Detecção da variante Delta em Santa Maria traz novo sinal de alerta
Publicada em
20/08/21
Atualizada em
20/08/21 19h07m
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Marcos Lobato diz que, se variante ocasionar metade das internações e óbitos registrados nos primeiros meses deste ano, situação já será grave
Recentemente, quatro casos da variante delta foram confirmados em Santa Maria. No mundo todo, essa nova cepa de vírus tem gerado sinais de alerta, novas ondas de lotação em hospitais, endurecimento das medidas restritivas de convívio e pesquisas referentes a uma possível terceira dose de reforço das vacinas. Em entrevista à Assessoria de Imprensa da Sedufsm, o médico e professor da UFSM, Marcos Lobato, explicou que as preocupações justificam-se pelo fato de a nova variante ser muito mais transmissível que as anteriores.
“A variante delta tem uma capacidade de transmissão muito maior que a variante original - em torno de três vezes. É pelo menos 50 por cento mais transmissível que a variante P1, ou Gama. Isso significa que, com a chegada da variante delta, podemos ter um crescimento muito mais rápido de casos e isso acabar causando grandes problemas no acesso aos serviços de saúde. Essa é a maior preocupação”, diz Lobato, ressaltando que, embora não existam evidências científicas que apontem para uma maior letalidade desta cepa, o fato de ela ser mais transmissível leva a que mais pessoas contaminem-se num curto período de tempo e, consequentemente, a que uma nova onda de internações e óbitos ocorra.
E, mesmo que, devido ao avanço da vacinação, Santa Maria não volte a registrar um cenário tão desesperador quanto o observado nos meses de março a maio de 2021, se a variante delta levar a cidade a uma fração do que foi aquele período, a situação já será grave. “Se tivermos metade do número de casos, a gente terá ainda assim um número muito alto de óbitos e internações”, alerta o médico.
Contudo, ele também salienta: em outras partes do mundo nas quais a variante delta chegou com mais antecedência, o aumento do número de contagiados não ocorreu na mesma proporção que o aumento do número de internações e óbitos. Nos Estados Unidos, cita o docente, as pessoas que estão internando e morrendo em maior proporção são aquelas que optaram por não se vacinar.
A esperança da vacina
Lobato cita que, tanto no Rio Grande do Sul quanto em Santa Maria, a cobertura vacinal já chega perto de 100% para aquelas pessoas pertencentes aos grupos de maior risco.
“Sem dúvida a vacinação é a coisa mais importante que temos. Para o Brasil, tem sido a grande tábua de salvação. É o que está segurando os óbitos e as internações. Vacina é o que está nos salvando. Vacina é o que vai resolver a pandemia. Não foi e não será nenhum tratamento precoce. Aquilo foi um engodo e só piorou a pandemia. O número de casos só diminuiu depois de termos aumentado a cobertura vacinal", pondera, associando a redução das internações e óbitos em Santa Maria ao processo de imunização.
Contudo, ainda que a vacina (com as duas doses) seja bastante eficaz contra a delta, o alto potencial de contágio da nova variante leva a que seja necessária uma rápida detecção dos novos casos. E, neste sentido, a recomendação médica tem sido a rápida testagem. Ou seja: ao menor sintoma que possa ser associado à Covid-19, deve-se procurar um local que realize o teste. A delta vem ficando conhecida por apresentar sintomas semelhantes aos de uma gripe, a exemplo de coriza, ardência na garganta e dor de cabeça.
Lobato diferencia o teste-rápido e o PCR. Ambos são importantes, mas é preciso ter alguns cuidados.
“Por mais rápido que possamos fazer, os PCRs demoram até 3 dias para retornarem com a resposta. O teste-rápido nos ajuda a detectar o caso rapidamente, e a tomarmos as medidas de restrição e isolamento dessas pessoas com mais facilidade”, explica, informando que o município deve receber uma boa quantidade de testes, já que, além dos que ele próprio comprou, virão remessas dos governos estadual e federal.
“Daí é possível sim garantirmos uma boa quantidade de testes para fazermos as triagens. O problema é o uso adequado desses testes. A gente não pode fazer teste-rápido em suspeitos que estão assintomáticos, porque ele é muito ruim para detecar o vírus em pessoas sem sintomas. Então, quem está sem sintomas e quer testar porque teve contato com alguém [infectado], tem que fazer o teste de PCR. O teste rápido não pega o vírus com essa sensibilidade toda”, esclarece Lobato.
E, se uma pessoa sintomática realizou o teste-rápido e recebeu um resultado negativo, deve realizar um teste PCR para confirmar o diagnóstico. “O teste-rápido não descarta nenhuma doença. Ele só é válido quando dá positivo. Quando dá negativo, ele tem muito erro”, orienta o médico.
