Dica: ler a obra de Vilma Piedade, mulher brasileira, preta e feminista SVG: calendario Publicada em 02/09/22
SVG: atualizacao Atualizada em 02/09/22 10h42m
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Professora Leonice Mourad recomenda leitura reflexiva de “Dororidade”

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A autora do livro, Vilma Piedade

Sextou! Nesta sexta, 2 de setembro, a dica cultural é da professora Leonice Mourad, do departamento de Metodologia do Ensino da UFSM. Ela sugere a leitura de ‘Dororidade’, livro lançado pela primeira vez em 2017, de autoria de Vilma Piedade. Na obra, a escritora apresenta um conceito ampliado de “sororidade”, buscando assim, uma espécie de solidariedade e irmandade, através da dor vivenciadas por mulheres vítimas de racismo e machismo. Leia a íntegra da dica, abaixo.

“O livro ‘Dororidade’, lançando em 2017 e reeditado no ano de 2019, de autoria da mulher, preta, brasileira e feminista, como ela se define, Vilma Piedade, é minha indicação de leitura. Vilma Piedade apresenta ao público um conceito, por ela forjado, qual seja a dororidade, conceito conexo e desdobrado da definição de sororidade, que significa empatia, irmandade, união, laço e articulação que une mulheres em decorrência da compreensão mútua de seu contexto.
Quando nos debruçamos na etimologia da palavra sororidade encontramos “sóror” que significa irmã, consubstanciando a união e a solidariedade entre as mulheres.

Vilma Piedade complexifica o conceito de sororidade apresentando, principalmente para nós, mulheres pretas, o conceito de ‘dororidade’ que implica em irmandade, parceria e união na dor, impressa em nossas trajetórias em decorrência do racismo e do machismo estruturantes da sociedade contemporânea, e que tem, na subalternização da população preta, sua face mais hedionda, recaindo, por óbvio, em uma maior violência sobre as mulheres pretas. Desta forma é na dimensão da dor que, efetivamente, nós mulheres pretas estamos articuladas e precisamos comungar, visto que é a dor que nos une.

A ideia da dor e sua transformação em dororidade evidencia o cuidado e a habilidade de Vilma Piedade com a linguagem, consubstanciada no ‘pretoguês’: “[...]de sorte que “Dororidade, pois, contém as sombras, o vazio, a ausência, a fala silenciada, a dor causada pelo racismo. E essa dor é preta” (PIEDADE, 2019, p. 16).

Dororidade é um convite à reflexão que complexifica o feminismo contemporâneo, trazendo a dor das mulheres pretas como o elemento aglutinador de nossas lutas, inobstante a autora referir que não estamos quantificando e hierarquizando as diferentes dores, mas sim, evidenciando a dor das mulheres pretas.

Trata-se de um livro curto e potente, prefaciado pela filósofa Márcia Tiburi, organizado em cinco capítulos de leitura rápida, aprazível, urgente e necessária para a compreensão e complexificação dos esforços de construção de uma sociedade efetivamente plural e diversa.

PIEDADE, Vilma. Dororidade. São Paulo: Editora Nós, 2019



Leonice Aparecida de Fátima Alves Pereira Mourad

Docente Preta, mulher cis, lotada no departamento de Metodologia de Ensino do Centro de Educação/UFSM.”


Edição: Fritz R. Nunes
Imagens: Divulgação e arquivo pessoal
Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

 

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