“E se Obama fosse Africano?”, de Mia Couto, é a dica cultural desta sexta SVG: calendario Publicada em 10/09/21
SVG: atualizacao Atualizada em 10/09/21 12h13m
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Professora Andrea Nummer sugere obra que reúne palestras proferidas pelo escritor moçambicano

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A dica cultural desta sexta-feira, 10, tem os dois pés na África mas transita por temas universais, como conflitos sociais, ódio racial, multiculturalismo e resgate da tradição e da identidade. Mia Couto, escritor moçambicano mais traduzido e divulgado no exterior, é um dos expoentes da literatura africana moderna e o único africano a ser membro da Academia Brasileira de Letras.

Sob o olhar de Andrea Nummer, docente do departamento de Geociências da UFSM, a obra “E se Obama fosse Africano?”, publicada em 2016, chega ao nosso acervo de indicações e mostra um escritor que não se restringe à ficção – ainda que absolutamente alicerçada na realidade -, mas promove reflexões sobre os temas e os impasses que perpassam a África de hoje.

Leia, abaixo, a crítica de Andrea. E, não esqueça, se você tem alguma obra (filme, livro, série, peça teatral, disco) para indicar aqui no nosso espaço de dica cultural, mande um email para sedufsm@terra.com.br.

“Durante a Pandemia senti a necessidade de reler alguns livros, entre eles “E se Obama fosse Africano?”, do escritor Mia Couto. Mia Couto é o pseudônimo de Antônio Emílio Leite Couto, poeta, jornalista e biólogo especializado em Ecologia, nascido na cidade de Beira, em Moçambique, África. Segundo ele, mesmo antes de aprender a ler livros, aprendeu com o pai, também escritor, a ler a Terra. Mia recebeu inúmeros prêmios, como o Prêmio Camões (2013), que é concedido a autores de língua portuguesa pelo conjunto de sua obra. Mia Couto é o único escritor Africano a fazer parte da Academia Brasileira de Letras.

“E se Obama fosse Africano? E outras intervenções” reúne transcrições de palestras proferidas por Mia em eventos ocorridos na África, na Europa e no Brasil que abordam, de forma crítica e envolvente, temas como o autoritarismo, corrupção, ignorância, ódio racial e religioso. Todos esses, assuntos considerados por ele como os principais problemas da África moderna.

Um desses é “O Guardador de Rios”, que trata sobre esperança em situações de guerra. Para Mia Couto, o ditado: “A esperança é a última que morre “não é verdadeiro pois a esperança não morre por si mesma, mas é morta, por um processo silencioso que faz os corações enfraquecerem, desanimarem e nos faz perder a crença no futuro”.

No texto “O Guardador de Rios”, o autor refere-se a um guarda responsável por anotar os dados de uma estação hidrológica no interior da Zambézia. Sem saber que o projeto de controle dos rios havia sido interrompido pela guerra, o guarda continuou suas anotações diárias por anos, utilizando as paredes da estação e um pedaço de carvão pois os formulários já haviam acabado. Para o autor esse episódio serviu para compreender o quanto é importante dialogar e reconhecer as “paredes” que podem ser usadas para não sucumbir ao desalento e que “nas margens de todos esses rios há gente teimosamente inscrevendo na pedra os minúsculos sinais de esperança”.

Sem dúvida, o livro é um alento nos tempos sóbrios em que vivemos”.

Andrea Nummer

Docente do Departamento de Geociências da UFSM

 

Imagem 1 (Ana Elisa Santana / Portal EBC); Imagem 2 (Amazon); Imagem 3 (Arquivo Pessoal)

Edição: Bruna Homrich/Assessoria de Imprensa da Sedufsm

 

 

 

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