Onde testar em Santa Maria
A Prefeitura Municipal divulgou a listagem dos locais públicos disponíveis para realização dos testes PCR da Covid-19. Ao todo, são 26 locais - sendo 25 unidades de saúde e o Centro de Referência Municipal da Covid-19.Veja abaixo:
Centro de Referência Municipal da Covid-19
- Atendimentos: de segunda a sexta-feira, das 8h ao meio-dia e das 13h30min às 18h
- Coletas de exames: de segunda-feira a sábado, das 8h30min às 11h15min, e de segunda a sexta-feira, das 13h30min às 17h30min
Rua Conrado Hoffmann, 277, Bairro Nossa Senhora de Lourdes
Fones: (55) 3220-0390 e (55) 99128-9893 (somente WhastApp)
Região Oeste
ESF Roberto Binato
- De segunda a sexta-feira, das 10h30min às 11h30min
UBS Floriano Rocha (Bairro Juscelino Kubitschek)
- Sextas-feiras, das 7h30min às 10h
ESF Alto da Boa Vista
- Quintas-feiras, às 10h
ESF Vitor Hoffmann (Vila Rossi)
- Quartas-feiras, das 8h30min às 9h30min
ESF Parque Pinheiro Machado
- Quintas-feiras, das 11h às 11h40min
UBS Ruben Noal (Bairro Tancredo Neves)
- Terças-feiras, das 8h ao meio-dia
- Quintas-feiras, das 13h às 15h
Região Norte
UBS Kennedy
- Terças e quintas-feiras, das 8h30min às 11h
UBS Joy Betts (Bairro Perpétuo Socorro)
- Terças-feiras, das 9h às 11h
ESF Bela União
- Terças-feiras, das 14h às 16h30min
- Quintas-feiras, das 10h às 11h30min
Região Nordeste
ESF Itararé
- Quintas-feiras, das 13h30min às 15h30min
UBS Waldir Mozzaquatro
- Quartas-feiras, das 9h às 11h
Região Centro
Policlínica José Erasmo Crossetti
- De segunda a sexta-feira, das 8h ao meio-dia e das 13h às 15h
ESF Lídia
- Segundas-feiras, das 16h às 17h
- Terças e quartas-feiras, das 11h ao meio-dia
UBS Centro Social Urbano
- Terças e quintas-feiras, das 13h às 14h
UBS Dom Antônio Reis
- Quartas-feiras, das 9h às 10h
Região Leste
UBS Wilson Paulo Noal
- Segundas e quintas-feiras, das 17h às 19h
ESF São José
- Segundas-feiras, das 13h30min às 14h30min
- Quintas-feiras, das 8h30min às 9h30min
ESF São Francisco (Bairro Diácono João Luiz Pozzobon)
- Segundas-feiras, das 14h às 16h
- Quartas e sextas-feiras, das 10h às 11h30min
ESF Maringá (Bairro Diácono João Luiz Pozzobon)
- Pela manhã, conforme demanda
Região Sul
ESF Urlândia
- Segundas e quintas-feiras, das 10h às 11h
ESF Passo das Tropas
- Segundas e quartas-feiras, das 17h às 19h
ESF Santo Antão
- Pela manhã, conforme demanda
ESF São João
- Quintas-feiras, às 14h
UBS Felício Bastos, distrito de Boca do Monte
- Segundas, quartas e sextas-feiras, das 11h às 11h45min
ESF Oneyde de Carvalho
- Exames em gestantes, conforme agendamento
Ocupação de leitos UTI em Santa Maria
Conforme divulgado na edição impressa do Diário de Santa Maria do dia 19 de agosto, a situação dos hospitais da cidade, no que tange à ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva, é a seguinte:
HOSPITAL REGIONAL: 10 dos 38 leitos ocupados (taxa de ocupação em 26,3%)
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO (HUSM): 21 dos 34 leitos ocupados (taxa de ocupação em 61,8%)
COMPLEXO HOSPITALAR ASTROGILDO DE AZEVEDO: 42 dos 60 leitos ocupados (taxa de ocupação em 70%)
SÃO FRANCISCO: 3 dos 10 leitos ocupados (taxa de ocupação em 30%)
Os hospitais da Unimed, Casa de Saúde, Brigada Militar e Base Aérea estavam, até às 17h da quarta-feira (18), com todos os leitos liberados.
Delta no Rio Grande do Sul
Até a última quinta, 19, a Secretaria Estadual de Saúde havia confirmado 66 pessoas contaminadas com a variante delta no estado, além de outras 95 suspeitas que aguardavam resultado dos testes. Porto Alegre, em cujo Hospital Conceição recentemente verificou-se um surto de Covid-19, já confirmou transmissão comunitária da nova variante.
Aumento da SRAG
Junto ao aumento de casos da variante delta, a nova edição do Boletim InfoGripe aponta aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em várias regiões do país. Tais dados evidenciam, segundo o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, que é necessário ter cautela no momento de flexibilizar as medidas de distanciamento social nos estados e municípios. Acesse o boletim na íntegra aqui.
Texto: Bruna Homrich
Imagem: Agência Brasil
Assessoria de Imprensa da Sedufsm
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