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19/03/2021 19h00m   19/03/2021 20h19m   | A+ A- |   2390 visualizações

Mães docentes falam de angústias e desafios do trabalho remoto

Professoras enfrentam adoecimento psíquico e sobrecarga de trabalho durante a pandemia


Desde o dia 16 de março de 2020, as aulas presenciais estão suspensas na UFSM. Quase que imediatamente após a interrupção da presencialidade, a universidade já instituiu o Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE), modelo de ensino remoto que, num primeiro momento, foi justificado como uma forma de manter os vínculos entre estudantes e professores (as), e hoje já vem sendo adotado como um caminho para viabilizar a formação acadêmica durante a pandemia. Ocorre que tanto estudantes quanto docentes tiveram de se adaptar muito rapidamente às atividades mediadas pela tecnologia. E a falta de diálogo entre a reitoria da UFSM e os segmentos discente e docente vem sendo duramente criticada pelas entidades representativas desde o ano passado.

Se a adaptação para o trabalho remoto careceu de preparação e vem sendo difícil ainda hoje para a categoria docente, a divisão sexual do trabalho leva a que o ano que passou, e o que se inicia, sejam ainda mais duros para as docentes mulheres. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada em 2020, as mulheres gastam, com serviços domésticos, 10 horas e 24 minutos a mais por semana que os homens. Soma-se a isso o fato de que elas ainda são as principais responsáveis pelo cuidado com as pessoas vulneráveis da família – em se tratando do contexto da pandemia, com as pessoas consideradas grupos de risco para Covid-19.

Roberta Forgiarini, docente do departamento de Fundamentos da Educação da UFSM, é mãe de Maria Clara, de 3 anos e 5 meses, e praticamente a única responsável pelo cuidado com a filha. Embora tenha o auxílio de uma senhora que a ajuda desde o nascimento da nenê, as demandas têm sido gigantes.

“Somos só eu e ela. Eu sinto que tudo se misturou. Tem momentos em que estou participando de reuniões e tenho que fechar câmera e áudio para ir fazer algo com ela. A sensação que eu tenho dentro de casa é que estou sempre me escondendo. Tenho um escritório, mas ela [Maria Clara] tomou conta. Eu vou me acomodando em outros espaços e ela vai me procurando pela casa. Já terminei reunião com a Maria Clara literalmente montada nos meus ombros. Terminei reuniões dentro do banheiro porque ela estava brincando, jogando as coisas, e eu precisei de um lugar para me afastar e poder fazer as coisas. O lugar que eu encontrei foi o banheiro”, conta Roberta, que num primeiro momento, por inseguranças e incertezas relativas a como o processo se desenrolaria, não aderiu ao REDE. Quando o modelo foi normatizado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) é que ela começou a fazer a recuperação dos conteúdos do semestre.

“Diferente daquele modelo presencial em que eu conseguia sair de casa, dar minha aula, fazer minhas coisas na universidade, agora não tenho isso. Faço tudo e ao mesmo tempo”, completa.

Em escritórios caseiros improvisados, atendendo às demandas de burocracia, de docência, de pesquisa e, muitas vezes, de extensão, tais docentes veem a linha que antes separava o local de trabalho e o local de descanso ser borrada até praticamente inexistir. Entre as urgências de estudantes, dos órgãos de fomento, das unidades de ensino e da própria família, de que forma elas vêm internalizando e elaborando psiquicamente a pandemia?

Segundo dados da Perícia Oficial em Saúde da UFSM, desde o início da pandemia (dados de 16 de março de 2020 a 10 de março de 2021), 147 professoras solicitaram afastamento do trabalho. Dessas, 44 entraram no período de licença gestante; 5 afastaram-se em decorrência de doença em pessoa da família; e 98 atestaram licença para tratamento de saúde.

Dentre as 98 que se afastaram para tratar algum problema de saúde, a maioria (20) teve como motivo as Doenças Mentais e Comportamentais; 18 tiveram como causa as Neoplasias Malignas; 16 afastaram-se por Doenças Osteomusculares e Traumatológicas; 10 por Doenças Cardiovasculares e 8 por Doenças Infectocontagiosas. Os demais afastamentos foram relacionados a outras doenças: gastrointestinais, oftalmológicas, neurológicas, respiratórias, renais e outras.

