, segundo destaca o professor, vai completamente na contramão do processo que já ocorrera em outros vestibulares da UFSM, quando uma parceria entre universidade e escolas da região era realizada com o objetivo de construir, conjuntamente, o processo seletivo. “Não era a universidade que decidia o que iria cair no vestibular, eram os fóruns de discussões que incluiam professores da universidade e professores da rede pública. Era um espaço de algum grau de democracia na discussão e na reciprocidade entre a universidade e as escolas. Mais do que isso, a universidade assumia um compromisso com o processo de formação continuada dos professores das escolas públicas, via um conjunto de ações que a própria Coperves coordenava, justamente para interferir na qualidade do ensino dessas escolas, no sentido que elas preparassem melhor os alunos para o vestibular. Agora a universidade não vai mais ter que se preocupar com seleção, ela vai pegar a lista que o Sisu dá”.

Representatividade dos conselhos

Em um aspecto ainda maior do debate, os três participantes da mesa destacaram a necessidade de rever a configuração dos conselhos representativos da UFSM, como o CEPE. Para Alex Monaiar, é fundamental, por exemplo, abrir espaços para a participação dos Movimentos Sociais nessas instâncias de tomada de decisões. No mesmo sentido, o presidente da SEDUFSM destacou a necessidade de repensar a democracia interna da universidade. “Eu sou professor, teoricamente estou contemplado dentro do maior percentual de representação dentro do CEPE, só que os colegas que foram eleitos ou indicados para me representar, jamais vem me perguntar o que eu penso sobre isso”, destacou Figueiró.

Texto e fotos: Rafael Balbueno

Edição: Fritz Nunes

Assessoria de Imprens da SEDUFSM 

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