Coggiola e as feridas abertas entre Argentina e Inglaterra SVG: calendario Publicada em 23/03/12
SVG: atualizacao Atualizada em 23/03/12 16h56m
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Historiador não vislumbra possibilidade imediata de conflito

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Osvaldo Coggiola fala sobre a Guerra das Malvinas dia 28, na SEDUFSM

O economista e professor de História Contemporânea da Universidade Estadual de São Paulo (USP), Osvaldo Coggiola, participa em Santa Maria do Cultura na SEDUFSM que debaterá os 30 anos da Guerra das Malvinas (reacende o conflito). Coggiola fala no segundo do dia do evento- quarta, 28, às 19h, no auditório da SEDUFSM (André Marques, 665). O debate sobre o tema inicia na terça, 27, também às 19h, na SEDUFSM, com a participação do jornalista, escritor e militante argentino, Jorge Altamira.

O tema de Coggiola será “A guerra das Malvinas e a ‘democratização’ da América Latina”. Pela internet, o historiador concedeu uma entrevista destacando alguns aspectos atuais do tema, como por exemplo, a possibilidade remota de um novo conflito, a importância estratégica do arquipélago e a posição de roqueiros famosos em favor da Argentina. Acompanhe:

Pergunta- Por que a Argentina reivindica as Malvinas (Falklands)? Há uma importância estratégica no arquipélago?
Resposta
- Sempre houve, maior ou menor, estratégica e econômica. Agora maior, por conta da descoberta e exploração do petróleo, ou a possibilidade de se explorar petróleo que possa ser comercializado no mercado mundial. Em 2009, Inglaterra começou a explorar petróleo na região. Além do que, a posse de territórios adjacentes à Antártica pode outorgar direitos sobre este continente em futuras negociações. O controle do arquipélago encerra, também, uma posição estratégica ao seu ocupante sobre o cruzamento austral do Atlântico Sul e seu tráfego marítimo. Se a zona converter-se em um polo petroleiro mundial, sob a soberania de uma potência estrangeira, isto se transformaria em um ponto de atrito de toda a América Latina com o imperialismo anglo-ianque. As estimativas sobre o petróleo malvinense variam bastante, mas convergem em apontar que Malvinas seria a quinta potência petroleira das três Américas, com uma produção potencial de 10% do petróleo cru dos continentes americanos, incluídas as fabulosas reservas venezuelanas do Orinoco.

P - As recentes escaramuças verbais entre governo argentino e o da Inglaterra mostraria que as feridas ainda estão abertas?
R
- Menos as feridas do que os problemas objetivos, os mencionados acima. É claro que há feridas, devidas às atrocidades cometidas pelas tropas inglesas durante a guerra, e pelas propostas de uso de força nuclear contra cidades da Argentina, durante o conflito militar. As escaramuças são só verbais. As ameaças de cada lado podem influenciar nas negociações, que poderiam iniciar-se a pedido do governo norte-americano.

P - Na sua avaliação, pode acontecer uma nova guerra?
R
- Não no imediato, o exército argentino não tem a menor possibilidade, e a população argentina seria totalmente contra, de saída, depois da experiência de 1982. Um novo conflito explícito pelas Malvinas não poderá se restringir ao âmbito limitado de uma região do Atlântico Sul, ou a uma reivindicação territorial de um país só, mas deverá implicar um cenário continental. Nesse cenário ampliado a disputa seria, em primeiro lugar, política e social, e só em segundo lugar, se necessário, também militar.

P - Um militar inglês deu uma entrevista em período recente, em que disse que se ocorresse um novo conflito na atualidade, a Inglaterra dificilmente sairia vitoriosa militarmente, pois não possui um porta-aviões em atividade. Que achaste dessa declaração?
R
- Não sabia, parece o roto falando do esfarrapado. Deve ser uma declaração para pressionar o governo inglês a investir mais em armas para combate aeronaval.

P- Como avaliaste a posição do roqueiro inglês, Roger Waters, que em turné pela América do Sul, declarou seu apoio às Malvinas como sendo argentina?
R-
Achei que era Morrissey, não Waters. Gostei da atitude do Morrissey, e gostaria que falasse isso também em Londres. Waters (Pink Floyd) fez há muito uma música, no álbum ‘The Final Cut’, em que diz: “Galtieri took the Union Jack / And Maggie over lunch one day / Took a cruiser with all hands / Apparently to make him give it back?”. Waters é pacifista, Morrissey me parece mais anti-imperialista.

* A música a que se refere o professor se chama: "Get your filthy hands off my desert"

Entrevista a Fritz R. Nunes
Foto: Arquivo da SEDUFSM
Assessoria de Imprensa da SEDUFSM

 

 

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