Desigualdades

Para Giuliana Redin, docente do departamento de Direito da UFSM, embora já exista um amplo reconhecimento acerca das duplas e triplas jornadas de trabalho assumidas pelas mulheres, o agravamento dessa situação no período de pandemia parece “totalmente desconsiderado”. Mãe de uma bebê de 1 ano e 8 meses e de um menino de 8 anos, ela diz que vem ocorrendo uma total invasão do trabalho na vida privada, tendo em vista que o cuidado integral dos filhos pequenos acontece em meio ao trabalho. Seu marido solicitou flexibilização da jornada de trabalho para dividir os encargos domésticos, mas, por ser profissional da saúde, teve o pedido negado.

“Ao invés de a universidade olhar para a singularidade dos impactos da pandemia na vida das mulheres mães, buscou padronizar as condições de trabalho, como se o problema se resolvesse ensinando as professoras a usar o Meet e o Moodle. Como se acessar Meet, Moodle e REDE pudesse nos colocar em igualdade de condições de trabalho e produção em relação a docentes sem encargos familiares. Portanto, eu não aderi ao REDE, tive que trabalhar neste sistema quando se tornou obrigatório na UFSM”, critica Giuliana.

Preocupação semelhante tem Eliana Menezes, docente do departamento de Educação Especial da UFSM, e mãe de duas crianças: uma de 9 e uma de 5 anos. “Não é possível que a gente mantenha a mentalidade de que dá para trazer o presencial para dentro de casa e está tudo bem. É preciso não ser conivente com práticas excludentes que podem intensificar as desigualdades”, pondera. Para ela, nesse contexto de trabalho e ensino remoto, é necessário que se levem em consideração as condições singulares de vida de cada docente, aluno e técnico-administrativo em educação que constituem a comunidade acadêmica da UFSM.

“Me preocupa muito o quanto o REDE pode se configurar como uma prática bastante excludente porque as condições de acompanhamento das disciplinas definitivamente não são as mesmas. Me entristece saber que alguns alunos vão ficando para trás. É uma montanha russa diária”, desabafa Eliana.

Ainda que sempre tenha sido um desafio conciliar a maternidade com as obrigações da docência e da pesquisa, antes da pandemia a docente contava com uma rede de apoio bem construída e que tornava possível a ela cumprir com esses dois papéis sociais. Além da escola das crianças no turno da tarde, Eliana também contava com o apoio de uma trabalhadora que cuidava das crianças no turno da manhã, e também de sua mãe. “Tudo isso se decompôs a partir de 16 de março do ano passado, quando nos fechamos dentro de casa. Começamos a cuidar da casa. Isso significa cozinhar, limpar, lavar, pendurar, guardar roupa, guardar brinquedo. Associado a isso a gente começou a ter as demandas das escolas das crianças”, conta.

Ela e o marido estão em home office até então e se revezam para cumprir todas as tarefas necessárias à manutenção da rotina doméstica e ao cuidado com os filhos. Geralmente ela concentra suas aulas e orientações de manhã, pois no final da manhã e à tarde o esposo tem de cumprir seus horários de trabalho e as duas crianças em idade escolar, com aulas remotas, necessitam de acompanhamento.

Contudo, como sabe que não é possível dar conta de todo trabalho em apenas uma manhã, Eliana acorda entre 4 e 5 horas da madrugada. “Até às oito eu faço um turno, e das oito ao meio dia faço outro turno”.

Vivência comum

A pandemia vem sendo percebida de diferentes formas, a depender de cada pessoa, dos grupos sociais aos quais elas pertencem, e de diversos outros fatores de ordem subjetiva. Contudo, na visão de Simone Gallina, docente do departamento de Administração Escolar da UFSM, algumas situações experimentadas pelas mulheres levam-nas a uma espécie de vivência comum, marcada pelo cuidado e educação das crianças num ambiente doméstico que carece de uma rede de apoio.

Mãe de um menino de 11 anos, a docente diz ter ingressado no REDE em meio a um turbilhão de incertezas. “Percebo que o processo de adesão ao REDE exigiu um repensar da minha docência que pudesse atender as condições de acesso e permanência dos estudantes as atividades desenvolvidas no ensino-aprendizagem, mesmo que muitas vezes as minhas condições não estivessem à altura das exigências de tal demanda”, explica.

Na condição de professora e mãe de uma criança em processo de aprendizagem, Simone destaca a centralidade da escola e da relação professor (a) – aluno (a). “O momento pandêmico tem exigido que as mães (famílias) tenham cada vez mais gestos de respeito e reconhecimento dos esforços das professoras, que buscam incessantemente desempenhar com qualidade sua atividade pedagógica, também no seu espaço doméstico-remoto”, comenta, refletindo, também, sobre como o imaginário de nossa geração elaborará esse período.

“Tanto meu filho quanto as gerações de crianças e jovens que fazem parte das nossas relações afetivas e profissionais no contexto da educação, ainda estão apenas experimentando essa fase que o isolamento social impôs, por não poderem mais interagir com seus pares no cotidiano da escola. Eles desejam poder voltar para esse território chamado escola”, diz Simone.

Para ela, o momento se assemelha a uma travessia. “As relações profissionais, formativas e afetivas que constituíam meu cotidiano no modo presencial, no momento estão sendo reconfiguradas”.

É muito difícil você saber o que fazer

Tatiana Dimov, docente do departamento de Terapia Ocupacional da UFSM, centralizou-se pelas discussões de seu grupo de professores e aderiu ao REDE. Num primeiro momento, apenas com acompanhamento de alunos, e num segundo, recuperando os conteúdos que haviam ficado para trás.

“Raramente os estudantes estavam todos presentes. Era uma pequena parcela que aderia. É muito difícil você saber o que fazer com essa situação. Uma parte está lá pedindo conteúdo. Outra parte não está e vai perder. O resultado foi que não consegui terminar nenhuma disciplina do primeiro semestre. Elas foram parcialmente cumpridas e o restante ficou para o semestre suplementar [presencial pós pandemia]”, explica.

Tatiana tem quatro crianças: duas gêmeas de 8 anos, uma de 5 e uma de 3. Os desafios são muitos, desde acompanhar a escolarização das filhas mais velhas, que estão com aulas dentro de casa, até auxiliar as mais novas nas atividades mais básicas.

“Tem sido muito difícil. As minhas mais novas ganharam mais autonomia esse ano, mas ainda são crianças que precisam ser assistidas o dia inteiro. São crianças que vão te chamar se quiserem comer, ir no banheiro, sair no quintal”, comenta a docente, que diz ter aumentado também, durante o isolamento, a demanda por reuniões. Se antes ela tinha uma ou duas reuniões por mês, durante o trabalho remoto têm sido duas ou três por semana. “Tenho que me revezar com o companheiro, se eu passo a tarde toda numa reunião, é uma tarde que eu não vou estar preparando aula, corrigindo”.

Tanto ela quanto o esposo são professores universitários e não são do estado do Rio Grande do Sul, de forma que não contam, em Santa Maria, com uma rede familiar que lhes dê suporte. “Temos nos revezado pra conseguir trabalhar e cuidar da casa, da limpeza e das crianças”.

Disparidade na produção

Das 939 docentes da UFSM na ativa, ao menos 143 possuem filhos (as) de até 5 anos de idade (128 docentes do Magistério Superior e 15 do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico). Utilizamos a expressão “ao menos” porque, segundo informado pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, esse número foi obtido via SIAPE, que mostra a quantidade de docentes solicitantes de auxílio pré-escolar. É possível que docentes que tenham por cônjuge outro docente tenham optado por solicitar o auxílio pelo vínculo do companheiro, o que não permite contabilizá-las. Por isso este é um número aproximado.

O cenário ideal seria aquele em que as mulheres que se tornam mães não precisassem se preocupar em retornar o quanto antes à produção científica, sob pena de suas carreiras serem afetadas pelo hiato de produtividade natural observado nos primeiros meses ou anos de seus bebês. Mas parecemos longe de tal cenário.

Conforme levantamento realizado pelo movimento Parent in Science e intitulado “Produtividade acadêmica durante a pandemia: efeitos de gênero, raça e parentalidade”, os docentes homens conseguiram cumprir mais prazos – como solicitações de fomento, bolsas, submissão de relatórios e prestação de contas – durante a pandemia do que as docentes mulheres. Enquanto 79,6% deles conseguiram dar conta das demandas, 70,4% delas conseguiram. Quando a pesquisa coloca o elemento “maternidade” na jogada, a disparidade mantém-se: 66,6% das mulheres com filhos cumpriram os prazos, ao passo que 77,1% dos homens com filhos o fizeram. As mulheres com filhos foram as que mais se beneficiaram da prorrogação de prazos (43,9%), seguidas das mulheres sem filhos (37,3%).

No que tange à submissão de artigos científicos, 68,7% dos pesquisadores homens submeteram, enquanto apenas 49,8% das mulheres conseguiram. Essa disparidade aumenta quando considerado o fator parentalidade: 65,3% dos homens com filhos submeteram artigos, e somente 47,4% das pesquisadoras com filhos conseguiram. Aqui o fato raça também foi levado em consideração, indicando que 47,3% das mulheres negras submeteram, enquanto 50,1% das brancas o fizeram. Quanto aos homens, 63,2% dos pesquisadores negros cumpriram com os prazos de submissão, ao passo que 70,4% dos pesquisadores brancos o fizeram.

Os questionários formulados pelo Parent in Science foram respondidos por 3.629 docentes pesquisadores de Instituições Federais de Ensino Superior brasileiras. O levantamento na íntegra pode ser lido aqui.

Dentre as conclusões encontradas estão o fato de que a produtividade acadêmica de mulheres negras (com ou sem filhos) e de mulheres brancas com filhos (principalmente até 12 anos de idade) foi a mais afetada.

O Parent in Science foi criado em 2016 por Fernanda Staniscuaski, pesquisadora da UFRGS, e hoje conta com diversos outros pais e mães que se dedicam a estudar e propor alternativas para que a maternidade e a paternidade não sejam considerados impeditivos a quem se dedica a fazer ciência. Graças a movimentos como este, o CNPq anunciou a inserção de um campo intitulado “licença-maternidade” no Currículo Lattes.

Em 2019, a Universidade Federal Fluminense (UFF) lançou edital de financiamento para incentivar as mães pesquisadoras. Recentemente, em dezembro de 2020, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) publicou Ato Executivo de Decisão Administrativa ampliando o período de contagem de pontos no processo seletivo para o Programa de Incentivo à Produção Científica, Técnica e Artística (Prociência). Assim, as docentes que entraram em licença-maternidade até cinco anos antes da seleção terão um ano adicional para contabilizar suas produções acadêmicas, por cada licença, até o limite de dois anos. São inclusas não só mães biológicas, mas adotivas e não gestantes em união homoafetiva.

As políticas de incentivo à produção científica de mulheres tornam-se ainda mais relevantes se observarmos que, embora elas sejam as que menos consigam cumprir os prazos, são as que mais têm ingresso na pós-graduação. Dados da Capes indicam que, de 2013 a 2019, a quantidade de mulheres que conquistaram o título de doutoras no Brasil cresceu 61%. Na UFSM, entre 2015 e 2020, o número de mulheres a ingressar em cursos de doutorado foi 60,6% superior ao número de homens. Isso significa que, nestes 5 anos, 1.604 pesquisadoras e 1.042 pesquisadores iniciaram a caminhada rumo ao título de doutores.

Eu nunca trabalhei tanto, mas parece que estou sempre em falta

Eliana Menezes tem clareza de que sua produção caiu consideravelmente. E isso a afeta, especialmente quando olha para o lado e vê colegas que conseguiram, nesse período de isolamento, aumentar sua produtividade.

“Estar em casa sem as questões da vida cotidiana doméstica tão intensamente demarcadas como é para uma mulher, e não ter crianças, facilita muito. Definitivamente não é o meu caso. É comum eu estar em aula, as crianças baterem na porta, ou eles começarem a brigar. Outro dia um deles bateu a cabeça e eu escutei o choro. Precisei pedir licença da aula. É uma sensação de endividamento permanente”.

“A gente fica com a cabeça o tempo inteiro funcionando, pensando, se cobrando e comparando. Eu nunca trabalhei tanto, mas ao mesmo tempo nunca me senti tão endividada e tão em falta. Tento me convencer de que não é uma questão de incompetência, de menos dedicação. Mas que efetivamente é dar o máximo que se consegue considerando as condições de vida do presente”, conclui a docente.

Roberta Forgiarini diz que seu desempenho também caiu. “Não estou conseguindo fazer projetos de pesquisa e extensão. Ou tu dá aula, ou tu consegue fazer essas coisas. Eu não consigo dar conta de tudo. Sou muito autocrítica com relação ao meu trabalho. Sempre penso que deveria dar mais para os alunos. Mas eu converso com eles e digo que temos que ter um pouco de autopiedade, de empatia com a gente mesmo.”

No início deste ano, a docente contraiu Covid-19 e teve de passar 5 dias hospitalizada. Seus pais também estavam com a doença e quem ficou com a Maria Clara, a bebê, foi seu irmão, que não reside em Santa Maria mas por sorte estava na cidade.

“Depois da Covid-19 o retorno foi muito difícil. Eu tinha muita fraqueza, cansaço, falta de ar. Meu atestado acabou no dia 19 de janeiro e voltei a dar aulas no dia 21 de janeiro. Muito lentamente e com muita compreensão dos meus alunos, da chefia do meu departamento e dos meus colegas. Eu precisava encerrar o semestre”, conta Roberta, que, além dos impactos físicos, ainda, se recupera, com apoio psiquiátrico e terapêutico, do adoecimento psicológico trazido pela doença.

“O medo da morte é muito desolador. Te dá um senso de realidade. A Covid-19 faz isso contigo. Quando o médico me disse que eu precisava de hospitalização, o chão se abriu, porque ninguém te dá garantia nenhuma. Os dois médicos que me atenderam disseram que não podiam me dizer o que ia acontecer. E eu queria deixar a vida organizada para a Maria Clara”, compartilha.

Adoecimento

Tatiana Dimov é outra professora que teve de solicitar, por duas vezes durante a pandemia, afastamento em decorrência de problemas de saúde. Da primeira vez, após ter severos problemas de sono em função do estresse e da sobrecarga acumulada, permaneceu duas semanas de atestado. Um pouco depois, naquele que seria o primeiro dia de seu retorno pós férias, ela foi acometida por um problema muscular que travou suas costas e a impossibilitou de andar normalmente por três dias. A recuperação da musculatura durou mais de um mês.

“Quando falo com minhas colegas que são docentes, percebo que minha situação não é singular. Tem uma questão aí que é coletiva e precisa ser olhada”, diz a docente, ressaltando que, por vezes, falta sensibilidade nas estruturas da universidade e entre os próprios colegas.

“Tenho vivido processos bem difíceis. Já me perguntaram, por exemplo, por que eu não deixo para fazer as coisas de madrugada? Por que eu não trabalho de madrugada? Já me foi dito dentro da instituição que, se eu tenho 4 filhas, esse é um problema meu, e que todos escolhemos trabalhar na UFSM. Na falta de uma diretriz da universidade que estabeleça uma política para os seus trabalhadores nessa situação, o que às vezes acaba acontecendo é a opressão do trabalhador pelo próprio trabalhador. Os colegas nas diferentes instâncias também não querem se sobrecarregar e também têm situações difíceis para enfrentar. Então talvez seja emocionalmente mais fácil para um colega se frustrar com aquilo que eu não faço do que entender isso como uma frente de luta comum que temos como trabalhadores”, opina Tatiana, para quem a construção desse senso de coletividade é, também, tarefa do sindicato.

Se por um lado a docente se deparou com situações de desgaste e desconforto, por outro encontrou, na sororidade e na empatia, o combustível e a necessária motivação para seguir. Hoje Tatiana coordena uma pesquisa que investiga a saúde mental e os estados emocionais na pandemia. No grupo de 14 pessoas que atuam na coordenação da pesquisa, a participação de suas filhas em reuniões não gera estranhamento. “Todo mundo já conhece elas”, conta.

Live

Dando sequência à programação de março, mês das mulheres, a Sedufsm promove, na próxima segunda, 22, às 19h, a live “O trabalho da mulher docente na UFSM”. Saiba mais aqui. 

 

Texto: Bruna Homrich

Arte: Bruno Silva

Fotos: Arquivos Pessoais

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

Fotos da Notícia

Roberta Forgiarini e a filha Maria Clara, de 3 anos Tatiana Dimov, docente do departamento de Terapia Ocupacional da UFSM Eliana Menezes, docente do departamento de Educação Especial da UFSM Giuliana Redin, docente do departamento de Direito da UFSM Simone Gallina, docente do departamento de Administração Escolar da UFSM

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